Revista Princípios Digital

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"A Arte da Guerra", uma obra milenar de mais de 2500 anos!

"A Arte da Guerra", é uma famosa obra militar da antiguidade chinesa. O pensamento e doutrinas filosóficas expostas na obra foram e ainda são aplicados amplamente nas áreas militar, política, econômica e até na vida pessoal de quem reconhece seu valor. É também, um rico pensamento materialista, mostra a mudança de contradições entre inimigos ou adversários, entre partes objetivas e subjetivas da realidade. Nesta obra se constata que na antiguidade já se tinha a noção clara de que nossa realidade está sempre em movimento!

Sun Wu, ou Sun Tse, aqui no ocidente é mais conhecido como Sun Tzu, é um grande pensador militar e estrategista da última fase do período histórico chinês denominado "Primavera e Outono". É tido como o fundador da teoria militar na China. Sua obra "Arte Militar de Sun Tse" é muito famosa e estudada em todo o mundo, sendo considerada a mais antiga obra militar conhecida. No ocidente sua obra foi popularizada como "A Arte da Guerra de Sun Tzu".

Áudio-Vídeo do livro completo com os 13 capítulos

Sun Tzu, nasceu aproximadamente a 2546 anos atrás quando a China estava dividida em muitos reinos. A sua terra natal foi o Reino Qi, situado no atual distrito de Gao Tang, Província de Shandong. De uma família aristocrática, Sun Tzu recebeu boa educação quando criança, pois seu avô e bisavô eram grandes generais, de forma que aprendeu muitos conhecimentos militares de seus antepassados, o que assentou bons alicerces para a criação de sua obra.

O início de A Arte da Guerra, em um livro de bambu
da época do reino do Imperador Qianlong, século XVIII

Por volta do ano 548 antes de nossa era ocidental, ocorriam sucessivas guerras civis entre os diferentes clãs do Reino Qi, sendo também envolvida nelas a família de Sun Tzu. Cansado das intermináveis lutas, Sun Tzu deixou o tumultuoso Reino Qi e foi ao Reino Wu, no Sul, a centenas de quilômetros de distância de sua terra natal, e ali passou a levar uma vida solitária para dedicar-se inteiramente ao estudo da arte militar, à espera de uma oportunidade para concretizá-la na prática.

Nessa altura, outro talento, de nome Wu Yuan, também se encontrava refugiado no Reino Wu. Os dois tornaram-se muito amigos.

Tempos depois, Wu Yuan foi nomeado pelo Rei para um importante cargo e recomendou seu amigo Sun Tzu ao Rei, dizendo-lhe que seu amigo era muito talentoso na arte militar. Então, Sun Tzu foi nomeado general e passou a discutir os assuntos do reino com o soberano, e este apreciava muito a sabedoria do seu novo general.

Estátua de Sun Tzu na China

Pouco depois, ocorreu uma guerra entre o Reino Wu e o reino vizinho Chu. Comandando as tropas dos wus, Sun Tzu ganhou cinco batalhas sucessivas, vencendo os chus. Depois disso, venceu outros dois reinos também vizinhos, de forma que o Reino Wu, onde estava o estrategista Sun Tzu, conquistou uma posição hegemônica no Sul da China.

Com as sucessivas vitórias e a hegemonia, o rei tornou-se auto-suficiente e arrogante, sem ouvir mais as sugestões de seus generais e ministros, onde até matou Wu Yuan, amigo de Sun Wu. Perante isso, Sun Tzu retirou-se e passou mais uma vez a levar uma vida solitária, escrevendo exclusivamente a sua obra.

Sun Tzu faleceu a 2491 anos atrás, deixando-nos uma obra magnífica  denominada "Arte Militar de Sun Tse".

Documentário que exemplifica algumas táticas de Sun Tzu

A obra constitui uma sintetização teórica das práticas militares do período histórico chinês chamado Primavera e Outono, de dois mil e quinhentos anos atrás, assim como uma importante obra do pensamento militar até os nossos dias atuais. É parte integrante da tradição cultural chinesa e ocupa importante lugar na história da literatura mundial. Os eruditos japoneses qualificam-na de "bíblia da arte militar do Oriente", e os investigadores norte-americanos denominam-na como o "primórdio da arte militar do mundo".


A Arte da Guerra, é também um rico pensamento materialista, mostra a mudança de contradições entre inimigos, entre partes objetivas e subjetivas, entre fracos e fortes, entre vitórias e derrotas, e entre vantagens e desvantagens. A obra divide-se em 13 capítulos com 6000 caracteres chineses. Logo no início, o livro assinala ser a guerra um assunto de suma importância que diz respeito à vida ou morte de um país e de uma nação, que merece especial atenção. Em seguida, expõe os problemas táticos e estratégicos, os fatores essenciais que decidem a vitória ou derrota de uma guerra, como por exemplo as condições políticas, naturais e geográficas, as qualidades dos generais e a construção do exército, etc.

Estátua de Sun Tzu no Japão

A obra destaca especialmente o conhecimento que se deve ter do adversário, a ofensiva, a concentração das forças para atacar o ponto-chave do inimigo e a surpresa no assalto etc. Hoje em dia, a influência da Arte Militar de Sun Tzu não se limita apenas nas forças armadas do país, o livro não é apenas alvo de estudo ou de pesquisa dos militares, é leitura obrigatória para políticos e comerciantes, porque estes consideram sempre o mercado como campo de batalha e logicamente, a arte militar do campo de batalha real pode ser utilizada para os assuntos comerciais. Nos assuntos políticos também é assim, a realidade está sempre em movimento, pois uma das definições de política é aquela que diz que a política é a guerra feita por meios pacíficos, sem mortes. Dai, sua influência se amplia ainda para muitas áreas também da vida dos indivíduos em sociedade. 

Sun Tzu


Para saber mais visite China ABC :
  http://portuguese.cri.cn/chinaabc/

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Líbia de Kadafi: o que a mídia capitalista jamais mostrará!



I - A ONU CONSTATOU EM 2007 QUE A LÍBIA TINHA: 


1 - Maior Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África (até hoje é maior que o do Brasil);

2 - Ensino gratuito até a Universidade;

3 - 10% dos alunos universitários estudavam na Europa e EUA, tudo pago;

4 - Ao casar, o casal recebia até US$ 50.000 para montar casa;

5 - Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos de última geração, etc;

6 - Empréstimos pelo banco estatal sem juros;

7 - Inaugurado em 2007, o maior sistema de irrigação do mundo, vem tornando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos;



II - PORQUE "DETONAR" A LÍBIA ENTÃO?

Três principais motivos:

1 - Tomar o seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45 MIL MILHÕES de barris em reservas;

2 - Fazer com que todo o mar Mediterrâneo fique sob o controle da OTAN ou  NATO. Só falta agora a Síria;

3 - E provavelmente o principal:

- O Banco Central Líbio não está ligado ao sistema financeiro mundial.

- As suas reservas são toneladas de ouro, que garantem o valor da moeda, o dinar, que desta forma está resguardado das flutuações do dólar.

- O sistema financeiro internacional ficou possesso com Kaddafi, após ele propor, e quase conseguir, que os países africanos formassem uma moeda única desligada do dólar.


III - O QUE É O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA LIVRAR O POVO LÍBIO:

1 - A OTAN ou NATO comandada, como se sabe, pelos EUA, já bombardeou as principais cidades Líbias com milhares de bombas e mísseis em que um único projéctil é capaz de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e infra estruturas de água, esgotos, gás e luz estão seriamente danificados;

2 - As bombas usadas contêm DU (Urânio empobrecido) (causa cancer e deformações genéticas);

3 - Metade das crianças líbias estão traumatizadas psicologicamente por causa das explosões que parecem um terramoto e racham as estruturas das casas;

4 - Com o bloqueio marítimo e aéreo da OTAN, as crianças sofrem principalmente com a falta de medicamentos e alimentos;

5 - A água já não mais é potável em boa parte do país. De novo as crianças são as mais atingidas;

6 - Cerca de 150.000 pessoas por dia, estão a deixar o país através das fronteiras com a Tunísia e o Egito. Vão para o deserto ao relento, sem água nem comida;

7 - Se o bombardeio terminasse hoje, cerca de 4 milhões de pessoas de uma população de 6,5 milhões de pessoas, estariam a precisar de ajuda humanitária para sobreviver: água e comida.

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Em suma: O bombardeio "humanitário", acabou com a nação Líbia. Nunca mais haverá a "nação" Líbia tal como nos dias de hoje.


Este é o resultado do 2º maior assalto a mão armada da história da humanidade! O maior ainda é o Iraque! 
Assalto e roubo de petróleo!
Esta é a nossa "civilização" ocidental capitalista! Esta é a quadrilha comandada pelos EUA e Europa!

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Há ocasiões em que o silêncio é ouro, mas há outras em que é pura covardia. (John Blanchard) 

domingo, 28 de agosto de 2011

Cresce o Movimento de Greve e Paralisação na UFES

Por Ricardo Tristão*

Uma nova dinâmica social se iniciou nesta sexta-feira (26/08) na UFES. Começou com os professores da Universidade Federal do ES (UFES) através da Associação dos Docentes da UFES (Adufes) que realizaram uma assembleia geral para decidirem sobre a sua greve. A pauta incluiu a Campanha Salarial de 2011 e o indicativo de greve, onde foi avaliado a atual rodada de negociações da semana passada com o Governo Federal.


No âmbito nacional, parece que o Setor das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) aprovou por unanimidade, no dia 13 de agosto, o indicativo de greve nacional. A orientação da reunião do setor das Ifes foi a realização dessa nova rodada de assembleias gerais para avaliar o resultado da mesa de negociações com Ministério do Planejamento e debater a data para o início da greve nacional da categoria dos professores.

Mas nesta sexta(26) o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior, PROIFES e a Andes assinaram com o MPOG um termo de acordo para os docentes das carreiras do magistério superior e EBTT. Enquanto isso a decisão tomada pela Adufes nesta sexta (26) foi a de fazer uma paralisação já no dia 31/08 (quarta-feira), com o indicativo de início da greve na UFES a partir do dia 5 de setembro.

A Reação do DCE e do Sintufes

Esta decisão dos professores repercutiu em toda a UFES. Os estudantes organizados pelo DCE, logo em seguida à assembleia da Adufes fizeram assembleia em frente ao restaurante universitário (RU) e decidiram realizar uma ocupação simbólica na Reitoria até a quarta-feira(31).

Cerca de 300 estudantes participaram deste ato e em seguida saíram pelas salas de aula da UFES paralisando todas as aulas da sexta-feira. “Isso mostra que os estudantes estão unidos e solidários aos trabalhadores”, revelou o Coordenador Geral do Sindicato dos Trabalhadores na UFES (Sintufes), José Magesk. Ele esteve na assembleia da Adufes e citou, a “enrolação” do governo federal nos quase 90 dias de greve dos trabalhadores da UFES.

A greve dos trabalhadores técnicos da Ufes já ocorre desde 07 de junho deste ano como parte de um movimento nacional, onde diversos setores da universidade estão parados e impossibilitando a continuidade das aulas. Mais de 15 universidades federais têm servidores em greve. Os funcionários públicos querem aumento de salário. O piso salarial da categoria é R$ 1.034,00. Os trabalhadores do Sintufes querem R$ 1.635,00.

Professores e Estudantes do Ifes nas rua

Também em greve desde o início de agosto, os professores, técnicos federais e estudantes do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes, antigo CEFETES), já se uniram e fizeram um abraço simbólico na unidade de ensino localizada em Jucutuquara, Vitória, na quinta-feira (18/08). Segundo o professor Hudson Cassio, porta-voz do comando de greve da categoria, "Nós estamos fazendo este movimento aqui no Espírito Santo para mostrar ao capixaba o quanto é importante a expansão da educação federal e tecnológica, com construção de novos prédios, mas coma manutenção da qualidade de ensino que sempre fez parte da história dessas unidades federais. Está havendo um risco de perda dessa qualidade do ensino se não houver uma política de valorização do servidor público", afirmou.

Mobilização Estudantil da UFES

Neste sábado (27) teve início pelas redes sociais do Facebook, Twitter, Orkut e por e-mail uma intensa mobilização dos estudantes e por alguns professores da UFES para impedirem as aulas e o funcionamento de toda a universidade na semana que vem. Afirmam que conforme foi deliberado pela assembleia geral dos estudantes da UFES no dia 26/08 farão uma paralisação dos 4 campi nos dias 29, 30 e 31/08. E no domingo (28), as 18h no DCE será realizada uma reunião para discutir as atividades da paralisação que provavelmente poderá paralisar também parte de Vitória com o fechamento da avenida Fernando Ferrari em frente à universidade.


Assembleia dos estudantes

Militantes ligados ao Psol e setores da direita capixaba já falam abertamente em aproveitar este movimento para voltar à caga contra o governador do ES Renato Casagrande e aproveitar e iniciar um movimento de oposição à presidenta Dilma no estado. Já é visível e preocupante o apoio que a imprensa conservadora do ES está dando a esta pequena parcela dos estudantes que não representam a maioria dos universitários da UFES.

*Ricardo Tristão é Cientista Social em graduação na UFES.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Conferência Livre de Cultura e Juventude e fundação do CUCA-ES


Circuito Universitário de Cultura e Arte - CUCA da UNE

Galera estamos te fazendo um Convite Especial para hoje sexta, 19 de agosto, das 16h às 20h, na Sede do Grupo Vira Lata – Cidade Alta – Vitória (na ladeira ao lado da catedral na cidade alta), para a fundação do Circuito Universitário de Cultura e Arte da UNE – CUCA-ES. O evento contará com a presença do coordenador geral do CUCA Fellipe Redó e vários agentes culturais, atores, produtores, músicos artistas de todos os gêneros. Entre estudantes da UFES, UVV e outras instituições. Depois do debates teremos várias intervenções culturais regadas a muita cerveja... Sintam-se todos convidados!



Lutamos pela valorização e pela fomentação de nossa cultura. Queremos ver as crianças, os jovens e os adultos de todas as idades presentes nas manifestações culturais. Queremos que as Leis de incentivo sejam justas e igualitárias, e privilegiem a todos que queiram fazer cultura sem discriminação ou “grupos beneficiários”.


Conferência Livre de Cultura e Juventude:
• Apresentar propostas “Solucionáticas” para a fomentação da Cultura no Espírito Santo entre os jovens;
• Apresentação do formato do CUCA e sua organização na Grande Vitória para fomentar e valorizar as manifestações culturais no Espírito Santo com Fellipe Redó e Buda;

Contatos:
Anderson Lima: 9855.2531
dinhovites@hotmail.com

ASSISTA

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Haroldo Lima: E nove décadas depois, ele mudou o mundo!

Operário finaliza pintura de foice e martelo

Quando ele foi fundado, há nove décadas, o mundo era totalmente diferente. O grupo que se reuniu para criá-lo, na grande cidade chinesa de Xangai, não tinha qualquer força política, mas estava impressionado com as noticias que chegavam da Rússia. Ali, proletários, à frente de uma revolta, derrubaram poderosa e cruel monarquia e começaram a construir uma sociedade nova, a que chamaram de socialismo. Era incrível. 



Por Haroldo Lima* ( de vermelho.org.br)


Como isto foi possível? E na China, será que uma coisa semelhante poderia acontecer?

E o grupo resolveu agir. O primeiro passo era fazer o que os russos fizeram em primeiro lugar: organizar uma turma coesa, disciplinada, que fosse buscar no marxismo o guia para suas ações. E por isso fundou, em primeiro de julho de 1921, esse agrupamento que recebeu o nome de Partido Comunista da China. 


Havia doze pessoas naquela reunião que fundou o Partido. No meio delas estavam dois professores universitários e trabalhadores em geral. Também havia um líder camponês, de 28 anos, alto, que estudara Pedagogia e trabalhava em biblioteca, que era também poeta, e que, talvez por isso mesmo, acreditava firmemente no que, na época, era quase uma licença poética – a libertação nacional e social da velha China. Seu nome era Mao Zedong.


Naquele período, alguns países centrais impunham uma vida periférica à maior parte dos povos do mundo. Estes eram massacrados, dominados, saqueados. Tirando a Rússia, o mundo vivia sob o império do capital, aparentemente sólido. Mas, a esperança é que, segundo Marx, “tudo que é sólido se desmancha no ar”. 


A China, que tinha sido, há séculos atrás, um grande e próspero país, fora transformada, pela ação do capital estrangeiro, aliado às elites retrógradas internas, numa vasta área oprimida, espoliada e humilhada. A Inglaterra, então maior potência do mundo, fez-lhe duas guerras, em 1840 e 1856, para impor-lhe o consumo de ópio, ao final do que he surrupiou 1.092 km2 de território no delta do Rio das Pérolas, onde estava a cidade de Hong Kong, das maiores do mundo, conhecida como a Pérola do Oriente. Quando o século 20 chegou, o antigo Império do Meio estava em situação deplorável, seu território dilacerado e ocupado por tropas de oito potências imperialistas, que se chamavam de “nações civilizadas”, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Itália, França, Áustria e Japão.


Contra tudo isso pelejou o povo chinês. A partir de 1921, o pequeno agrupamento comunista que surgira, “talhado para as grandezas, para crescer, criar, subir”, integrou-se nessas pelejas, foi ganhando força e se pondo à frente das grandes lutas. No país da Grande Muralha de 3.000 km, os comunistas fizeram a Grande Marcha de 9.650 km a pé, e depois de 28 anos de lutas e 26 de guerra, encabeçando uma frente popular, chegaram a Beijing e conquistaram o Poder, em 1949. Mao Zedong, o grande timoneiro dessa travessia, proclamou então, ao seu país e ao mundo: “Está fundada a República Popular da China. De hoje em diante o povo chinês vai se por de pé.” Os que conheciam história lembraram-se do prognóstico de Napoleão, feito no século 18: “Quando a China se levantar o mundo estremecerá”. 


E a China começou a se levantar. Quem dirigira o processo da libertação fora aquele Partido Comunista, que agora tinha a responsabilidade de dirigir a fase seguinte, a da construção do país. E a idéia e o compromisso do Partido era de construir o socialismo em seu país. Com este objetivo, outra Grande Marcha foi então iniciada e, como a primeira, que venceu montanhas e vales fazendo ziguezagues, também esta conhece altos e baixos na sua marcha ascendente. Ficava claro que avançar, era ter a perseverança para seguir o caminho da vida, sempre tortuoso, como tudo que é humano, tudo que busca, tudo que cria.


Na primeira década passou-se à estruturação de uma economia socialista. Mas, com forças produtivas atrasadas, tecnologia primitiva, enfrentando pobreza extrema e costumes retrógrados, o socialismo tinha pouco fôlego para se desenvolver. Atalhos foram tentados, como o Grande Salto à Frente, a política das Comunas, que não deram certo. O objetivo inicial, contudo, ia sendo atingido, o de criar uma situação onde todo o povo tivesse o que comer, tivesse o que vestir e tivesse onde morar. Estes eram os direitos humanos concretos mais importantes, que o povo nunca tivera.


O Partido foi se desenvolvendo, e ganhando experiência na construção da Nova China. Em 1978, deu um passo importante. Assumiu que, na China, o socialismo vivia uma “etapa primária”, na qual, perseverando-se no caminho socialista, na base teórica marxista e na direção partidária comunista, havia que se adotar métodos inovadores de construção econômica, naquilo que foi chamado de “socialismo com peculiaridades chinesas”. 


Diferentes formas de propriedade foram admitidas em diferentes setores da sociedade, tudo sob o predomínio da propriedade social, especialmente da propriedade estatal, presente nas milhares de empresas estatais, atuantes em todos os setores estratégicos da economia e da sociedade. As leis do mercado foram respeitadas e as próprias empresas estatais foram orientadas para participarem do mercado, concorrerem no mercado, se afirmarem no mercado, se destacarem no mercado. Surgia o que os comunistas chineses chamam de “economia socialista de mercado”. 


O desenvolvimento atingiu níveis extraordinários. Nos últimos trinta anos uma expressão nova passou a ser conhecida no jargão universal, os “índices chineses de desenvolvimento”. Tudo que cresce muito, em qualquer parte do planeta, é tido como tendo crescimento chinês. 


E o que se julgava impossível aconteceu rápido. A economia chinesa, de atrasada, periférica, começou a ultrapassar a economia de países altamente desenvolvidos. E ultrapassou a França, a Inglaterra, a Alemanha, o Japão. Passa a ser a segunda economia da Terra. E os Estados Unidos? O bastião avançado do capitalismo no mundo, o Estado prepotente e arrogante, que invade países e massacra povos, vai sendo alcançado inexoravelmente pelo gigante socialista da Ásia. Estudiosos diziam que a China, na marcha que vai, passaria os EUA aí pelo ano de 2.050. Hoje, predomina o ponto de vista que de 2.020 a 2.050 a vantagem americana não passa.


E assim, o mundo mudou. De forma intensa, espantosa. “O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria”. Claro que ainda não é uma mudança completa, e que ainda há muito por mudar. Mas é significativa, e mostra que, por esse caminho, outras mudanças virão. 


O tosco analista do capital, perplexo, olha a China de hoje e balbucia baboseiras, sem entender o que está se passando, de onde veio tanto progresso, para onde vai, como se conseguiu tirar tanta gente da pobreza. O que o rústico especialista do capital não diz, ou não percebe, ou não tem dignidade para dizer, é que a emergência da China está ligada ao caminho que ela segue, a do socialismo moderno, com feição nacional, e que esse próprio caminho não poderia ser palmilhado se não tivesse na direção de todo o processo ele, que agora está completando noventa anos, o Partido Comunista da China.


* Haroldo Lima é membro do Comitê Central do PCdoB e ocupa o cargo de Diretor Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 

sábado, 2 de julho de 2011

Conheça a opinião de chapas que disputam o Congresso da UNE


Criticada por uns, idolatrada por outros, a UNE agora realiza, de 13 a 17 de julho em Goiânia (GO), o seu 52º Congresso. O encontro quer reunir 10 mil estudantes de todo o país. A TV Vermelho foi às universidades conversar com estudantes de diferentes cursos, além de algumas das chapas que disputarão o 52º Congresso, para saber o que propõem para o encontro da entidade.




Conheça a história da UNE

Mais do que o órgão de representação dos estudantes universitários, a União Nacional dos Estudantes (UNE) é uma das principais organizações da sociedade civil brasileira, com uma bela história de lutas e conquistas ao lado do povo brasileiro. A UNE foi fundada em 1937 e ao longo de seus 70 anos, marcou presença nos principais acontecimentos políticos, sociais e culturais do Brasil. Desde a luta pelo fim da ditadura do Estado Novo, atravessando a luta do desenvolvimento nacional, a exemplo da campanha do Petróleo, os anos de chumbo do regime militar, as Diretas Já e o impeachment do presidente Collor. Da mesma forma, foi um dos principais focos de resistência às privatizações e ao neoliberalismo que marcou a Era FHC.



 UNE E BRASIL
No dia 11 de agosto de 1937, na Casa do Estudante do Brasil no Rio de Janeiro, o então Conselho Nacional de Estudantes conseguiu consolidar o que já havia sido tentado diversas vezes sem sucesso: a unificação dos estudantes na criação de uma entidade máxima e legítima. Desde então, a UNE começou a se organizar em congressos anuais e a buscar articulação com outras forças progressistas da sociedade.


A UNE já nasceu como uma das principais frentes de combate ao avanço das idéias nazi-fascistas no país durante a Segunda Guerra Mundial. Os estudantes organizados também promoveram, em 1947, um dos mais importantes movimentos de opinião pública da história brasileira: a campanha “O Petróleo é nosso”, série de manifestações de cunho nacionalista em defesa do patrimônio territorial e econômico do país, que resultou na criação da Petrobrás.

Durante os anos 50, houve muita disputa pelo poder na entidade, um embate diretamente ligado aos principais episódios políticos do país como a crise política do governo Vargas que levaria ao suicídio deste presidente em 1954. Após o governo de Juscelino Kubitschek, foram eleitos Jânio Quadros e João Goulart. Nesse período a União Nacional dos Estudantes e outras grandes instituições brasileiras formaram a Frente de Mobilização Popular. A UNE defendia mudanças sociais profundas, dentre elas, a reforma universitária no contexto das reformas de base propostas no governo Jango.


A partir do golpe de 1964, tem início o regime militar e a história da UNE se confunde ainda de forma mais dramática com a do Brasil. A ditadura perseguiu, prendeu, torturou e executou centenas de brasileiros, muitos deles estudantes. A sede da UNE na praia do Flamengo foi invadida, saqueada e queimada no dia 1º de Abril. O regime militar retirou a representatividade da UNE por meio da Lei Suplicy de Lacerda e a entidade passou a atuar na ilegalidade. As universidades eram vigiadas, intelectuais e artistas reprimidos, o Brasil escurecia.

Apesar da repressão, a UNE continuou a existir nas sombras da ditadura, em firme oposição ao regime, como célebre passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro em 1968. A entidade foi profundamente abalada depois da instituição do AI-5 e das prisões do congresso de Ibiúna. Mesmo assim, o movimento estudantil continuou nas ruas, como nos atos e missa de 7º dia do estudante da USP, Alexandre Vannucchi Leme, e organizando protestos por todo o Brasil reivindicando mais recursos para a universidade, defesa do ensino público e gratuito, pedindo a libertação de estudantes presos do Brasil. Em 1979, a partir da precária reorganização da UEE-SP, iniciou-se a reconstrução da UNE no célebre Congresso de Salvador. Em 1984, a UNE participou ativamente da Campanha das "Diretas Já" e apoiou a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República.

Com a força recuperada, o movimento estudantil, representado pela UNE e pela UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), foi o primeiro a levantar a bandeira pela ética na política em 1992, durante as manifestações pró-impeachment de Fernando Collor. Milhares de estudantes “caras-pintadas” influenciaram a opinião pública com a campanha “Fora Collor” e pressionaram o ex-presidente à renúncia.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a União Nacional dos Estudantes se manteve firme e denunciou o ataque neoliberal ao país, repudiando as privatizações, os privilégios ao capital estrangeiro e o descaso com as políticas sociais e com a educação. Os estudantes tiveram papel marcante nos anos FHC sempre defendendo o ensino público de qualidade e democrático.

A eleição de Lula em 2002 teve o apoio da União Nacional dos Estudantes, após um plebiscito promovido das universidades. Com uma postura independente, mas alinhada às iniciativas de mudança em relação ao neoliberalismo. Desde o início do governo, a entidade se mobilizou pela substituição do Provão por um novo modelo de avaliação das universidades e levantou os debates sobre a reforma universitária, participando ativamente no debate do projeto sobre os rumos da universidade brasileira, e ainda, de punhos erguidos para alterar a cara de nossas universidades: investindo da educação pública e regulando o setor privado.

 UNE E CULTURA
A UNE foi precursora de importantes movimentos culturais brasileiros. O Centro Popular de Cultura (CPC) é o mais famoso deles que e nos anos 60 animou a cena artística brasileira com novas e ousadas experiências no campo da pesquisa e da produção cultural. O CPC não foi a primeira tentativa da entidade na área cultural, mas foi a experiência mais vitoriosa e que se tornou um marco da cultura brasileira, unindo artistas, intelectuais e o movimento estudantil. O CPC tinha uma produção artística própria e não se limitava a aglutinar grupos de artistas já existentes: chegou a fundar um selo de discos, uma editora de livros, além de realizar produtos culturais importantes como o filme Cinco Vezes Favela. Participaram do CPC nomes como Arnaldo Jabor, Cacá Diegues, Ferreira Gullar, Vianinha, entre outros.

A parir de 1999, o trabalho cultural da entidade foi retomado com vigor durante as Bienais de Cultura e Arte da UNE. Nsses eventos foram lançadas as bases de um ousado projeto: a criação do Circuito Universitário de Cultura e Arte, os CUCAs. Mais do que um resgate dos antigos CPC´s o Circuito surgiu como um modelo de mapeamento e valorização da cultura nacional dentro das universidades. Desde então, a UNE vem batalhando pela criação de um Circuito em cada estado brasileiro. Para dar corpo à essa iniciativa, diretores da UNE, intelectuais, artistas e uma equipe técnica percorreram 15 cidades por todo país, entre os meses de outubro e novembro de 2004, com a “Caravana Universitária de Cultura e Arte – Paschoal Carlos Magno”, que ampliou a articulação e mobilizou os estudantes para criação de novos CUCA’s nas universidades brasileiras.

Hoje já são dez núcleos do CUCA consolidados pelo Brasil, Recife/PE, Campina Grande/PB, Salvador/BA, Vitória/ES, Porto Alegre/RS, Curitiba/PR, Barra do Garça/MT, Brasília/DF, Rio de Janeiro/RJ e São Paulo/SP. O CUCA cresceu e atualmente integra o projeto “Pontos de Cultura” do MinC. A UNE caminha agora para a realização de sua V Bienal de Arte, Ciência e Cultura, a ser realizada no início de 2007, no Rio de Janeiro.

 PRESIDENTES:
1938/39 - Valdir Borges
1939/40 - Trajano Pupo Neto
1940/42 - Luís Pinheiro Paes Leme
1942/43 - Hélio de Almeida
1943/44 - Hélio Mota
1945/46 - Ernesto da Silveira Bagdocimo
1946/47 - José Bonifácio Coutinho Nogueira
1947/48 - Roberto Gusmão
1948/49 - Genival Barbosa Guimarães
Abril-Julho 1950 - José Frejat
1950/51 – 1951/52 - Olavo Jardim Campos
1952/53 - Luis Carlos Goelver
1953/54 - João Pessoa de Albuquerque
1954/55 - Augusto Cunha Neto
1955-1956 - Carlos Veloso de Oliveira
1956/57 - José Batista de Oliveira Jr.
1957/58 - Marcos Heusi
1958/59 - Raimundo Eirado
1959/60 - João Manuel Conrado
1960/61 - Oliveiros Guanais
1961/62 - Aldo Arantes
1962/63 - Vinícius Caldeira Brant
1963/64 - José Serra
1965/66 - Antônio Xavier/Altino Dantas
1966/68 - José Luiz Guedes
1968/69 - Luís Travassos
1969/71 - Jean Marc van der Weid
1971/73 - Honestino Guimarães
1979/80 - Rui César Costa Silva
1980/81 - Aldo Rebelo
1981/82 - Javier Alfaya
1982/83 - Clara Araújo
1983/84 - Acildon Paes Leme
1984/86 - Renildo Calheiros
1986/87 - Gisela Mendonça
1987/88 - Valmir Santos
1988/89 - Juliano Coberllini
1989/91 - Cláudio Langone
1991/92 - Patrícia De Angelis
1992/93 - Lindberg Farias
1993/95 - Fernando Gusmão
1995/97 - Orlando Silva Júnior
1997/99 - Ricardo Capelli
1999/01 - Wadson Ribeiro
2001/03 - Felipe Maia
2003/05 – 2005/06 - Gustavo Petta

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Carta do II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas


Desde o I Encontro Nacional dos Blogueir@s Progressistas, em agosto de 2010, em São Paulo, nosso movimento aumentou a sua capacidade de interferência na luta pela democratização da comunicação, e se tornou protagonista da disseminação de informação crítica ao oligopólio midiático.

Ao mesmo tempo, a blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários a liberdade de expressão no país.


Este movimento inovador reúne ativistas digitais e atua em rede, de forma horizontal e democrática, num esforço permanente de construir a unidade na diversidade, sem hierarquias ou centralismo.

Na preparação do II Encontro Nacional, isso ficou evidenciado com a realização de 14 encontros estaduais, que mobilizaram aproximadamente 1.800 ativistas digitais, e serviram para identificar os nossos pontos de unidade e para apontar as nossas próximas batalhas.

O que nos une é a democratização da comunicação no país. Isso somente acontecerá a partir de intensa e eficaz mobilização da sociedade brasileira, que não ocorrerá exclusivamente por conta dos governos ou do Congresso Nacional.

Para o nosso movimento, democratizar a comunicação no Brasil significa, entre outras coisas:

a) Aprovar um novo Marco Regulatório dos meios de comunicação. No governo Lula, o então ministro Franklin Martins preparou um projeto que até o momento não foi tornado público. Nosso movimento exige a divulgação imediata desse documento, para que ele possa ser apreciado e debatido pela sociedade. Defendemos, entre outros pontos, que esse marco regulatório contemple o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação privados no Brasil.

b) Aprovar um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) que atenda ao interesse público, com internet de alta velocidade para todos os brasileiros. Nos últimos tempos, o governo tem-se mostrado hesitante e tem dado sinais de que pode ceder às pressões dos grandes grupos empresariais de telecomunicações, fragilizando o papel que a Telebrás deveria ter no processo. Manifestamos, ainda, nosso apoio à PEC da Banda Larga que tramita no Congresso Nacional (propõe que se inclua, na Constituição, o acesso à internet de alta velocidade entre os direitos fundamentais do cidadão).

c) Ser contra qualquer tipo de censura ou restrição à internet. No Legislativo, continua em tramitação o projeto do senador tucano Eduardo Azeredo de controle e vigilância sobre a internet – batizado de AI-5 Digital. Ao mesmo tempo, governantes e monopólios de comunicação intensificam a perseguição aos blogueiros em várias partes do país, num processo crescente de censura pela via judicial. A blogosfera progressista repudia essas ações autoritárias. Exige a total neutralidade da rede e lança uma campanha nacional de solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados, estabelecendo como meta a criação de um “Fundo de Apoio Jurídico e Político” aos que forem atacados.

d) Lutar pelo encaminhamento imediato do Marco Civil da Internet, pelo poder executivo, ao Congresso Nacional.

e) Fortalecer o movimento da blogosfera progressista, garantindo o seu caráter plural e democrático. Com o objetivo de descentralizar e enraizar ainda mais o movimento, aprovamos:

- III Encontro Nacional na Bahia, em maio de 2012.

A Comissão Organizadora Nacional passará a contar com 15 integrantes:

- Altamiro Borges, Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Eduardo Guimarães, Paulo Henrique Amorim, Renato Rovai e Rodrigo Vianna (que já compunham a comissão anterior);

- Leandro Fortes (representante do grupo que organizou o II Encontro em Brasília);

- um representante da Bahia (a definir), indicado pela comissão organizadora local do III Encontro;

- Tica Moreno (suplente – Julieta Palmeira), representante de gênero;

- e mais um representante de cada região do país, indicados a partir das comissões regionais (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte). As comissões regionais serão formadas por até dois membros de cada estado, e ficarão responsáveis também por organizar os encontros estaduais e estimular a formação de comissões estaduais e locais.

Os blogueir@s reunidos em Brasília sugerem que, no próximo encontro na Bahia, a Comissão Organizadora Nacional passe por uma ampla renovação.

f) Defender o Movimento Nacional de Democratização da Comunicação, no qual nos incluímos, dando total apoio à luta pela legalização das rádios e TVs comunitárias, e exigindo a distribuição democrática e transparente das concessões dos canais de rádio e TV digital.

g) Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade, que deve ser baseada não apenas em critérios mercadológicos, mas também em mecanismos que garantam a pluralidade e a diversidade. Estabelecer uma política pública de verbas para blogs.

h) Declarar nosso repúdio às emendas aprovadas na Câmara dos Deputados ao projeto de Lei 4.361/04 (Regulamentação das Lan Houses), principais responsáveis pelos acessos à internet no Brasil, garantindo o acesso à rede de 45 milhões de usuários, segundo a ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital).

Brasília, 19 de junho de 2011.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nota oficial da UNE e da UBES sobre as manifestações no Espírito Santo


A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) vêm a público declarar oficialmente seu apoio e solidariedade aos manifestantes que foram às ruas do Espírito Santo lutar por melhorias no transporte público e sofreram truculenta e injustificável repressão policial.

A violenta ação da polícia, responsável pela agressão e detenção de manifestantes, não combina com o regime democrático e os direitos consagrados de liberdade de expressão e manifestação. Os estudantes exigem a apuração da responsabilidade pelos lamentáveis fatos e a retratação do poder público local.

A UNE e da UBES são históricas defensoras da democratização do transporte público, pelo passe livre e contra o aumento de tarifas e se colocam ao lado dos estudantes que encampam estas lutas em todo o território nacional.

domingo, 5 de junho de 2011

O Movimento Estudantil da UFES é nota 10!!... O DCE-UFES nota ZERO!

Em protesto pelo passe livre para todos os estudantes, pela redução do preço da passagem nos ônibus, pela melhoria nos transportes coletivos superlotados que violam os direitos humanos dos seus usuários e contra a brutalidade e o abuso de autoridade da polícia do ES que atirou e jogou bombas dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) o Movimento Estudantil (ME), professores e funcionários da UFES protestaram em uma passeata gigante, com mais de 5 mil pessoas pelas ruas de Vitória, capital do ES, nesta sexta-feira 03/06/2011.

Foi a maior manifestação dos últimos anos do ME no ES, os estudantes, professores e funcionários da UFES saíram em passeata do  portão principal da UFES, passaram pela Reta da Penha sendo aplaudidos pela população e caminharam pacificamente até a praça de pedágios da 3ª Ponte, na Enseada do Suá, onde a passagem dos carros foi liberada para todos.

Vamos aos Fatos:  

Na quinta-feira, 02 de junho de 2011, aproximadamente às 7h um grupo pequeno de trinta estudantes começou um protesto no centro de Vitória, capital do ES, em frente ao Palácio Anchieta. Este era para ser mais um protesto entre tantos outros que já aconteceram com esta finalidade nos últimos 20 anos de Movimento Estudantil organizado e pacífico. Com a tolerância inicial das forças policiais o movimento manteve as duas vias interrompidas e la pelas 8h começou a ganhar o apoio dos estudantes que chegavam ao centro da cidade e também de algumas pessoas que chegavam para trabalhar e estudar. Foi quando a Rede Gazeta("P.I.G.") com seu conservadorismo de direita de plantão começou a fazer a cobertura do movimento. A postura reacionária deste grupo midiatico acabou despertando e incitando as pessoas progressistas que moravam no centro para ir participar da manifestação e esta realmente começou a ganhar volume atingindo aproximadamente 200 pessoas la pelas 10h da manhã. Foi ai que eu e outros estudantes da República Comunista de Vitória, espontaneamente, também aderimos de forma solidária ao movimento que já acontecia.

A partir deste ponto o movimento saiu do controle dos que iniciaram o protesto e passou a ter vida própria, passou a ser dirigido pela massa dos participantes que logo direcionou no sentido do espontaneísmo! Em um momento uma via era aberta, em outro era fechada, demonstrando a falta de direção do movimento, ou seja, nenhuma entidade do Movimento Estudantil organizado estava dirigindo a ação da manifestação! Mas ela ainda transcorria de forma pacífica! Foi quando tentou-se formar uma comissão para tentar negociar uma reunião com o governador em exercício. Lá pelas 12h, um grupelho ligado ao PSOL irresponsavelmente começou a radicalizar o movimento e fechou novamente as duas pistas em frente ao Palácio e ateou fogo novamente em pneus rompendo as negociações que já estavam avançando. Parece que este fato foi a gota d'agua para desencadear a ação da polícia. E para piorar, este grupelho parecia estimular os manifestantes a enfrentar a polícia a qualquer custo! Foi neste exato momento que a tropa de choque da PM-ES também perdeu a razão e marchou para cima dos estudantes jogando bombas de gás e iniciando as agressões e o confronto! Foi a polícia que deu início à onda de violência injustificada e brutalidade anti-democrática que se seguiu dai para a frente! E na minha opinião, a unica responsável pelo que veio a acontecer depois!

O protesto se alastra para a UFES 

Fugindo da perseguição, do abuso de autoridade e da brutalidade policial um grupo de estudantes ligados à uma tendência chamada "Levante", que parece ser uma das diversas divisões ligada ao PSOL, fugiu  para dentro da Universidade Federal do ES e conseguiu sensibilizar outros estudantes que já acompanhavam atônitos aos fatos ocorridos no centro da capital. E assim, a revolta estudantil que já demonstrava um caráter espontâneo no centro, mobilizou outras forças do movimento dos estudantes da UFES que, logo também fecharam as duas pistas em frente da universidade federal. É ai, que realmente as coisas começaram a se complicar! A polícia, a PM-ES, não satisfeita com com a lambança feita com os direitos humanos e a democracia no centro de Vitória, rumou para a UFES e atacou brutalmente os estudantes novamente! O vídeo abaixo revela o momento exato em que a universidade federal foi atacada pela polícia! E maiores detalhes, podem ser obtidos em uma simples pesquisa no You Tube!

DCE-UFES tira nota ZERO

De forma irresponsável e eleitoreira, militantes de um grupelho que se autodenominam "Levante", e militam no DCE-UFES, insistem em novamente iniciar outra manifestação desorganizada ainda nesta mesma quinta-feira à noite. Com os estudantes enfurecidos e indignados, agora pelos ataques absurdos feitos pela PM-ES contra o campus da Universidade Federal que chegou a atingir professores e crianças que assistiam a uma peça no teatro da UFES, estes militantes que se dizem do PSOL, lideram e saem pelas ruas de Vitória em passeata em direção ao pedágio da 3ª ponte e tudo desemboca em uma tragédia maior ainda. A PM-ES volta, de forma irracional, a atacar os estudantes e prende e espanca aproximadamente 27 estudantes como pode ser visto no relato do vídeo abaixo:

Resultado? Dezenas de estudantes presos e feridos, um estudante que havia sido preso e fotografado perdeu o emprego, o seu sustento, na manhã seguinte e a imagem do Movimento Estudantil organizado e pacífico foi prejudicada por pseudo-militantes irresponsáveis ligados a outros interesses como foi descrito e denunciado em parte de uma reportagem do jornal A Tribuna, de  sábado (04/06/2011), que tomo a liberdade de divulgar abaixo: Não é novidade para ninguém minimamente esclarecido que este, o Governo Casagrande (PSB), é um governo em TRANSIÇÃO, ele está em DISPUTA. As VELHAS FORÇAS das elites locais da Província Medieval do Espírito Santo querem colocá-lo de joelhos, como fez com o governo Vitor Buais do antigo PT! As grandes empresas capitalistas locais, querem domesticar o Governo Casagrande... e por ai vai... O Movimento Estudantil do Passe Livre para Todos, já está nesta luta a décadas e tem sua legitimidade que foi adquirida históricamente, e não pode ser usado para fins eleitoreiros imediatistas de quem quer que seja! Militantes do Movimento Estudantil organizado podem ter seu partido político, seu time de futebol, sua religião e etc, isso é bom para aprofundar a democracia e deve ser estimulado! Mas nunca se pode aparelhar uma entidade estudantil para estes fins! Isso era feito na época da ditadura militar por uma necessidade histórica, HOJE NA DEMOCRACIA ISSO É ABSURDO! Agora, os protestos do Movimento Estudantil organizado, continuarão na luta contra o aumento da passagem, pelo passe livre para todos os estudante e pelo respeito aos direitos humanos das trabalhadoras e dos trabalhadores que são transportados em ônibus superlotados, contra a violência e o abuso de autoridade da PM-ES e principalmente pelo direito de aprofundar a democracia no nosso Brasil! Agora, temos boas chances de vitória, mas teremos que tomar mais cuidados com os sabotadores e oportunistas de plantão!