Revista Princípios Digital

segunda-feira, 5 de março de 2018

O obscutantismo é fruto do ANALFABETISMO CIENTÍFICO!

No vídeo logo abaixo, "A ciência brasileira e Síndrome de Cassandra", a bióloga e divulgadora científica Natália Pasternak fala sobre o cenário da ciência no Brasil e a responsabilidade dos cientistas e da academia na formação científica da população. O vídeo é também um brado de protesto contra a profunda onda obscurantista que toma conta do Brasil desde 2016.

Natália Pasternak é Bióloga, PhD com pós-doutorado em Microbiologia, na área de Genética Molecular de Bactérias. É sócia fundadora do blog de divulgação científica Café Na Bancada. É ainda fundadora da iniciativa "Cientistas Explicam", que oferece palestras, aulas e oficinas para escolas, Universidades, museus e institutos de pesquisa. Diretora brasileira do festival internacional de divulgação científica Pint of Science/ Pint of Science Brasil, no qual coordena palestras científicas em bares por mais de 50 cidades do país. Atualmente tentando conciliar a vida de pesquisadora com o trabalho de divulgação e popularização da ciência.

A ciência brasileira e Síndrome de Cassandra

sábado, 22 de abril de 2017

The Roots of Religion: Genevieve Von Petzinger at TEDxVictoria

Por que esses 32 símbolos são encontrados em cavernas primitivas por toda a Europa?


Neste vídeo Genevieve von Petzinger se pergunta: Por que esses 32 símbolos são encontrados em cavernas primitivas por toda a Europa? Nele ela descreve um sistema de comunicação simbólico frequentemente utilizado na região da Europa à mais de 10.000 anos atrás... O vídeo é muito interessante! É ciência pura...

"A linguagem escrita, a marca da civilização humana, não apareceu simplesmente da noite para o dia. Milhares de anos antes dos primeiros sistemas de escrita completamente desenvolvidos, nossos ancestrais rabiscaram sinais geométricos nas paredes das cavernas nas quais se abrigavam. Genevieve von Petzinger, paleontologista, pesquisadora de arte rupestre e TED Bolsista Senior, estudou e codificou essas marcas antigas em cavernas pela Europa. A uniformidade de suas descobertas sugerem que a comunicação gráfica e a habilidade para preservar e transmitir mensagens além de um único momento no tempo podem ser muito mais antigas do que pensamos. "

sábado, 4 de março de 2017

China Socialista é exemplo no combate a pobreza

Os SOCIAIS DEMOCRATAS, e neste caso estou me referindo aos petistas e padrecos da igreja católica, que na prática são apenas  reformistas do sistema capitalista, com suas afirmações IDEALISTAS, insistem ainda em afirmar que durante os nossos governos Lula e Dilma fomos os que mais reduziram a pobreza no mundo...

Bom, uma breve olhada na REALIDADE MATERIALISTA DOS FATOS nos mostra claramente que isso não é verdade!

A cidade de Gao’an, província de Jiangxi, vai implementar nas aldeias pobres
o sistema “uma aldeia, uma indústria de alívio da pobreza” para ajudar os habitantes a saírem da pobreza


Como podemos ler nesta matéria do Portal Vermelho, a China Socialista é que  "... foi o país que mais contribuiu na erradicação da pobreza no mundo, na última década.

A China, cuja população supera o 1,3 bilhão de pessoas, é o país com maior número de população pobre erradicada, além de ser um dos países a cumprirem mais cedo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODB)

Nos últimos 30 anos, mais de 700 milhões de chineses foram retirados da pobreza, com o número da população em miséria a cair para 558 milhões em 2015, um total de 70% da população retirada da pobreza no mundo inteiro...".

Então camaradas, muito CUIDADO ao ficar repetindo mecanicamente as afirmações petistas, ou, para ser mais preciso, as afirmações da SOCIAL DEMOCRACIA capitalista ...

LEIA MAIS EM:

http://www.vermelho.org.br/noticia/293973-1

Ricardo Tristão
#CientistaSocial

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Rede de Bolsonaro na "teia" do MOTIM da PM do ES

Com o fim do MOTIM da PM-ES, acho que vale a pena eu dar um destaque maior para a manchete do Jornal O Estado de São Paulo que foi divulgada dia 25/02/2017. Pois, estranhamente, desde o início do MOTIM, só eu estava EVIDENCIANDO e divulgando estes FATOS DA REALIDADE LOCAL. *


MATÉRIA DO PIG-ESTADÃO:

Rede de Bolsonaro na 'teia' do motim

Levantamento mostra que aliados do deputado do PSC participaram ativamente da divulgação do movimento de policiais no Espírito Santo.

BRASÍLIA - Um grupo político ligado ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) esteve na linha de frente da comunicação e da logística do motim que parou a Polícia Militar do Espírito Santo no início deste mês, segundo levantamento do Estado em conjunto com uma equipe de especialistas em redes sociais. Entre os nomes que constam desta rede de apoio estão o ex-deputado federal Capitão Assumção e o deputado federal Carlos Manato (SD-ES), aliados de Bolsonaro no Estado. 


A Polícia Federal investiga a origem do movimento, que durou de 4 a 14 de fevereiro, período em que ocorreram 199 homicídios na Grande Vitória e em cidades do interior. Um relatório parcial da PF, de 17 de fevereiro, ao qual a reportagem teve acesso, cita os nomes de Assumção, de Manato e de assessores. O documento alerta para a possibilidade de falta de policiais nas ruas de Vitória durante o carnaval. A paralisação dos militares é considerada ilegal e mais de mil agentes da corporação estão sendo processados.

O Estado identificou uma intensa troca de mensagens entre pessoas ligadas ao grupo, influente na PM capixaba, corporação que agrega 10 mil homens. O levantamento coletou informações produzidas por internautas e rastreou as interações de pessoas e entidades. Para isso, teve a ajuda de uma equipe formada por mestres e doutores nas áreas de Sociologia e Comunicação Digital.

Recorde. Publicações do próprio Bolsonaro atingiram recordes de visualizações nos dez dias de paralisação. Apenas um vídeo divulgado pelo deputado no dia 6 de fevereiro, terceiro dia do motim, foi visualizado por 2 milhões de pessoas. Nele, Bolsonaro critica o governo do Estado, defende a polícia, alerta para a possibilidade de o movimento se espalhar para outros Estados e faz propaganda do nome do Capitão Assumção, que, segundo aliados, almeja voltar à Câmara em 2018.

A movimentação na internet antecede a presença massiva de familiares dos policiais na frente dos batalhões da Polícia Militar, um cenário que ganhou corpo a partir da manhã do sábado, dia 4. No dia anterior, sexta-feira, o ex-deputado Capitão Assumção, braço direito de Bolsonaro no debate de segurança pública na Câmara entre 2009 e 2011, divulgou no Facebook uma lista de reivindicações da categoria e as primeiras imagens de mulheres que faziam protesto na frente de um batalhão no município da Serra.

“Já que os militares não podem se manifestar, os familiares estão fazendo por eles”, escreveu. O post teve quase 300 mil compartilhamentos. O ex-deputado usa foto de Bolsonaro na capa da conta no Facebook. Procurado desde a terça-feira, 21, Assumção não foi localizado.

Na noite da véspera do início do motim, o empresário Walter Matias Lopes, militar desligado da polícia, alertou seus seguidores: “Amanhã a Polícia Militar vai parar. Pior Salário do Brasil”. Em seguida, convocou: “Você, admirador da Polícia Militar, está convidado para participar do movimento amanhã”. Matias é companheiro de Izabella Renata Andrade Costa, funcionária comissionada do gabinete de Carlos Manato, que é pré-candidato ao governo do Espírito Santo com o argumento de que, assim, dará palanque a Bolsonaro.

Além de também incentivar a manifestação, Izabella engrossou as fileiras em frente aos quartéis e ajudou a distribuir alimentos às mulheres, segundo publicou em sua conta no Facebook. Na manhã de sábado, divulgou vídeo de “transmissão ao vivo” do protesto.

Marido de Izabella, Matias Lopes também tem pretensões eleitorais em 2018. Quer tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ao Estado, disse que foi apenas um “espectador”. “Não sou líder nem cabeça de movimento. Nem eu nem a Izabella”, afirmou, referindo-se à sua companheira. “Estou servindo apenas de mediador de um conflito.” Logo após a conversa, Matias e Izabella limparam as mensagens publicadas no Facebook.

Questionado sobre as publicações disseminadas pelas redes sociais, o governo do Espírito Santo informou que tem procurado identificar a dimensão do uso político antes, durante e depois do motim e que fez alerta às forças federais.

Ao vivo. A reportagem procurou Bolsonaro desde terça-feira, 21, para comentar as questões relacionadas à crise no Espírito Santo e enviou perguntas ao deputado. O parlamentar, que informou que estava no Rio, não respondeu aos questionamentos e disse que só se manifestaria sobre o assunto ao vivo e desde que a conversa fosse gravada em vídeo.
Será esta, uma parte da rede de Bolsonaro?

FONTE:
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,rede-de-bolsonaro-na-teia-do-motim,70001679295

*O número de mortos (199) pelos ESQUADRÕES DA MORTE das ELITES LOCAIS do ES, foram atualizados e a imagem também foi acrescentada na matéria por mim...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Esquerdismo, doença infantil do comunismo

Ainda sobre todo o debate que travamos sobre a “polêmica da aliança com a chapa de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a nova mesa da Câmara dos Deputados”, debate este quase sempre fraterno e crítico, ainda fica a sensação que que precisamos nos debruçar mais sobre a questão da formação ideológica dentro do PCdoB. Formação esta que precisa ser compreendida como uma tarefa revolucionária, pessoal e ao mesmo tempo coletiva e cotidiana.


É nesta direção e neste sentido que o próprio partido e os militantes mais experientes, de forma justa, fraterna e tentando ser não dogmática, recomendavam à militância mais nova, o reestudo ou estudo  imediato e rápido do livro “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, para facilitar ou iniciar a compreensão da tática imediata e a colaboração teórica e prática de todos para a luta em questão.

Sabemos que é impossível evitar as dificuldades e as tarefas originais que o proletariado deve vencer e resolver para utilizar em seu benefício pessoas que procedem de meios burgueses, para alcançar a vitória sobre os preconceitos e a influência dos intelectuais burgueses, para debilitar a resistência do ambiente pequeno-burguês da Câmara dos Deputados e, posteriormente, para tentar transformá-la por completo.

Sabemos que é impossível construir a nova sociedade comunista com outra coisa que não seja o material humano que foi criado, educado e adestrado pelo capitalismo. É óbvio que, atualmente, sob o domínio da burguesia é muito “difícil” vencer completamente os costumes e hábitos burgueses no próprio partido, é “difícil” expulsar do partido os chefes parlamentaristas acostumados com os preconceitos burgueses e por eles irremediavelmente corrompidos; é “difícil” submeter à disciplina proletária o número absolutamente necessário, mesmo que numa quantidade bem limitada, de pessoas que procedem da burguesia. É muito “difícil” criar no parlamento burguês uma fração comunista plenamente digna da classe operária, é “difícil” conseguir que os parlamentares comunistas não se deixem levar pelas frivolidades parlamentaristas dos burgueses, e que se entreguem ao mais que essencial trabalho de propaganda, agitação e organização das massas. Não há dúvida de que tudo isso é incomparavelmente mais difícil num Brasil, onde a burguesia, e as tradições pseudo democrático burguesas e em alguns casos as tradições ainda coloniais e escravistas são muito mais fortes.

Todas essas “dificuldades” que vivemos hoje são, na verdade, pueris se as compararmos com as tarefas exatamente da mesma espécie que o proletariado terá de resolver inevitavelmente para triunfar, durante a revolução proletária e depois de tomarmos o Poder. 

Se os camaradas não aprenderem agora a vencer estas dificuldade que são até pequenas, pode-se dizer com segurança que ou não estarão em condições de instaurar uma ditadura do proletariado, e não poderão subordinar e transformar em grande escala os intelectuais e instituições da burguesia. Ou pior, serão obrigados a terminar de aprender a toda velocidade, e essa pressa os fará causar grandes danos à causa proletária, cometendo o maior número de erros que os que comumente cometeriam, dar mostras de debilidade e incapacidade acima do normal, etc., etc.

As ideias e relações estabelecidas acima não são minhas, são basicamente do camarada Lênin e de todos em que ele se baseou para elaborá-las até o ponto em que nos encontramos. É nesta direção e neste sentido que, de forma não dogmática, recomendo novamente, a leitura, ou releitura, estudo ou reestudo do livro “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, bem como o estudo sistemático e cotidiano de todos os clássicos de Marx, Engels e Lênin para podermos tentar compreender na teoria e na prática seu método! O método Marxista-Leninista!


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PCdoB denuncia no Vietnã o golpe no Brasil e conclama à unidade

29 de outubro de 2016 

José Reinaldo Carvalho em sua intervenção durante o 18º EIPCO

Leia também:Leia abaixo a íntegra de José Reinaldo Carvalho:


Queridos camaradas,

Em nome do Partido Comunista do Brasil, agradecemos ao Partido Comunista do Vietnã pelas magníficas condições criadas para o êxito do 18º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

A realização deste magno evento do movimento comunista internacional num país socialista, para além de ser uma eloquente manifestação do internacionalismo proletário por parte do seu partido de vanguarda, demonstra a relevância que têm estes encontros na luta pela paz mundial, pela soberania nacional, o progresso social, a democracia, os direitos dos povos e o socialismo. É uma garantia para o avanço de nossa luta comum. Ao mesmo tempo, aponta para o fortalecimento da unidade entre os partidos comunistas e revolucionários e das forças anti-imperialistas. Desde já manifestamos nosso integral apoio à proposta de Declaração Final do nosso Encontro, apresentada pelo partido anfitrião.

Um dos aspectos mais salientes da atual conjuntura internacional é a ofensiva que o imperialismo estadunidense desenvolve na América Latina e no Caribe para depor os governos progressistas e de esquerda, como meio para controlar os mercados e saquear as matérias primas da região.

As forças de direita na região, subordinadas ao imperialismo norte-americano, intensificam as ações visando a desmantelar os processos de mudança social que se desenvolvem há quase duas décadas, período durante o qual os nossos países conquistaram importantes avanços, como o aprofundamento da democracia, a inauguração de um novo ciclo de desenvolvimento econômico, progresso social, integração solidária e soberania nacional, num processo político e econômico-social que resultou numa efetiva contribuição à paz. É de grande significação que a Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos tenha proclamado o Continente como uma “zona de paz”.

Destacamos entre os aspectos positivos da situação na América Latina, a heroica vitória da Revolução Cubana em sua batalha de mais de meio século frente à agressividade do imperialismo norte-americano, com o reconhecimento pelos Estados Unidos da derrota de sua política em relação a Cuba e com o início do processo de normalização de relações entre ambos os países, que para ser levado a bom termo é necessário pôr fim ao criminoso bloqueio e à ilegal ocupação do território cubano pela base naval em Guantánamo.

Uma vitória incontestável das forças democráticas na região foi o avanço nos diálogos de paz na Colômbia entre o governo e as Farc-EP, resultado da heroica luta do povo. Nesse processo tem sido fundamental o papel de apoio e solidariedade da comunidade internacional ao respaldar as negociações e o acordo alcançado, e sua decisão de se envolver no monitoramento e verificação para a aplicação integral dos acordos. Temos plena confiança em que as forças da paz contornarão as dificuldades criadas para a vigência do acordo de paz pelo resultado negativo do plebiscito de 2 de outubro. As forças da paz e da democracia prevalecerão na Colômbia.

No cenário latino-americano adquire cada vez maior relevo a luta em defesa da República Bolivariana da Venezuela e de sua revolução, em face das constantes ameaças de desestabilização e intervenção provenientes da oligarquia local em conluio com os Estados Unidos.

O imperialismo estadunidense persiste na aplicação de uma política de permanente militarização na região. Para além da Quarta Frota da marinha de guerra dos Estados Unidos, seguem incólumes as bases militares em Curaçau, Guadalupe, Aruba, Belize, Barbados, Martinica, República Dominicana, Porto Rico, Haiti, Cuba (Guantánamo), México, Honduras, El Salvador, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Guiana Francesa, Suriname, Peru, Paraguai (Tríplice Fronteira), Argentina (Ilhas Malvinas, ocupadas pela Grã-Bretanha) e Chile. Recentemente, a vitória eleitoral de Macri na Argentina abriu as portas para que os EUA instalem duas bases militares, uma na região da tríplice fronteira, e outra em Ushuaia, Terra do Fogo, próximo à Antártida.

No Brasil, consumou-se em 31 de agosto o golpe de Estado deflagrado por instituições políticas, jurídicas e midiáticas, instrumentalizadas pelas classes dominantes. Um golpe de caráter antidemocrático, antipopular e antinacional. Os golpistas brasileiros tentam convencer a opinião pública nacional e internacional de que a destituição da presidenta Dilma Rousseff não é um golpe porque o impeachment é previsto na Constituição e todos os ritos formais foram cumpridos. Contudo, não conseguiram provar que a presidenta da República, vitoriosa com a maioria absoluta dos votos nas eleições presidenciais de 2014, cometeu crime de responsabilidade. Dessa forma, a Constituição democrática da República foi violada.

As motivações do processo de impeachment foram políticas, um pretexto para, sob uma argumentação jurídica recheada de falsidades, derrubar a presidenta da República.

Este foi o caminho escolhido pelas classes dominantes para interromper o ciclo progressista inaugurado no país com a primeira eleição de Lula, em 2002, que, malgrado as lacunas, fez com que o país avançasse na realização de importantes mudanças políticas e sociais, no exercício da solidariedade internacional e na construção de uma América Latina independente.

Essas classes dominantes, subordinadas às potências imperialistas, são inimigas da democracia, do progresso social. Não aceitam reformas ou mudanças políticas e sociais que ponham em cheque os seus privilégios.

Consumado o golpe, o novo regime das classes dominantes encontra-se em plena ofensiva para liquidar os direitos dos trabalhadores e do povo.

O mesmo se pode afirmar quanto ao posicionamento geopolítico da burguesia brasileira, alinhado com as estratégias das potências imperialistas. Dessa maneira, o golpe de Estado no Brasil exerce impacto negativo para a luta das forças progressistas no plano mundial.

Camaradas, com nossas delegações irmãs latino-americanas aqui presentes, trazemos a este 18º Encontro Internacional a boa nova de que de 26 a 28 de agosto último, realizou-se em Lima, Peru, sob os auspícios do Partido Comunista do Peru (Pátria Roja) e do Partido Comunista Peruano, o Encontro de Partidos Comunistas e Revolucionários da América Latina e Caribe. Foi um exercício de unidade, desde uma perspectiva ampla entre partidos que têm no horizonte o socialismo e exercitam em seu cotidiano a luta anti-imperialista, democrática, fomentando a convergência e a coordenação de esforços com as mais amplas correntes progressistas. É um esforço complementar ao Foro de São Paulo e de outras articulações de forças de esquerda, uma experiência que nossos partidos latino-americanos estamos disponíveis para intercambiar com os nossos camaradas de outras regiões.

Como afirma a Declaração final, aprovada por aclamação: “Uma das características notáveis nos últimos anos tem sido o restabelecimento da ideia da Grande Pátria Latino-Americana e o forte impulso apresentado pelos processos de integração realizados na região. Esta foi a principal força motriz por trás dos acontecimentos mais importantes da região, com as particularidades de cada país. Para os comunistas e revolucionários esta continua a ser uma bandeira importante que está fortemente ligada ao internacionalismo que sempre praticaram”. Segundo o entendimento dos partidos ali reunidos, a unidade é indispensável para enfrentar a contraofensiva imperialista.

Camaradas, no momento em que se realiza o nosso 18º Encontro, o mundo vive uma situação instável, conflitiva, com graves ameaças à paz. Repetimos com o companheiro Fidel Castro, que “é preciso martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se dê o direito de matar milhões de seres humanos”.

As intervenções militares contra países soberanos se repetem, a paz é ameaçada e o fascismo volta a se apresentar com novas e velhas aparências. No Oriente Médio, na Ásia, na África, na Europa e América Latina os fatos são contundentes a chamar a atenção dos povos, das forças democráticas e progressistas para as graves ameaças à paz. Temos assistido à aplicação da estratégia imperialista de construção do chamado “novo Oriente Médio”; à continuidade da destruição da Líbia e sua transformação em diferentes tipos de protetorados a serviço de potências estrangeiras; à guerra devastadora na Síria, provocada pelo imperialismo em conluio com regimes reacionários na região do Oriente Médio e grupos terroristas; ao golpe fascista na Ucrânia, com apoio das potências ocidentais e as ameaças de intervenção nesse país do Leste europeu; ao prosseguimento da política de ocupação, colonização, limpeza étnica e terrorismo do Estado de Israel contra o povo palestino, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense; à adoção de uma estratégia militar na Ásia, voltada para a China; à militarização do planeta; ao agigantamento da Otan e sua expansão para o Leste, numa estratégia de cerco à Rússia e às intentonas golpistas para reverter as conquistas democráticas, patrióticas e sociais na América Latina, e impedir a afirmação de forças emergentes com caráter progressista e autônomo, defensoras da soberania nacional e da criação de novos polos de poder no mundo. Este é o panorama da presente situação internacional.

O imperialismo persegue os seus objetivos estratégicos de perpetuar a existência do sistema capitalista e manter intacto o poder dos monopólios transnacionais do capital financeiro, o que requer aumentar o domínio sobre mercados, matérias-primas, rotas comerciais, fontes energéticas e avanços tecnológicos.

As ameaças de guerra da atualidade relacionam-se diretamente com o cenário de grave crise multidimensional que afeta o mundo. Aprofunda-se a crise econômica, estrutural e sistêmica do capitalismo, sistema que mostra cada vez mais sua natureza espoliadora e opressora. Para além de ser econômica e financeira, a crise do sistema é também energética, alimentar e ambiental.

Há quase uma década, prossegue a crise cíclica, indissociável da crise estrutural. Os governos a serviço do capital não encontram saídas para os impasses que criaram e suas políticas apenas agravam a espoliação dos trabalhadores e as condições de vida das massas populares.

No contexto da crise, intensifica-se a exploração dos trabalhadores e dos povos, promove-se a liquidação de direitos dos trabalhadores e das conquistas sociais. A crise aprofunda e agrava as contradições sociais.

As ameaças à paz mundial e aos direitos dos povos estão diretamente ligadas com a concentração do poder econômico e político mundial em mãos de um punhado de grupos econômicos e financeiros e grandes potências. A expressão mais recente desse fenômeno é o Acordo Transpacífico, a Parceria para o Comércio no Pacífico (TPP) e a Aliança do Pacífico.

Paralelamente a esse fenômeno, ocorrem significativas mudanças na ordem mundial, com a decadência de certas potências e a emergência de novos polos de poder, acarretando importantes modificações nas correlações de forças.

Os EUA continuam a ser a potência hegemônica do mundo capitalista e o mais poderoso Estado do mundo. Mas o declínio do seu peso relativo é uma realidade que se procura contrariar com a imposição do seu domínio nas relações econômicas e acentuando perigosamente a sua estratégia agressiva visando submeter ou destruir todo e qualquer poder que lhe resista.

É cada vez mais questionado o papel hegemônico do dólar como moeda de reserva e troca universal e a reivindicação de reforma do Sistema Monetário Internacional.

Neste contexto, a par das uniões das grandes potências, no quadro da globalização capitalista, emergem novos espaços de integração e coordenação multilateral, como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Organização de Cooperação de Xangai, a Aliança Bolivariana para os povos da nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (Alba) e o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Esses fenômenos são expressões das contradições geopolíticas e econômicas na atualidade e têm implicações nos conflitos em gestação.

No quadro geral da situação mundial, há que ressaltar como fator fundamental para alterar a correlação de forças e acumular os fatores objetivos e subjetivos para as rupturas necessárias, a luta dos trabalhadores, dos povos e das nações, pelos direitos e o progresso social, pela paz, a democracia, o desenvolvimento e a soberania nacional. Como partidos comunistas e revolucionários, seguimos defendendo com mais convicção do que nunca, a perspectiva histórica do socialismo.

Viva o 18º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários!

Viva o Partido Comunista do Vietnã!

Viva o Internacionalismo Proletário!



Fonte: Portal Vermelho ( http://www.vermelho.org.br/noticia/288954-1 ).