Revista Princípios Digital

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Movimentos Sociais e partidos progressistas aprovam o 11 de julho como Dia Nacional de Paralisação

As 77 organizações de movimentos sociais e partidos de esquerda reunidos na noite de terça-feira (25), aprovaram o 11 de julho como Dia Nacional de Paralisação e Luta da Classe Trabalhadora. A data foi proposta pelas centrais sindicais, quando realizarão paralisações em todo país.

Por Deborah Moreira, de São Paulo para o Vermelho*


Encontro no sindicato dos Químicos reuniu representantes de 77 organizações/fotos: Deborah Moreira

Também aprovou-se uma plataforma política unificada que inclui as reformas política (com plebiscito), urbana e da mídia, além de temas relacionados aos direitos humanos, como o fim do genocídio da juventude negra.

Leia também:
Pelo trabalhador centrais vão parar o Brasil em 11 de julho

Durante a abertura do encontro, realizado no Sindicato dos Químicos de São Paulo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, João Paulo Rodrigues, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que mediou o encontro, passou o informe sobre os nove pontos acordados na reunião das centrais, ocorrida na manhã de terça: “A data aparentemente parece distante, no entanto, as centrais justificaram que é preciso tempo para mobilizar as bases dos trabalhadores nas fábricas. Os dirigentes lembraram que os operários não se mobilizam pelo Facebook. Então a proposta deste encontro é envolver também os camponeses, os indígenas e toda a classe trabalhadora representada aqui pelas organizações”, disse João Paulo.

A partir da apresentação da plataforma aprovada pelos dirigentes sindicais das oito centrais, militantes de 25 organizações se posicionaram e acrescentaram sugestões. Ao final, as organizações aprovaram oito propostas, divididas em dois blocos. O primeiro bloco reúne as reformas, incluindo a democratização dos meios de comunicação, tema apontado em todas as falas das organizações.

“A gente quer reforçar a proposta sobre a reforma urbana que inclui educação, transporte e saneamento. Outro tema urgente que tem sido instrumento de manipulação das massas pela burguesia, é a luta pelo marco regulatório da mídia, que criminaliza os movimentos sociais”, enfatizou Antonio Pedro de Souza, o Tonhão da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), que também sinalizou a importância da negociação da dívida pública das cidades com a União para que as reivindicações das ruas possam ser atendidas.

Já o segundo bloco reúne os denúncias que se referem aos direitos humanos e ao avanço das ideias conservadoras no Congresso Nacional. No segundo bloco, estão os pontos que abordam os direitos humanos: contra o genocídio da população negra e dos indígenas; contra o Estatuto do Nascituro e a proposta de cura gay; contra a repressão e criminalização das lutas dos movimentos sociais; contra a redução da maioridade penal e pela punição dos torturadores da ditadura militar. Somadas às das centrais, resultam em 11 temas unificados.

Os pontos unificados pelas centrais, apresentados à presidenta Dilma durante o encontro em Brasília, nesta quarta (26), são: fim do fator previdenciário; 10% do PIB para a Saúde; 10% do PIB para a Educação; redução da Jornada de Trabalho para 40h semanais, sem redução de salários; valorização das Aposentadorias; transporte público e de qualidade; reforma agrária; mudanças nos Leilões de Petróleo e rechaço ao PL 4330, sobre terceirização.

“Fora isso, temos 31 orientações políticas ditas aqui, como a questão da privatização do setor energético, então vamos considerá-la no ítem contra os leilões do petróleo, mas dificilmente teremos como debater isso agora”, observou João Paulo ao final do encontro, que terminou por volta das 22 horas. Um novo encontro ficou marcado para o dia 2 de julho, no mesmo horário (19h) e local, quando será tratada a mobilização e a natureza das lutas para o 11 de julho. “Será uma jornada nacional e, portanto, é importante nos reunirmos para tratar detalhes e não corrermos o risco de fazer um ato que não vai acumular força na luta”, reforçou o líder do MST.

Para Luiz Gonzaga, o Gegê, da Central dos Movimentos Populares (CMP), a luta da classe trabalhadora e do novo proletariado passa por “outro viés”. “A CMP, que se reuniu no final de semana, defende a convocação de plebiscitos e referendos como instrumentos de fortalecimento da democracia, bem como o fortalecimento da participação popular em conselhos com caráter efetivo de deliberação e não indicativo; o financiamento público das campanhas eleitorais, a reforma urbana e defesa da função social da propriedade, zerar o déficit habitacional e aplicação imediata de IPTU progressivo”, destacou Gegê durante sua fala. O representante da CMP também mencionou a luta pelos 100% dos recursos dos royalties do pré-sal para a educação, os 10% do PIB para a saúde pública e as reformas agrária e urbana que sem isso “seremos um país direcionado ao fim pela miséria total”.

Juventude

O vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Mitã Chalfun, contou aos presentes que a entidade, reunida no domingo (24), elegeu cinco pontos prioritários de sua luta, que serão levados para a mobilização de quinta (27) e apresentados para a presidenta Dilma durante reunião agendada com a juventude, na sexta (28): 10% do PIB para a educação e 100% dos royalties do petróleo; contra o Estatuto do Nascituro e contra a cura gay; pela democratização das mídias; pela reforma política e pelo passe livre estudantil.


Enquanto a reunião ocorria, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 5.500/2013 que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e os 25% restantes para a área da saúde na madrugada desta quarta-feira (26). “A UNE faz mais um golaço! Sob pressão das lutas estudantis, Câmara dos Deputados acaba de aprovar a destinação de 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação pública e 75% dos royalties do petróleo para educação e 25% para saúde! Esta proposta do Fundo Social foi elaborada pela UNE, ganhou força nas nossas lutas e hoje se tornou uma grande vitória! Viva a luta dos estudantes brasileiros”, comemorou a presidenta da UNE, Virgínia Barros, a Vic, nas redes sociais. Vic acompanhou a votação na capita federal e agradeceu a todas as entidades do setor que foram “fundamentais para a conquista”, além de “deixar um abraço fraterno para Augusto Chagas e Daniel Iliescu, ex-presidentes da UNE que abriram as portas desta luta e tornaram esta vitória possível”.

A estudante de geografia Mayara Vivian, uma das representantes do Movimento Passe Livre (MPL), esteve no encontro de terça-feira à noite para se somar às forças da esquerda. “A gente sempre deu uma orientação política de que quanto mais iniciativas de esquerda melhor. Não precisamos centralizar num único espaço para estar junto. Na medida do possível a gente vai acompanhando. E hoje estamos aqui para nos somar”, disse ao Vermelho, instantes antes de iniciar sua fala aos presentes, quando contou como foi o encontro com a presidenta da República.

“A presidenta insistiu na qualidade do transporte, mas não adianta ter estrutura se o povo não tem dinheiro para pagar. Esperávamos medidas mais concretas. Estamos aguardando, agora, o posicionamento dos governos estaduais e municipais encaminhem para a tarifa zero, que significa também o controle social do sistema de transporte público. Sendo privado ou estatal, o importante é que os usuários do sistema decidam sobre seu funcionamento, os trajetos das linhas, o transporte não deve ser mercadoria e estar a serviço de meia dúzia que lucram”, declarou Mayara.

Unidade

Jamil Murad, presidente do Diretório Municipal do PCdoB de São Paulo, lembrou que foi graças à unidade da esquerda e o esclarecimento da população, somados à busca de alternativas para sanar as deficiências sociais que levaram o país a políticas mais progressistas.

“Agora, devemos levar os trabalhadores para a rua, que se tornarão uma força invencível juntamente com a juventude. A unidade das centrais é uma vitória. Devemos abraçar a jornada do dia 11 e saudar a nossa presidenta eleita que recebeu e ainda está recebendo todos os movimentos. Com essa força, essas conquistas, determinação, ânimo, unidade, vamos fazer as transformações para elevar o povo brasileiro a um patamar muito superior. Parabéns! Unidade! Luta! Dia 11! Vamos para a paralisação, vamos para a luta, vamos para a vitória”, exclamou o comunista aos presentes.

Jamil Murad durante encontro na terça (25)

Em entrevista ao Vermelho, Rogério Nunes, da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também frisou a construção da mobilização para o dia 11: “A construção do dia 11 será um grande momento para a rearticulação dos movimentos sociais. A reforma política e o plebiscito são pontos centrais, inclusive, percebemos na reação imediata de setores reacionários conservadores, expressos na mídia monopolista, que estamos na direção certa, uma vez que eles são contra. Então cabe aos movimentos sociais apoiar e fortalecer a proposta de plebiscito”, afirmou.

Também estiveram presentes na reunião representantes da União da Juventude Socialista (UJS), da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), do Levante Popular da Juventude, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e dos partidos PT, PCdoB, PSTU, Psol, PCO, PCB, PSB e PPL.



*http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=217073&id_secao=8

Em nota, PCdoB apoia as manifestações populares e as propostas feitas pela presidenta Dilma por mais mudanças*


Com a energia das ruas, unir forças progressistas por mais conquistas para o povo

No decorrer da última semana, eclodiram manifestações sociais massivas e espontâneas em várias capitais e cidades do país, com a presença destacada da juventude estudantil. Como há muito tempo não acontecia, a política nacional foi pautada por um vigoroso protesto das ruas, inicialmente voltado contra o aumento das tarifas de transporte público, mas que rapidamente assumiu bandeiras mais amplas como as reivindicações por melhores serviços públicos nas áreas de saúde, educação, mobilidade urbana e contra a corrupção. Diante de tais acontecimentos, o PCdoB reafirma a atitude política que adotou desde que começou essa jornada de mobilizações: o governo e as forças progressistas precisam ouvir atentamente a voz das ruas e se empenharem para atendê-la. Ao mesmo tempo, os comunistas rechaçam os atos de violência, vandalismo e destruição que nada têm a ver com o brio e o espírito patriótico da maioria dos manifestantes.

Os fatos desencadeadores das grandes manifestações se deram na cidade de São Paulo com o movimento pela redução das tarifas do transporte coletivo. No dia 13 de junho, a Polícia Militar, sob o comando do governo estadual do PSDB, empreendeu uma truculenta repressão contra os manifestantes. Este ato de violência afrontou a consciência democrática de milhares e, daí por diante, em ondas crescentes emergiram passeatas em várias capitais do país e mesmo em municípios do interior. O ápice delas, até aqui, se deu no último dia 20, quando se calcula que mais de um milhão de pessoas foram às ruas. À medida que se configuraram como um movimento espontâneo, a grande mídia tentou, de modo oportunista, “assumir o comando” de tais manifestações, manipulando o seu significado e buscando direcioná-las contra o governo da presidenta Dilma Rousseff. Incentivou a equivocada hostilidade e aversão aos partidos políticos, inclusive dando guarida a deploráveis atos de agressão a militantes de legendas de esquerda, promovidos por grupelhos de extrema-direita.

Objetivamente, pelo forte eco no Brasil e no exterior, as passeatas transbordaram das ruas para o âmago da política nacional. Em razão disto, a presidenta da República, no último dia 21, fez um importante pronunciamento à Nação no qual destacou, corretamente, que as manifestações “mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar”. Quanto às possibilidades desencadeadas pela luta em curso, ela afirmou ser preciso aproveitar o vigor das ruas “para produzir mais mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira”. Posteriormente, no dia 24, ela sistematizou a proposta de um pacto, envolvendo governadores, prefeitos, partidos e lideranças do movimento social. Este pacto, segundo ela, tem por finalidade dar resposta concreta às reivindicações que vêm das ruas e que abordam os seguintes temas: responsabilidade fiscal, com o objetivo de manter a estabilidade da economia e o controle da inflação; proposta de um debate sobre a convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma política democrática; projeto que tipifique a corrupção como crime hediondo; melhoria do sistema de saúde do país, acelerando os investimentos; melhorar a qualidade do transporte público e criar o Conselho Nacional do Transporte Público, com participação da sociedade e dos usuários; e, por fim, mais recursos para a educação com a destinação de 100% dos recursos dos royalties do petróleo.

O PCdoB apoia a conduta política da presidenta Dilma Rousseff de ouvir as ruas e de procurar atender às suas reivindicações com agilidade. Enquanto não for destinado um volume consideravelmente maior de recursos e investimentos para o Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo os que dele mais precisam – os trabalhadores e os pobres –, diariamente vão continuar a sofrer uma verdadeira via crucis por uma consulta, por um exame, sem falar de cirurgias. Enquanto a educação pública não tiver mais recursos, o povo verá seus filhos com o futuro comprometido. Do mesmo modo, a péssima qualidade de vida nos centros urbanos impõe a necessidade de uma ampla Reforma Urbana que garanta moradia digna, saneamento ambiental, mobilidade - principalmente transporte público eficiente e barato. É preciso também garantir ao povo o direito à paz e à segurança uma vez que violência ceifa a vida de milhares de brasileiros, especialmente jovens.

O PCdoB também concorda com a presidenta de que é preciso romper o cerco do conservadorismo e realizar uma reforma política democrática ouvindo amplos setores da sociedade. Reforma que abra as portas da política para o povo e que coíba a influência do poder econômico nos processos eleitorais, com adoção do financiamento público exclusivo das campanhas; e reforma que fortaleça os partidos políticos e institua formas de democracia participativa e direta. Finalmente, o Partido apoia um combate ainda mais severo à corrupção e que este tipo de crime seja considerado hediondo.

A grande mídia inunda a opinião pública com mil análises sobre a razão e o sentido das grandes manifestações ocorridas. Mas a maioria delas, pura falsificação, faz crer que o ciclo progressista iniciado em 2003 está superado. Para o PCdoB, as manifestações são justamente produto deste ciclo político das forças democráticas e progressistas. Nos últimos dez anos, o povo obteve conquistas, elevou seu nível de consciência política e o país respira democracia. As manifestações fazem parte do legado deste último decênio: uma população que se levanta, disposta a lutar pelos direitos e por um Brasil melhor. As ruas dizem que as conquistas iniciadas não podem parar e que as mudanças precisam ser aceleradas, uma vez que um decênio de mudanças é insuficiente para superar a enorme desigualdade social herdada de séculos de história.

A oposição de direita e a grande mídia pretendem acirrar ainda mais a luta política contra o governo e se possível fomentar uma grave crise política. Este estratagema da direita não pode ser minimizado, mas o PCdoB está convicto de que este intento oportunista pode e será derrotado.

Ao contrário do que trama a direita, o governo poderá sair desse processo fortalecido. O caminho foi apontado pela própria presidenta Dilma Rousseff: aproveitar o vigor das manifestações para que mais mudanças aconteçam em benefício do povo. A realidade política criada pelas ruas em ebulição pode ajudar a gestar e formar um novo bloco das forças políticas e sociais progressistas e populares, de todos quantos estejam comprometidos com uma plataforma que impulsione o desenvolvimento e o progresso social. Este novo bloco se constituirá em torno de uma plataforma que dê resposta às exigências das ruas e à realização das reformas democráticas sem as quais as mudanças não avançam. Para o PCdoB, além das bandeiras já propostas pela presidenta, são urgentes a reforma dos meios de comunicação, a reforma do Judiciário e a reforma tributária progressiva que inverta a lógica reinante na qual quem paga impostos são os trabalhadores e os mais pobres. Uma reforma que taxe as grandes fortunas e seja fator de combate às desigualdades.

As grandes mobilizações de massa criaram uma situação política instável e nova, cujo desfecho ainda está por acontecer. Seu sentido e rumo estão em disputa. E tal situação exige mobilização e ação do campo político democrático e popular, em especial da esquerda, para que efetivamente avancem as mudanças, fortalecendo o governo e a liderança da presidenta Dilma Rousseff.

Brasília, 25 de junho de 2013
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)






segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dilma e os “cinco pactos em favor do Brasil”

Do editorial do Portal Vermelho*

Sob o influxo das manifestações de massas que sacudiram o país nas duas últimas semanas, a presidenta da República Dilma Rousseff apresentou à nação na tarde desta segunda-feira (24) uma proposta de “cinco pactos em favor do Brasil”. A mandatária arrolou cinco temas nevrálgicos, que de uma forma ou outra estiveram no centro dos debates durante a gigantesca mobilização social.

Dilma mostrou-se sensível ao reclamo das ruas. Optou pelo bom método do diálogo e da concertação. Primeiro, reuniu-se com as jovens lideranças do Movimento do Passe Livre, protagonista das mobilizações contra os aumentos das tarifas do transporte coletivo urbano e porta-bandeira da reivindicação da tarifa zero, simbolizada pela palavra de ordem “por um mundo sem catracas”. Em seguida, diante dos governadores das 27 unidades federativas e de 26 prefeitos de capitais, apresentou suas propostas, fazendo questão de antes valorizar a mobilização juvenil e popular, como já havia feito na sexta-feira (21) em pronunciamento por rede nacional de rádio e televisão.

Reunião com as jovens lideranças do Movimento do Passe Livre

"O povo está agora nas ruas dizendo que as mudanças continuem. Que elas se ampliem, que elas ocorram ainda mais rápido. Ele está nos dizendo que quer mais cidadania. Quer uma cidadania plena. As ruas estão nos dizendo que o país quer serviços públicos de qualidade, quer mecanismos mais eficientes de combate à corrupção que assegurem o bom uso do dinheiro público. Querem uma representação política permeável", afirmou a mandatária.

Dilma dá um exemplo de como se exerce a liderança política, a autoridade de chefe de Estado e governo, de exercício pleno da democracia e de elevada consideração pelos reclamos populares.

Os cinco pactos propostos por Dilma foram pela responsabilidade fiscal em todos os níveis de governo: federal, estaduais e municipais; pela reforma política, incluindo um plebiscito popular que aprove a convocação de uma Assembleia Constituinte com esta finalidade específica e a inclusão da corrupção como crime hediondo; pela saúde, com a "importação" de médicos estrangeiros para trabalhar nas zonas interioranas do país e o anúncio de abertura de novas vagas de graduação em cursos de medicina e novas vagas de residência médica; pelo transporte público, adiantando que o país precisa dar um "salto de qualidade no transporte públicos nas grandes cidades", com mais metrôs, veículos leves sobre trilhos e corredores de ônibus; e o pacto pela educação pública. Sobre este último, a presidenta pediu mais recursos para a educação e voltou a dizer que é necessário que o Congresso aprove a destinação de 100% dos recursos dos royalties do petróleo para o setor.

A presidenta em reunião com os governadores e prefeitos

Agora as propostas adiantadas por Dilma passarão pelo crivo de intenso debate. A responsabilidade fiscal é tema controverso quando confundido com austeridade. No quadro da federação, prefeitos e governadores tendem a exigir subsídios da União e esta, por seu turno, representada pelo governo federal, tentará manter o gasto público dentro de certo marco. É sempre difícil encontrar soluções equilibradas para os conflitos entre os entes da Federação.

A proposta que tende a polarizar os debates políticos é a convocação, por meio de plebiscito, da Assembleia Constituinte exclusiva, para fazer uma “ampla e profunda reforma politica que amplie a participação popular e os horizontes da cidadania.”

A palavra agora está com os partidos políticos, as organizações do movimento social e as duas casas legislativas. Abriu-se um novo momento político no país. A voz das ruas se fez ouvir, o governo democrático e progressista liderado pela presidenta Dilma tomou a iniciativa e passou a exercer protagonismo, o que abre a perspectiva de mudanças.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

NOTA DO PCdoB-ES SOBRE AS MANIFESTAÇÕES DE JUNHO DE 2013



As manifestações em todo país refletem a força e o amadurecimento da nossa democracia. O clamor das ruas reforça as bandeiras há muito já defendidas pelo PCdoB, como o investimento de 10% do PIB e 100% dos Royalties do Pré Sal em educação, a reforma política com financiamento público de campanha e maior e mais profunda democratização do pais, uma reforma tributária que desonere o trabalhador e a melhora da qualidade do Sistema Único de Saúde.

Agora essas revindicações ganham as ruas através da voz indignada da juventude que de forma espontânea, e também organizada através da internet com múltiplas direções juvenis, chama atenção para uma pauta política de melhoria nos serviços públicos, elevação da qualidade de vida e aprofundamento da democratização do país.

No estado do Espírito Santo a manifestação aponta principalmente para os problemas de mobilidade urbana, desejos justos e também históricos. Desde 1987 o PCdoB-ES protagonizou essa luta que vem acumulando grandes vitórias que vão desde a criação do conselho tarifário, passando pela conquista da meia passagem, até o atual Passe Livre para estudantes de escolas públicas. Essas conquistas precisam avançar mais rumo ao atendimento da pauta dos movimentos organizados como sindicatos e entidades estudantis.

Nosso país é uma das nações mais ricas do mundo, com recursos naturais fabulosos, e nosso povo é trabalhador e honesto. Mas a riqueza que é produzido no Brasil fica nas mãos de aproximadamente 20 mil famílias de especuladores que não estão preocupados com uma nação melhor nem tão pouco com políticas públicas que favoreçam a maioria da população. Hoje o estopim dos protestos foi a situação deplorável dos transportes coletivos que escondem lucros fabulosos para os proprietários capitalistas. Mais do que isso, foi uma reação à brutalidade das investidas da Polícia Militar (PM), sobretudo no estado de São Paulo e Rio de Janeiro contra as manifestações populares. Essas ações truculentas que violam os direitos humanos mexem em feridas que não cicatrizarão e que já foram negativamente incorporadas à mentalidade da nossa gente. Não aceitaremos a ditadura nunca mais. Viva o aprofundamento da democracia construída pelo nosso povo e a liberdade de expressão e manifestação de todos e todas as pessoas de nossa nação.

O PCdoB-ES apoia o movimento e todas as formas de organizações populares na defesa de mais direitos para o povo e a ampla melhoria da qualidade de vida e de todos os serviços públicos como forma de pressão para o estabelecimento do diálogo permanente entre governo e sociedade civil. Orientamos toda a nossa militância comunista no Espírito Santo a defender nossa pauta política com a participação no movimento, nas manifestações e no amplo e democrático debate popular.


Comissão Política do Partido Comunista do Brasil no ES 
(PCdoB-ES), Vitória 19 de junho de 2013.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Dynéas Aguiar foi um bravo entre os bravos!

"Há aqueles que lutam um dia e por isso são bons.
Há aqueles que lutam por muitos dias e por isso são muito bons.
Há aqueles que lutam anos e são melhores ainda.
Porém, há aqueles que lutam toda vida esses são imprescindíveis". 
Bertold Brecht

Camaradas, reproduzo abaixo a nota de falecimento do camarada Dynéas Aguiar:

Nota do presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, em homenagem a Dynéas Aguiar, falecido nesta quinta-feira, 13 de junho de 2013, com 63 anos ininterruptos de militância comunista destacada.

Dynéas Aguiar fala em homenagem feita a ele pela Escola Nacional do PCdoB
 durante o Curso Nível III em 30/1/2012.

Consternada a direção nacional do PCdoB comunica o falecimento de de Dynéas Aguiar, ocorrida no final da tarde de hoje, 13 de junho, em Valinhos, estado de São Paulo. Já alguns dias Dynéas estava internado numa unidade de terapia intensiva, onde travou uma batalha pela vida, mas infelizmente não resistiu. Ele morre aos 81 anos de idade, dos quais 63 dedicados ao Brasil, ao povo, à luta pelo socialismo e à construção do Partido Comunista do Brasil. Externamos nossos sentimentos aos seus filhos, à sua família.

Veja Especial sobre Dynéas Aguiar


Dynéas falando na Escola Nacional do PCdoB

Ano passado, no aniversário de 80 anos de Dynéas, a Comissão Política Nacional do Partido emitiu uma nota na qual homenageou sua trajetória heroica. Ele nasceu em 30 de janeiro de 1932 e ingressou no Partido Comunista muito jovem. Em 1950 começou a atuar no movimento estudantil e logo ingressou na juventude comunista. Por suas inúmeras qualidades, elegeu-se presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e depois da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).



Quando, na segunda metade da década de 1950, as ideias reformistas começaram a ganhar força no movimento comunista brasileiro, ele integrou a corrente revolucionária dirigida por João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar. Não participou da Conferência de reorganização do Partido Comunista do Brasil, ocorrida em 1962. Mesmo assim, foi eleito membro suplente da nova direção nacional.

Com o golpe militar de 1964, participou da organização da resistência à ditadura e contribuiu para o êxito da 6ª Conferência do PCdoB que delineou as diretrizes dessa luta. Posteriormente, enviado ao exterior ajudou a organização amplo movimento de solidariedade ao povo brasileiro.

Com a anistia retornou ao Brasil, destacando-se como um dos principais organizadores do 6º Congresso do PCdoB em 1983. Neste período, assumiu a função de secretário nacional de Organização. Quando terminou o regime militar, o PCdoB ingressou em nova fase, se transformando numa força política influente e respeitada pelas camadas mais avançadas do povo brasileiro.

Com seu rápido crescimento, o Partido precisava formar seus militantes. Ele, então, se jogou na tarefa de organizar a Escola Nacional do PCdoB, pela qual passariam centenas de camaradas. Este trabalho intensivo de formação marxista-leninista dos quadros comunistas contribuiu em muito para o Partido enfrentar vitoriosamente a grave crise que atingiu o socialismo no triênio 1989-1991.

No início dos anos 1990, Dynéas pediu afastamento do Comitê Central. Passou então a construir o Partido na cidade paulista de Campos do Jordão. Nessa cidade, pelo respeito que adquiriu, assumiu o cargo de secretário municipal de Cultura e elegeu-se vice-prefeito.

Atualmente, ele fazia parte da direção do comitê municipal de Valinhos (SP) e integrava a equipe do Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois. No último período, mesmo enfrentando graves problemas de saúde, não arredava o pé do trabalho, dando uma importante contribuição na reconstrução da história dos comunistas brasileiros da qual era personagem destacado.

Dynéas era um dos últimos remanescentes daquela plêiade de bravos camaradas que, em 1962, de maneira ousada, se colocaram na tarefa de reorganizar o Partido Comunista do Brasil. Ousadia que garantiu sua continuidade na trilha da revolução. Uma geração que atravessou décadas, a maior parte do tempo na clandestinidade, enfrentou prisões, torturas e mortes, e soube fazer triunfar a liberdade e a democracia com a qual hoje a Nação se fortalece e na qual os trabalhadores elevam sua capacidade de união e luta.

As bandeiras vermelhas da grande causa socialista inclinam-se em honra à memória deste digno e heroico combatente!


São Paulo, 13 de junho de 2013
Renato RabeloPresidente do Partido Comunista do Brasil- PCdoB


Dilair (filho), João Pedro (neto), Dynéas Aguiar, Camila (neta), Elisa Tininha (filha)e Jefferson (genro)