Revista Princípios Digital

domingo, 9 de novembro de 2014

SOCIÓLOGA Rita Coitinho: Cai o muro, segue a história

O dia 9 de novembro de 1989 passou para a história como o dia da “queda do Muro de Berlim”. Não pelo muro, em si, mas pelo que representava: a divisão do mundo em dois blocos opostos e irreconciliáveis.

Por Rita Coitinho, especial para o Portal Vermelho

   
A queda do muro, que separava a República Democrática da Alemanha (socialista) da República Federal da Alemanha (capitalista) foi apenas um dos eventos que marcaram a dissolução do “bloco socialista”, que culminaria no fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) no ano de 1991.

Na leitura de Vizentini (1), “a abertura do Muro de Berlim e a desintegração da URSS, apesar de constituírem símbolos poderosos, não foram, verdadeiramente, os motivadores do fim da Guerra Fria, mas consequências deste fenômeno. Sem a renúncia soviética ao seu espaço de poder, numa situação inédita e, até, patética, o colapso não haveria ocorrido, ao menos desta forma e neste ritmo”.

A Guerra Fria acabara entre 1987 e 1988. Sem apoio soviético ou, como na interpretação de Hobsbawm (2), sem a presença coercitiva do Estado soviético, que desde meados da década de 1980 abandonava os países periféricos à própria sorte, os países do Leste Europeu logo se descolaram do bloco. Destes, apenas a Polônia contava, de fato, com uma oposição organizada ao partido comunista. Com uma crise econômica cada vez mais profunda e grave crise política que já durava anos, a situação tornou-se insustentável a ponto de em agosto de 1989 o governo ser entregue, com o consentimento soviético, aos conservadores (que então predominavam no Partido Solidariedade).

À Polônia seguiu-se a queda do regime na Hungria (que já aplicava um “socialismo de mercado” desde a década de 1960, em grave crise no final dos anos 1980), com a formação de um governo de centro-direita. Em novembro foi a vez da Alemanha Oriental (RDA) e da Tchecoslováquia, também em crise financeira (embora em situação ainda melhor que seus vizinhos). Em seguida, na Bulgária, a ala reformista do Partido Comunista aproveitou os primeiros protestos para dar um golpe e permanecer no poder. Na Romênia a própria URSS apoiou um golpe militar, ocorrido após violenta repressão a manifestações populares.

Os acontecimentos do Leste Europeu, em alguns casos, como na Romênia, com passagens dramáticas e pirotécnicas - uma “guerra civil” amplamente televisionada, onde populares atacavam e incendiavam prédios da polícia política, episódio “coroado” com o fuzilamento do presidente Ceauscescu, apelidado de “vampiro romeno” – causaram grande impressão. A cena em que a população de Berlim derruba pedaços do Muro que dividia a cidade, sob o olhar passivo dos guardas da fronteira, foi amplamente divulgada (e até hoje repetida) como o marco decisivo do fim de uma era - a do socialismo real.

Engana-se, porém, quem encara a débâcle do socialismo no Leste e na URSS como o resultado dos levantes das massas inconformadas. Esta é a interpretação que convém ao propagandista liberal. As manifestações populares pelo fim do regime circunscreveram-se aos países da “periferia” socialista (o “calcanhar de Aquiles” do sistema soviético, conforme Hobsbawm) e a queda dos regimes teve, senão ajuda, ao menos a complacência soviética.

Na URSS o regime contava com amplo apoio popular e a liderança do Partido Comunista Soviético (PCUS) não sofria questionamentos de maior monta. As razões do fim do socialismo real precisam ser buscadas principalmente internamente (ou, melhor, “de cima para baixo”), embora desde a década de 1970 a URSS já sofresse os impactos das crises da economia capitalista, tornando-se, talvez, uma das suas principais vítimas (até a década de 1990, ao menos, os países capitalistas vinham conseguindo se recuperar, mais ou menos rapidamente, das crises econômicas). Conforme Hobsbawm: “O socialismo real agora enfrentava não apenas seus próprios problemas sistêmicos insolúveis, mas também os de uma economia mundial mutante e problemática, na qual se achava cada vez mais integrado”. A economia ia mal, porém, se se deseja encontrar uma “razão maior” para a queda, é nas determinantes políticas que se deve concentrar a análise.

E por quê? Porque as saídas políticas (glasnost – transparência) e econômicas (perestroika – reconstrução, reorganização ou reestruturação) implementadas sob a liderança do núcleo dirigente do PCUS - cujo secretário geral era Gorbachev - para o enfrentamento da crise conduziam, inequivocamente, à adesão da URSS à economia de mercado e aos princípios da democracia liberal. Isto estava claro (no plano econômico) desde as primeiras reformas em direção do mercado e tornou-se ainda mais transparente no derradeiro congresso do PCUS (28º Congresso, em 1990).

Leia mais:
Queda do muro virou mito de vencedores
O dia em que o Partido Comunista chegou ao poder na Rússia

Já Lênin, em 1921, dissera que “Ninguém nos pode arruinar senão os nossos próprios erros”. É certo que as pressões externas, a própria Guerra Fria, foram em larga medida determinantes para a crise do modelo soviético. Porém é importante que se explore as causas intrínsecas ao partido, ao comando do processo. Pois foram os dirigentes do PCUS que optaram pela via do mercado, que já nos anos 1990 jogou a maioria da população russa na miséria e na instabilidade econômica. E foi também a partir das resoluções do próprio PCUS que se pôs fim à sua existência.
Um antigo membro do PCUS, V.A. Tiulkine, que há cerca de um ano publicou um artigo com suas memórias do 28º Congresso do partido (3), afirma que o partido estava “doente de não comunismo”. Em sua visão, a virada começara ainda sob a direção de Khruchev, quando no 22º Congresso do PCUS adotou-se a designação de partido de todo o povo, orientado para dirigir o Estado de todo o povo. Na visão de Tiulkine, o partido, embora mantivesse seu nome e sua simbologia, enveredava, a partir de Khruchev, pela estrada do reformismo, que os conduziu até a situação de 1991, quando a ascensão de Boris Yeltsin pôs termo à própria URSS - cujo espólio ficou para a Federação Russa, da qual era presidente.

Tiulkine relata que o 28º Congresso do PCUS aprovou (não sem diversas intervenções em contrário, que podem ser lidas no próprio artigo citado) as reformas econômicas de Gorbachev que já estavam em andamento há alguns anos, conforme o próprio Gorbachev reconheceu perante o congresso (numa demonstração de que uma minoria já havia se apropriado do poder, sendo o congresso do partido apenas um espaço de validação da linha política já adotada). Os conceitos de economia de mercado e estratificação social baseada no rendimento foram apresentados ao partido como grandes descobertas econômicas, como se não fossem, exatamente, os conceitos chave da economia burguesa. O “poder popular” passava a ser encarado como o pluripartidarismo e a adoção de um parlamentarismo.

O resultado catastrófico destas medidas foi o fim do socialismo, cujas consequências para o povo soviético todos nós já conhecemos: profunda crise econômica, desnacionalização de grandes empresas, crescimento das máfias e grande concentração de renda nas mãos de poucos. Além disso, conflitos nacionalistas sangrentos espalharam-se pelas repúblicas da ex-URSS.

O colapso soviético foi recebido com otimismo pelo ocidente capitalista. Chegou-se a aventar que a história chegava ao fim. No já célebre livro de Fukuyama celebrou-se a ordem capitalista e liberal como o topo do desenvolvimento da humanidade. Dali para frente seria necessário apenas aperfeiçoar as estruturas socioeconômicas. Finda a Guerra Fria, estabelecida uma ordem unipolar, e a “aldeia global” com os EUA como grande hegemon mundial, estava encerrada a luta de classes.

A realidade, porém, insiste em ser um pouco mais complexa do que desejariam Fukuyama e os demais propagandistas do liberalismo e do modelo norte-americano. Apenas doze anos após o 9 de novembro de 1989 (a queda do Muro de Berlim), viria o 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas foram atingidas por aviões supostamente sequestrados por militantes da rede Al-Qaeda. Nas palavras de Zizek (4), se “o 9 de novembro anunciou os ‘felizes anos 90’, o sonho de Fukuyama de que a democracia liberal vencera, a busca terminara, o advento de uma comunidade mundial global espreitava logo ali na esquina, e os obstáculos a esse final feliz ultra-hollywoodiano eram apenas empíricos e contingentes”, com o 11 de setembro de 2001 temos “o símbolo fundamental do fim dos felizes anos 90 de Clinton, da época em que por toda parte surgiram novos muros” (como os que separam Israel e Cisjordânia, Estados Unidos e México etc.).

A imersão estadunidense em conflitos sem fim no Oriente Médio e sua aparente confusão de objetivos, somada ao ascenso de novas (e velhas, como a Rússia) potências no cenário mundial – e o consequente surgimento de uma multipolaridade no cenário mundial – demonstram que, definitivamente, a história continua, embora não se saiba para onde se dirige.

A retórica do fim da história, no entanto, permanece na mídia, nas academias e nos partidos políticos, embora de maneira mais sofisticada. Aceita-se que a história não terminou, mas ao mesmo tempo a democracia liberal e o capitalismo parecem não ter adversários. Como provoca Zizek, “é fácil rir da noção de fim da história de Fukuyama, mas o ethos dominante hoje é ‘fukuyamiano’: o capitalismo democrático liberal é aceito como a fórmula da melhor sociedade possível que finalmente se encontrou – só resta torná-lo mais justo, mais tolerante etc.”.

Estaríamos, afinal, condenados a restaurar o capitalismo em moldes “mais humanos” simplesmente porque o socialismo soviético ruiu (por seus próprios erros, como suspeitamos neste texto e em acordo com alguns eminentes autores, aqui citados)? Não temos nenhuma outra alternativa?

Mas então o que explica o nascimento das novas perspectivas latino-americanas, que em nome de um socialismo renovado mobilizam multidões, grande parte das quais oriundas das favelas e dos setores mais empobrecidos de suas sociedades? As sociedades liberais não parecem oferecer alternativas reais a esses milhões que vivem nas periferias urbanas ou ainda no campo, subempregados e sub-representados pelas estruturas de poder estatal. O novo parece insistir em voltar à cena histórica e é provável que a principal tarefa do século 21 seja muito semelhante à do século 20: politizar e organizar os grandes contingentes que jamais serão “incluídos” pela economia de mercado.

Mas organizar para quê? Para que entreguem outra vez o poder ou para que o exerçam de fato? Talvez compreender melhor os erros que levaram à queda da experiência soviética possa nos trazer pistas para novas experiências de poder popular, para além do horizonte do liberalismo, que já começa a dar mostras de seu esgotamento no próprio centro do sistema. A crise econômica e política que atualmente atravessam os principais países capitalistas, jogando enormes contingentes de seu próprio povo (já não é possível exportar todos os malefícios da crise, como no passado) está demonstrando que, definitivamente, o estado liberal burguês e a economia capitalista não são o fim, mas uma parte da história.

Notas:
1 - VIZENTINI, Paulo G. Fagundes & PEREIRA, Analúcia D. História do Mundo Contemporâneo – Da Pax Britânica do Século XVII ao Choque das Civilizações do século XXI – Petrópolis: Vozes, 2008.
2 – HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos – o Breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
3 - O artigo de V.A. Tiúlkine está disponível em http://www.hist-socialismo.com/docs/TiulkineUltimoCongressoPCUS.pdf
4 – ZIZEK, Slavoj. Em defesa das causas perdidas. São Paulo: Boitempo, 2012.

Rita Coitinho é Mestra em sociologia, cientista social, doutoranda em geografia e colunista do Portal Vermelho ( http://www.vermelho.org.br/noticia/253124-9 )

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O dia em que o Partido Comunista chegou ao poder na Rússia

Os ideólogos e jornalistas burgueses e sociais-democratas estão comemorando os 25 anos da contrarrevolução que iniciou a derrocada do socialismo na antiga União Soviética e demais países do Leste europeu. A referência é a derrubada do muro de Berlim, a 9 de novembro de 1989, por eles considerada um dos fatos mais importantes do século passado. Os comunistas, em posição oposta, celebram a passagem dos 97 anos da Revolução de 1917, que transcorre neste 7 de novembro.

Por José Reinaldo Carvalho*


  
Tomada do Palácio de Inverno
 
Foi a primeira vez na história que triunfou uma revolução socialista dirigida pelo partido comunista. Culminando uma cruenta luta de classes, que percorreu várias etapas, a revolução liderada por Lênin e os bolcheviques instaurou o poder dos trabalhadores e deu início à construção do socialismo.

É um acontecimento marcante na história da humanidade. Ocorrida em plena guerra (a Primeira Guerra Mundial), e erguendo a bandeira da paz, a Revolução foi um dos fatores preponderantes para quebrar um das frentes do imperialismo mundial.

Igualmente, com a bandeira de luta pelo pão e pela terra, visando à solução de agudos problemas das massas populares e à conquista do poder político, a revolução derrocou o poder da burguesia e dos latifundiários, fez ruir um império retrógrado, levou o proletariado à criação da sua ditadura de classe, em aliança com o campesinato e demais setores explorados e oprimidos, e abriu caminho para a liquidação do capitalismo.

A Revolução de 1917 na Rússia inaugurou nova época na história mundial, a época das revoluções proletárias, populares e nacional-libertadoras, do poder revolucionário exercido pelos trabalhadores, da transição do capitalismo ao socialismo. Foi uma façanha dos povos explorados e oprimidos da antiga Rússia.

Este triunfo de classes sociais emergentes e de forças revolucionárias foi como uma espécie de chama acesa que passou a inspirar e mover o povo russo nos esforços para a edificação da nova sociedade socialista e os povos de todo o mundo nas lutas pela libertação nacional e social.

O novo poder revolucionário proclamou a paz entre os povos, firmou a condenação à agressão imperialista, defendeu o princípio da oposição a todo tipo de opressão nacional e jugo colonial e reconheceu o direito dos os povos à autodeterminação nacional e soberania estatal, num quadro em que o império russo subjugava e oprimia nacionalidades.


Soldados bolcheviques marcham em Moscou

São conhecidos os fatores objetivos que levaram ao triunfo da revolução. O atraso econômico colocava a Rússia numa condição de país sem perspectiva nem rumo, mesmo num quadro em que o czar tinha realizado tímidas reformas econômicas objetivando certa modernização da sociedade. As contradições de classe na Rússia agravaram-se enormemente durante a Primeira Guerra Mundial. A fome e a miséria se alastraram. O campesinato, apesar das graduais mudanças promovidas ao longo de décadas, era submetido a um regime de exploração semifeudal. Mais do que outros setores da população, era no campo que se manifestavam as consequências mais duras da participação russa no conflito.

Um problema nacional interno corroía as bases do império czarista. As etnias não russas constituíam mais da metade do império e lutavam pela autodeterminação nacional.

O regime czarista, absolutista, repressivo, ditatorial, “prisão de povos”, sofria a oposição política de amplos setores, sendo a guerra o fator decisivo do seu definitivo desgaste. O exército russo sofria derrotas em combate, seus planos expansionistas executados manu militari se exauriam, o que levava também à exaustão política do regime. Formaram-se várias frentes oposicionistas, a liberal e a popular, que comportava subdivisões. No movimento operário, socialista, predominavam ainda os sociais-democratas mencheviques, o que garantia uma hegemonia burguesa e pequeno-burguesa na luta política até a derrocada do Czar, em fevereiro de 1917.

Meses depois, contando com a força decisiva da aliança operária-camponesa, os bolcheviques alteraram a correlação de forças e tomaram o poder.

Mas, se há razoável consenso sobre os fatores objetivos da revolução russa, quanto aos subjetivos só há dissensos, contradições, interpretações antagônicas. Quase um século depois, quando o tema é debatido, o que divide campos são as opiniões sobre a luta de classes, o objetivo socialista, o caráter do poder político dos trabalhadores (com tergiversações interesseiras sobre o conceito de ditadura do proletariado) e o papel do partido comunista.


Lênin, líder da Revolução

Por isso mesmo, ao comemorar o aniversário da revolução, a atual geração de comunistas não pode deixar de ressaltar que a sua realização foi também uma vitória ideológica, porquanto confirmou descobertas e conceitos do marxismo-leninismo, teoria sempre jovem e científica, que se enriquece no compasso do desenvolvimento histórico.

A Revolução Soviética triunfou em meio a uma luta sem quartel entre o marxismo-leninismo e o oportunismo da social-democracia, que havia capitulado à política de guerra e se deixara cooptar pela burguesia, adotando uma estratégia e uma tática de conciliação de classes.

A Revolução Soviética confirmou a tese de que as contradições antagônicas do sistema capitalista levam inelutavelmente à rebelião das massas populares, em contraste com as opiniões em voga ontem como hoje, de que o socialismo é uma utopia irrealizável e as revoluções acontecimentos fortuitos, condenadas ao fracasso, fruto das conspirações e de aventuras golpistas de pequenos grupos.

O dirigente da Revolução Soviética, analisando como e por que os bolcheviques reuniram condições de se manter no poder – dois anos e meio após o triunfo – dizia que “a ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, cuja resistência está decuplicada, em virtude de sua derrota (mesmo que em apenas um país), e cuja potência consiste não só na força do capital internacional, na força e na solidez das relações internacionais da burguesia, como também na força do costume, na força da pequena produção”. Por isso, considerava que os bolcheviques não se teriam mantido no poder, “não fosse a disciplina rigorosíssima, verdadeiramente férrea, de nosso Partido, não fosse o total e incondicional apoio da massa da classe operária, isto é, tudo que ela tem de consciente, honrado, abnegado, influente e capaz de conduzir ou trazer consigo as camadas atrasadas”.


Desfile comemorativo em Moscou
 
É uma avaliação suficientemente clara, para realçar que os fatores subjetivos principais do triunfo da revolução residiram no papel dirigente do partido comunista e na sua capacidade de ligar-se às massas populares, organizá-las e mobilizá-las numa luta que tem objetivamente caráter revolucionário.

A natureza, o papel e o lugar do partido comunista na história e em cada conjuntura política são questões sempre desafiadoras aos que estão empenhados na luta pelas transformações sociais e políticas. No debate sobre esses temas, tanto quanto as opiniões dogmáticas e desligadas do contexto histórico-político, são nocivas as opiniões eivadas de vulgaridades ou que, em nome de uma suposta adaptação às imposições da contemporaneidade, relativizam o papel do partido comunista e na prática negam a sua essência. Funcionam como chaves de palha metáforas baseadas no senso comum para explicar o partido comunista. Este e a teoria do socialismo científico são indissociáveis, como é inseparável da realidade objetiva do sistema capitalista, sobretudo em sua fase imperialista, que assenta sobre a opressão e exploração dos trabalhadores e nações sujeitas à dominação neocolonial. O partido comunista é o instrumento imprescindível para superar tal sistema e construir a nova sociedade da emancipação nacional e social.

Para reafirmar este papel e esta essência, serve-nos também a comemoração do aniversário da Revolução Soviética, a recordar-nos que foi a revolução das massas trabalhadoras sob a direção do partido comunista.


*Editor do Portal Vermelho; membro do Secretariado Nacional do Partido Comunista do Brasil; publicado originalmente no Blog da Resistência.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

PRECISA DIZER MAIS ALGUMA COISA?

Existe um ditado popular que diz, "Uma imagem vale mais que mil palavras"... Na realidade atual das eleições no Brasil está acontecendo exatamente isso... Acho que não é necessário dizer mais nada... 
Só que eu VOTO DILMA 13! Estou com o povo, sempre!
 
  PRECISA   DIZER   MAIS   ALGUMA   COISA?
        Direita FASCISTA   X   BRASILEIROS PROGRESSISTAS HUMANISTAS
                         Ricos   X   Pobres
  Classes Dominantes  X  Classes Dominadas
          BURGUESIA  PROLETARIADO
                    ELITES   X   POVO
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Como usar pesquisas eleitorais para manipular uma eleição?

ATENÇÃO CAMARADAS E COMPANHEIROS, analisando a tendencia do comportamento e as "análises" do Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.) nos últimos 3 dias, começa a ficar evidente qual poderá ser a nova tática da DIREITA GOLPISTA. O P.I.G. vai começar a divulgar pesquisas eleitorais FALSAS E MANIPULADAS em todo o Brasil, afirmando que o candidato da DIREITA FASCISTA está na frente da nossa companheira Dilma. Não ACREDITEM EM PESQUISAS FALSAS E MANIPULADAS! Nada pode abater o nosso vigor e a convicção de que vamos vencer esta batalha eleitoral!

A intenção deles é tentar induzir um suposto voto útil contra o povo e contra a Dilma! Vamos continuar firmes na campanha e vamos fazer a denuncia de mais esta manipulação regada a muito dinheiro vindo dos EUA e da Europa falida que não estão contentes com nossa independência, nossa participação soberana nos BRICS e nosso desenvolvimento econômico!

Agora começa a ficar claro que a tática deles é a mesma que foi implementada na Venezuela quando injetaram 1 bilhão de dólares para tentar virar o resultado eleitoral e derrotar Nicolas Maduro depois da morte de Hugo Chaves. Mas a garra do povo venezuelano denunciou e derrotou os interesses imperialistas contra o povo e venceram as eleições!

Vamos a luta camaradas e companheiros, é só seguir as orientações do EVENTO que está mobilizando as militâncias no Facebook. O link é o seguinte OCUPE O FACEBOOK COM DILMA ATÉ O DIA 26 DE OUTUBRO DE 2014

https://www.facebook.com/events/1676730785885743/

1º) Convide todos os seus amigos e amigas para este EVENTO, isso é uma tarefa diária!

2º) ADICIONE todos deste EVENTO como seus novos amigos e ACEITE as solicitações de amizade de eleitores de Dilma para assim fortalecermos UMA PODEROSA REDE DE DEFESA da reeleição da presidenta Dilma.

3º) VÁ PARA A RUA, PROCURE SEUS AMIGOS E AMIGAS E FAÇA CAMPANHA PESSOALMENTE PARA DILMA 13, FOTOGRAFE, FILME E DEPOIS DIVULGUE TUDO AQUI E NO SEU PERFIL!

4º) Primeiro COMPARTILHE depois CURTA, essa é a regrinha básica para atingir TODO MUNDO que você conhece!

5º) IGNORE os comentários agressivos, ofensivos, difamatórios, provocativos e CALUNIOSOS dos COXINHAS neste EVENTO! Se te incomodarem apenas oculte o comentário e depois vc deve BLOQUEAR o coxinha, assim vc não perde tempo com ele... ELES QUEREM QUE VC SE DESGASTE E PERCA TEMPO, essa é a tática da DIREITA...

terça-feira, 15 de julho de 2014

O relatório sobre a copa de 2014 que apavora a direita fascista

Para todos que cientificamente e sinceramente se interessam pelos fatos e dados da realidade social e econômica brasileira, o vídeo abaixo deve ser cuidadosamente assistido e os dados e fatos descritos nele devem ser cuidadosamente estudados e analisados. Nele o alto escalão do governo federal brasileiro e o alto escalão das forças armadas fazem uma impressionante exposição da real envergadura e alcance do chamado legado da copa das copas. Uma coisa já é certa, o Brasil já não é mais o mesmo que aquele que iniciou a copa das copas, vejam o vídeo todo e tirem suas próprias conclusões.



Nesta segunda-feira (14/07/2014), o governo federal apresentou um balanço da Copa do Mundo no Brasil. A presidenta Dilma Rousseff participou da entrevista coletiva e avaliou detalhadamente, junto com a equipe de ministros, a atuação do país nas áreas de segurança, infraestrutura, turismo e hospitalidade. 

Durante o torneio, mais de um milhão de estrangeiros vieram ao Brasil e mais de três milhões de turistas brasileiros participaram do mundial. Os estádios receberam 3,4 milhões de torcedores e as Fan Fest cinco milhões. Na segurança, mais de 177 mil profissionais de segurança pública, defesa e inteligência atuaram na Copa.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

50 filmes para lembrar o que foi a DITADURA no Brasil

Selecionamos 50 filmes para lembrar os 50 anos do golpe civil-militar no Brasil e refletir sobre as memórias produzidas pelo cinema! 43 estão completos para assistir online. Bom proveito!

Qualquer problema com os links abaixo, podem ser relatados nos comentários desta postagem logo abaixo. Mas você ainda poderá fazer por sua própria iniciativa uma pesquisa pelo nomes dos vídeos e seus autores na internet. Se a censura retirá-los do ar, certamente alguém os republicou em outro ponto da internet. Bons estudos!


1. O desafio (1965), Paulo César Sarraceni
http://www.youtube.com/watch?v=qD8O13DsbE4

2. Manhã cinzenta (1968), Olney São Paulo
https://www.youtube.com/watch?v=kA34LXfwBlc

3. Brazil: A Report on Torture (1971), de Haskell Wexler e Saul Landau.
https://www.youtube.com/watch?v=nBUTvK0jWfM

4. O Bom Burguês (1979), Oswaldo Caldeira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=2a5PMshfugY

5. Paula: a história de uma subversiva (1979), F. Ramalho Jr.
http://www.youtube.com/watch?v=pv2ke8UmvGc

6. Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman
https://www.youtube.com/watch?v=Uzl2K1bDRog

7. Pra frente, Brasil (1982), Roberto Farias
http://www.youtube.com/watch?v=rzj1_bD3BDI

8. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=VJ0rKjLlR0c

9. Nunca Fomos tão Felizes (1984), Murilo Sales
http://www.youtube.com/watch?v=IPAAa8uMrps

10. Jango (1984), Silvio Tendler
https://www.youtube.com/watch?v=1O4SZQZ-ikk

11. Que Bom Te Ver Viva (1989,), Lucia Murat
http://www.youtube.com/watch?v=RSYUXUSALKU

12. Kuarup (1989), Ruy Guerra
https://www.youtube.com/watch?v=ByISRJPjo18

13. Corpo em Delito (1990), Nuno César Abreu
https://www.youtube.com/watch?v=XD7JpE3J078

14. ABC da greve (1990), Leon Hirszman
http://www.youtube.com/watch?v=lcQcBY_qvFQ&feature=youtu.be

15. Lamarca (1994), Sérgio Resende
https://www.youtube.com/watch?v=Wy1g8kRMD5Q

16. O Que É Isso, Companheiro? (1997), Bruno Barreto
https://www.youtube.com/watch?v=9_ODe6ar7ag

17. Ação Entre Amigos (1998), Beto Brant http://filmesonlinetocadoscinefilosvideos.blogspot.com.br/2013/06/acao-entre-amigos-1998-direcao-beto.html

18. Dois Córregos (1998), Carlos Reichenbach
https://www.youtube.com/watch?v=Nwd1XHnG2eY

19. Barra 68 Sem Perder a Ternura (2001), Vladimir Carvalho.
https://www.youtube.com/results?search_query=barra+68&sm=3

20. Cabra cega (2004), Toni Ventura
https://www.youtube.com/watch?v=Kjq5wz8k2C8

21. Araguaya :a Conspiração do Silêncio (2004) Ronaldo Duque
https://www.youtube.com/watch?v=SKagL2WmH-0

22. Quase dois irmãos (2004) Lúcia Murat
http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-quase-dois-irmaos-nacional-online.html

23. Memórias clandestinas (2004), Maria Thereza Azevedo
https://www.youtube.com/watch?v=j0wW2DCnN9o

24. Peões (2004), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=JEde0T13kF8

25.Memória política: Vera Silva Magalhães (2004), TV Câmara
http://www.youtube.com/watch?v=KswterhahX4&feature=youtu.be

26. Tempo de resistência (2005), André Ristun
https://www.youtube.com/watch?v=7o8z0L7t6pw

27. Vlado: 30 anos depois (2005), João Batista de Andrade
https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU

28. O ano em que meus pais saíram de férias (2006), Cao Hamburguer
http://www.youtube.com/watch?v=fnrhYwuxaTs

29. Zuzu Angel (2006), Sérgio Resende
http://www.youtube.com/watch?v=duCoCVG2tt8

30. Hércules 56 (2006), Silvio Da-Rin
http://www.youtube.com/watch?v=xxPNQfNpkOo

31. Batismo de sangue (2007), Helvécio Ratton
https://www.youtube.com/watch?v=YPaycJ8ij3s

32. Brizola: Tempos de luta (2007), Tabajara Ruas
https://www.youtube.com/watch?v=NYoRqu20XW0

33. Memória Para Uso Diário (2007), Beth Formaggini
https://www.youtube.com/watch?v=Ys4781EYPBU

34. Caparaó (2007), Flavio Frederico
https://www.youtube.com/watch?v=qGlbHfG8aGA

35. Cidadão Boilesen (2009), Chaim Litewski
https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY

36. Em teu nome (2009), Paulo Nascimento (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=qNG3vdSYhnU

37. Perdão, Mister Fiel (2009) Jorge Oliveira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=WVRwU7lL9zA

38. Diário de uma busca (2011), Flávia Castro (trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=CoGhWTGS8CU

39. Uma longa viagem (2011), Lucia Murat (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=FCKdZDIWzEk

40. Dossiê Jango (2012), Paulo Henrique Fontenelle
https://www.youtube.com/watch?v=K6a6fjZKjkw#t=15

41. Marighella (2012), de Isa Grinspum Ferraz
http://www.youtube.com/watch?v=7Mw386dVhcY]

42. O dia que durou 21 anos (2012), Camilo Tavares
http://www.youtube.com/watch?v=jYQ9rvehXCw  

43. Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor: BRASIL (2012).Lúcio de Castro/ESPN
http://www.youtube.com/watch?v=cViE1fZ3tzA

44. Memórias do Chumbo - Argentina (2012). Lúcio de Castro/ESPN
http://www.youtube.com/watch?v=cCb_UjiskbA

45. Memórias do Chumbo - Uruguai (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=PBB6YQEbSwg

46. Memórias do Chumbo - Chile (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=jsoL-tQQuX4

47. Cara ou coroa (2012), Ugo Giorgetti
https://www.youtube.com/watch?v=44MNkZbOd7w

48. Repare bem (2012), Maria de Medeiros (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=-NOXy98mGTI

49. A memória que me contam (2012), de Lúcia Murat
http://migre.me/hwmYm

50. Em busca de Iara (2013), Carlos Frederico ((Trailer -Nos cinemas desde 27 de março)
https://www.youtube.com/watch?v=6mAJEQST8ZU

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dilma inaugura mais 496 casas no Residencial Vila Velha no ES




Na quarta-feira 2 de julho de 2014, a presidenta Dilma Rousseff inaugurou mais 496 casas do programa do governo federal "Minha casa, minha vida" no Residencial Vila Velha, na região da Grande Vitória no ES. Estas casas beneficiarão 1900 pessoas no município de Vila Velha. Com isso, até agora já foram entregues 16.800 casas no estado do Espírito Santo. E já estão em construção mais 30.000 casas que ainda serão entregues. A presidenta ainda destacou que nos últimos 5 anos, no governo Lula e Dilma, mais de 3.750.000 famílias brasileiras receberam sua casa própria.

Apesar do Partido da Imprensa Golpista local (P.I.G.-ES) ter tentado mentir, censurar e deturpar o sentido da visita e do discurso da presidenta, onde a ostensiva má vontade preconceituosa e MACHISTA era clara, o povo capixaba está sendo informado e está divulgando e compartilhando pela internet que, segundo afirmou a presidenta, o novo aeroporto de Vitória terá uma nova licitação e será construído. E terá uma capacidade de atender a mais de 10 milhões de passageiros por ano.

No vídeo acima, Dilma desmentiu o P.I.G. local, que divulgou a mentira de que a presidenta tentou privatizar a BR-262, demonstrando que a imprensa local ainda não aprendeu a diferença entre concessão pública e privatização. A presidenta  divulgou também que, a BR-262 será duplicada. Será feita a ampliação do cais de Atalaia. Mais de 119 milhões serão investidos em obras viárias nos municípios de Vila Velha e da Serra para corredores exclusivos de ônibus. E mais de 1 bilhão de reais do PAC serão investidos em obras de fornecimento de água e saneamento básico no ES.

A presidenta Dilma destacou ainda que, no estado do ES já temos 400 médicos do Programa "Mais Médicos" em 54 municípios capixabas. E que como consequência disso, 1.400.000 capixabas terão acesso a um médico do SUS com tratamento humanitário. Provando que o governo federal tem dado muita atenção ao estado do ES.

Depois da inauguração das 496 casas, Dilma foi participar da formatura de 63 turmas com mais de 1200 formandos pelo PRONATEC, em Vitória capital do ES. Em todo o estado do ES 188 mil pessoas estão se formando, se qualificando ou já se formaram neste programa do governo federal. Veja mais detalhes da visita nos vídeos abaixo:


sábado, 21 de junho de 2014

Renato Casagrande participa da convenção do PCdoB-ES




O atual governador Renato Casagrande, pré-candidato à reeleição ao governo do estado do Espírito Santo, discursa na Convenção Eleitoral Estadual do Partido Comunista do Brasil no ES (PCdoB-ES). Este discurso vale a pena ser assistido por toda a comunidade política capixaba, o recado foi dado!

A Convenção Estadual do PCdoB do Espírito Santo foi um grande sucesso! Hoje, (21/6) foi realizada a Convenção Estadual do PCdoB do Espírito Santo, que contou com a participação de 91 delegados e mais de 500 militantes e simpatizantes. Diversos Partidos, parlamentares e outros membros do poder executivo e legislativo estiveram presentes prestigiando o evento, inclusive o governador do estado, Renato Casagrande.

A Convenção foi a síntese de um longo trabalho realizado pelo Comitê Estadual do ES, com o apoio dos Comitês Municipais, do conjunto da militância e de todos os filiados do PCdoB-ES que participaram ativamente do esforço coletivo para o fortalecimento e ampliação da influencia do PCdoB em todo o estado, em torno das principais bandeiras do Partido e em sintonia com suas frentes de luta nos movimentos sociais, na disputa de ideias e na ampliação da participação do PCdoB nos espaços institucionais, credenciando os comunistas para realizar a maior campanha eleitoral de sua história no Espírito Santo, para eleger nossos candidatos e para reeleger Dilma, presidenta da república.

O caminho que leva à Assembleia legislativa está pavimentado e os comunistas têm chances reais de voltarem a ter representantes no parlamento estadual.

A Convenção aprovou 42 candidatos e candidatas para disputar vagas na Assembleia Legislativa; escolheu 3 candidatos à Câmara dos Deputados e indicou o nome de um camarada para ocupar a vaga de vice-governador e outro para a vaga de senador na chapa majoritária ainda não definida, tarefa a ser concluída pela direção estadual, com poderes delegados pela Convenção, embora os convencionais tenham indicado por unanimidade preferência pela coligação a ser liderada pelo atual governador e pré-candidato à reeleição, Renato Casagrande.

Também foi delegada à direção estadual poderes para a definição das coligações proporcionais, como também a complementação ou adequação da listas dos nomes aprovados como candidatos e candidatas que concorrerão a vagas para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Como disse um dos candidatos aprovados, "vou ser muito sincero: que ambiente maravilhoso o PCdoB conseguiu construir! Na realidade foi mais que uma convenção, foi um encontro de família, onde todos se alimentaram de um prato delicioso chamado PCdoB, o partido mais democrático do Brasil".

Fonte:
http://www.vermelho.org.br/es/noticia/244543-67

terça-feira, 10 de junho de 2014

Brasil está preparado para a Copa do Mundo, diz Dilma em pronunciamento

A presidenta Dilma Rousseff fez um pronunciamento de abertura da Copa do Mundo de Futebol para todo o Brasil no dia 10-06-2014.



Em mensagem ao Congresso da Fifa, Dilma diz que Brasil está pronto

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, leu nesta terça-feira (10), na cerimônia de abertura do 64º Congresso da Federação Internacional de Futebol (Fifa), mensagem em que a presidenta Dilma Rousseff diz que o Brasil está pronto “para realizar a Copa das Copas”. O evento está sendo realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo.


 
Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, representando o governo federal na abertura do Congresso da Fifa, em São Paulo.

“Trabalhamos pela Copa tanto quanto queremos ganhá-la”, afirma a presidenta na mensagem. Dilma não participou da cerimônia, mas enviou o texto, que foi lido pelo ministro no final da tarde.

No texto, Dilma destaca que a seleção brasileira foi a única a participar de todas as copas e é a maior campeã, com cinco títulos. Segundo a presidenta, o país trabalhou muito para sediar o evento pela segunda vez [a primeira foi em 1950]. “Construímos e reformamos 12 estádios espalhados de norte a sul deste país continental para que a Copa alcançasse todo o território nacional e integrasse a nação. Implantamos e organizamos equipamentos urbanos e serviços que darão suporte ao Mundial e que ficarão depois como benefício ao povo brasileiro.”

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, que abriu o congresso, disse que conversou anteriormente com Dilma e que ambos concordaram que a Copa “será um grande acontecimento”. Em discurso, Blatter disse esperar e desejar “que todas as atividades beligerantes parem nesse período e se concentrem no futebol”.

Para o congresso, que, segundo Blatter, conta com participação de representantes de todas as 209 associações que integram a Fifa, a federação contou com um forte esquema de segurança, que inclui equipamentos de raio X e detetores de metal, tal como nos aeroportos. O esquema inclui ainda a presença de homens do Exército armados.

Também participaram da cerimônia de abertura do congresso o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, a apresentadora Fernanda Lima, o cantor palestino Mohammed Assaf, o pianista Nélson Ayres e a cantora Maria Rita.

Desentendimentos

A decisão da presidenta Dilma Rousseff de não participar do evento pegou os organizadores da entidade de surpresa.

Segundo comunicado divulgado pela Fifa em abril, a entidade dizia que a presidenta tinha confirmado presença para o mandatário da Fifa, Joseph Blatter, por telefone. Porém, na noite desta segunda-feira (9), a entidade divulgou que a maior autoridade brasileira no Congresso será o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Dilma participará apenas da abertura e do encerramento da Copa do Mundo.

Nos últimos meses, Dilma e Blatter não têm falado a mesma língua. A presidenta até chegou a dizer aos jornalistas brasileiros que o dirigente era "um peso" para ela.

Mas, para além da ruptura política com o governo brasileiro, o congresso da Fifa também terá como tema central as denúncias de corrupção envolvendo a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, e as mudanças estatutárias da entidade envolvendo as eleições do próximo ano. Enquanto o presidente Joseph Blatter tenta prolongar seu 'reinado' à frente da Fifa, a UEFA de Michel Platini tenta proibir pessoas acima de 72 anos de se candidatem à Presidência. A medida afetaria diretamente o suíço, que possui 78.

Questões éticas também aprofundam o debate sobre um novo mandato de Blatter, que estuda dar um bônus como prêmio para o trabalho das confederações. A medida insinua uma clara compra de votos, ato que é negado pelo atual dirigente.


Fonte : Portal Vermelho [ http://www.vermelho.org.br/noticia/243886-10 ]

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Raymond Williams e o materialismo cultural

Camaradas, reproduzo abaixo, uma ótima entrevista do camarada Fábio Palácio ao portal da Fundação Maurício Grabois sobre o MATERIALISMO CULTURAL.

Raymond Williams e o materialismo cultural

Por Cézar Xavier *

Em entrevista ao portal Grabois, o diretor de Comunicação e Publicações da Fundação Maurício Grabois, Fábio Palácio, fala sobre a concepção materialista da cultura desenvolvida pelo pensador britânico Raymond Williams. Palácio defendeu há um mês, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a tese de doutorado “Marxismo, Comunicação e Cultura – Raymond Williams e o materialismo cultural”.

Fábio Palácio

O trabalho, orientado pelo Prof. Dr. Celso Frederico, buscou contribuir para a avaliação e absorção, no Brasil, da vertente de análise cultural desenvolvida por Williams a partir dos anos 1960, chamada de materialismo cultural. Uma metodologia que faz avançar a contribuição marxista para a análise da cultura e estabelece um novo paradigma, de grande atualidade. Leia a seguir a íntegra da entrevista.

Grabois: Desde a dissertação sobre epistemologia da teoria da informação, seu interesse está focado num debate bastante teórico. De onde vem essa vontade de estudar temas metodológicos como esta nova tese sobre o materialismo cultural?

F.P: Nosso interesse origina-se da convicção de que o marxismo vive hoje mais uma das múltiplas crises que atravessou ao longo de sua história, e das quais saiu sempre renovado e mais forte. A crise atual – como as anteriores –, embora não se origine no plano teórico, tem neste uma dimensão fundamental. Ela não será superada sem um esforço de natureza conceitual, voltado à construção de novos entendimentos e novas visões acerca daquele que é o núcleo gnosiológico do marxismo: a dialética. É importante notar, além disso, que não é possível desenvolver o pensamento dialético in abstracto. Renovar e enriquecer a dialética é algo que passa, de um lado, pela análise crítica da ciência contemporânea e, de outro, pelo diálogo persistente com os problemas colocados pela vida urbana e pela cultura moderna.

Grabois: Existe confluência entre o estudo semiótico feito no mestrado, sobre teoria da informação, e este estudo sociológico do doutorado, sobre materialismo cultural?

F.P: Não de maneira direta. Mas há um esforço comum em trabalhar importantes questões teóricas relacionadas ao desenvolvimento da dialética em chave materialista.

Grabois: Há uma resistência acadêmica, de modo geral, a análises a partir do materialismo histórico, por uma acusação de que a análise economicista seria insuficiente. Na área da cultura essa resistência me parece ainda maior. Qual sua percepção sobre a recepção de seu estudo na academia?

F.P: O economicismo pode ser entendido como a doença senil do materialismo. Doença que, sem dúvida, admoestou o marxismo em diversos momentos de sua trajetória. Porém, sendo uma doença da senilidade, o economicismo atingiu com tanto mais vigor o materialismo burguês. É essencialmente uma visão burguesa sobre a sociedade, como adverte Gramsci em seu Maquiavel. Na verdade, o economicismo é estrutural no materialismo burguês, e incidental no materialismo proletário. Se o marxismo em determinados momentos incorreu em análises economicistas, isso apenas mostra que, sendo um momento da cultura moderna, ele não está ileso de influências oriundas do campo ideológico burguês.

Assim, em certo momento de sua trajetória cognitiva, o marxismo tornou-se pródigo em posições dogmáticas sobre o esquema base-superestrutura, preocupadas em ressaltar a primordialidade das leis econômicas. É claro que essa tendência não surgiu de qualquer vontade entendida em sentido abstrato, mas de circunstâncias históricas concretas, relacionadas a condicionamentos impostos pela luta política e ideológica de classes. Em particular, na batalha contra o idealismo romântico ou religioso, certas proposições tiveram de ser enfatizadas. Com isso, o sentido profundamente dialético das intuições de Marx e Engels muitas vezes se perdeu. Vale dizer: na batalha contra o idealismo, também o materialismo marxista saiu ferido.

Entre outros prejuízos, essa tendência abriu gigantesco flanco para desacreditar o marxismo como tendência reducionista. Preso às férreas determinações da economia, ele teria falhado em examinar adequadamente a complexidade de um campo que lida com hábitos e costumes, percepções, ideias, sentimentos, valores. Na esfera da crítica literária, preocupada com o entendimento de trabalhos repletos de sentidos específicos, oriundos de experiências singulares, o trabalho teria ficado bastante debilitado, já que em diversos momentos a tradição marxista optou por, digamos, “encaixotar” a multiplicidade do conteúdo literário em modelos pré-concebidos, ditados, não raro, por compreensões reducionistas do esquema base-superestrutura.

Em uma primeira aproximação, é possível afirmar que autores como Gramsci e Williams adensaram teoricamente o debate marxista sobre as esferas da comunicação e da cultura, introduzindo aprimoramentos capazes de refinar o modelo de base e superestrutura. Ao descrever a cultura como produto de forças materiais de natureza comunicacional, Williams combateu tanto a ideia romântica de cultura como instância autônoma dos mais “nobres” valores humanos quanto, no polo oposto, a visão reducionista, pautada por um materialismo pobre, que percebe a cultura como dimensão reflexa e sobreposta à base econômica da sociedade, esta sim “material”.

A abordagem materialista de Williams, ao tempo em que pressupõe os ensinamentos dos clássicos do marxismo — e precisamente porque não os abandona —, possui o viço necessário à superação dos dilemas e impasses em que se envolveu a tradição marxista ao lançar mão, em sua análise dos problemas da comunicação e da cultura, de modelos reducionistas.

Foi este o temário da tese apresentada à ECA-USP. O texto faz uma exposição politicamente matizada do sistema axiomático do materialismo cultural — isto é, de seu sistema de suposições, categorias e procedimentos metodológicos. No tempo mesmo dessa exposição, e por meio dela, investigamos as conexões intelectuais e políticas entre o materialismo cultural e a tradição marxista. Valorizamos, em particular, um diálogo intelectual envolvendo o marxismo clássico e as obras de Gramsci e Raymond Williams. O centro de nossa argumentação está em mostrar de que maneira o materialismo cultural contribuiu para o avanço da concepção materialista histórica no campo da cultura, permitindo uma ampliação de horizontes e o enfrentamento dos notáveis dilemas que o marxismo sofreu ao abordar problemas teóricos nessa área. Consideramos, igualmente, o impacto que as concepções do materialismo cultural podem trazer às lutas políticas contemporâneas pela democratização da comunicação e da cultura.

Nossa percepção, aquilatada por meio das impressões comunicadas pela banca de avaliação, é a de que a tese foi bem recebida, podendo originar um bom livro sobre Williams e o materialismo cultural – o primeiro no Brasil de orientação efetivamente marxista.

Raymond Williams

Grabois: De que forma a questão da cultura é tratada nas obras de Marx e Engels, propiciando uma herança para o materialismo cultural?

F.P: Se por um lado os clássicos do marxismo não deixaram uma vasta biblioteca ou mesmo um único trabalho mais sistemático sobre os problemas da cultura, por outro o conjunto de sua obra é perpassado pela crítica do capitalismo em suas múltiplas determinações e aspectos, o que inclui aqueles relacionados ao domínio, digamos, “espiritual” da vida em sociedade. Simultaneamente, é necessário notar que Marx e Engels explicitaram um conjunto de elementos metodológicos de suma importância para uma abordagem materialista e dialética da cultura.

Por esse motivo é possível afirmar que, de um modo ou de outro, o conceito de cultura faz-se presente nas elaborações dos clássicos. Marx, Engels e Lenin muitas vezes abordaram de maneira aguda problemas da cultura e das artes, geralmente em cartas e anotações, mas também em trechos de trabalhos dedicados a temas outros, nos quais, porém, problemas da estética e da cultura insistiam em aflorar. Os aportes teóricos deixados pelos pais fundadores, embora breves e escassos, foram contudo suficientes para fazer do marxismo, nos albores do século XXI, uma das mais originais, influentes e críticas correntes no campo da cultura. Realidade que contrasta vivamente com aqueles que não veem no marxismo nada além de economicismo (mas que, de maneira curiosa, raramente associam o economicismo ao pensamento burguês).

As intuições originais dos clássicos, como parece óbvio, foram desenvolvidas ao longo dos últimos 150 anos por meio dos acréscimos de várias gerações de pesquisadores do campo marxista. Isso foi possível, antes de mais, pelo fato de o materialismo histórico oferecer elementos metodológicos inelutavelmente capazes de contribuir para a explicação dos importantes fenômenos e conflitos de cunho cultural que marcam o mundo contemporâneo.

Grabois: Desde Marx, e mesmo depois da análise da indústria cultural por Adorno, a cultura mudou muito, tornando-se ainda mais complexa do que já era. Quais são esses novos desafios que o materialismo cultural enfrenta? Como se situa a Escola de Frankfurt neste contexto?

F.P: Já se tornou senso comum afirmar que passamos de uma realidade marcada pela mercantilização da cultura a outra, caracterizada pela culturalização do mercado. Os fenômenos simbólicos cresceram de importância política ao longo do século XX. E o marxismo, como teoria viva e pulsante que é, não permaneceu indiferente a essa realidade.

Como afirma Terry Eagleton em Depois da Teoria, a partir dos anos 1960 o capitalismo passou a vivenciar uma nova situação, na qual o fetichismo da mercadoria e a espetacularização da sociedade foram exacerbados como forma de ampliar o consumismo e evitar os desagradáveis “encalhes” de mercadorias, com suas decorrentes crises de superprodução. A esfera cultural, antes reservada à crítica romântica, tornou-se dessa forma um espaço a mais de reificação. A própria palavra alienação veio a assumir, com o tempo, acepção não mais econômica, mas primordialmente ideológico-cultural.

Essa realidade terminou por refletir-se até mesmo nos movimentos político-democráticos, que passaram a assumir, cada vez mais, colorações identitárias. Para perceber esse fato não é necessário pensar apenas em grupos militantes como o ucraniano Femen — com suas formas de luta que, através do uso da nudez, misturam a política às insólitas estratégias de “efeito” do mundo publicitário. Toda uma gama diversa de movimentos sociais contemporâneos, como o feminista, o juvenil e o antirracista, não apenas apelam à cultura e às artes em suas estratégias de comunicação. Mais do que isso, esses e outros movimentos se autodefinem a partir de questões socioculturais. Sua organização não se dá apenas em torno de motivações econômicas, mas também, e fundamentalmente, de reivindicações simbólicas, relacionadas a políticas de reconhecimento.

O marxismo guarda hoje considerável influência junto a vários desses movimentos, como referência política e conceitual. Simultaneamente, é um paradigma de grande poder explicativo quando se trata de definir a crise civilizatória por que passa o mundo em que vivemos. O marxismo evoluiu para dar respostas às necessidades colocadas pela luta política, em um contexto marcado por novas formas e novos fenômenos do capitalismo. Esse desenvolvimento, onde e quando ocorreu de fato, não se deu pela negação dos pilares teóricos firmados pelos clássicos, mas por meio do enriquecimento dessas linhas mestras. No campo dos estudos sobre a cultura, como garante o mesmo Eagleton, muito da nova teoria nasceu de um diálogo extraordinariamente criativo com o marxismo.

A concepção materialista da história, com seu corpus teórico-filosófico extraordinariamente rico e fértil, manteve assim, de uma forma ou de outra, sua condição de centralidade. É o que vemos nos trabalhos da Escola de Frankfurt, pautados pela visão de que a humanidade viveria uma profunda crise civilizatória. E é o que vemos também na tradição dos estudos culturais – da qual Williams é um dos fundadores. No último caso, acredito que temos uma visão mais política e menos “chapada”, capaz de identificar contradições que favorecem a luta emancipadora. Se a Escola de Frankfurt tende a identificar na indústria cultural nada além de um espaço de reificação, a tradição dos estudos culturais é a meu ver mais realista: vê a cultura dita “de massas” como um espaço contraditório, capaz de veicular também a utopia, em conexão com anseios democratizantes.

Grabois: Como foi o mergulho no ambiente geográfico em que Williams construiu seu pensamento? Como era a Inglaterra de Williams quando do surgimento do materialismo cultural?

F.P: Graças a financiamento do CNPq por meio do programa Doutorado Sanduíche no Exterior, pude visitar o Reino Unido. Lá, obtive acesso a fontes indisponíveis no Brasil, realizei uma série de contatos – a maioria deles com membros da Raymond Williams Society – e conheci a terra natal de Williams, que é o País de Gales, e não a Inglaterra propriamente. O que, aliás, explica muito do pensamento do autor. É preciso conhecer o País de Gales para mais bem entender a obra de Williams. É uma nação menos rica e industrializada, secularmente dominada pelos ingleses.

Lá pude perceber, com maior riqueza de detalhes, que Williams é um pensador de formação política e cultural híbrida, cujo trabalho é resultante de múltiplas influências. Ele iniciou sua trajetória intelectual nos ambientes do movimento operário. Seu primeiro contato com os livros deu-se no Left Book Club, um anexo cultural do Partido Trabalhista, iniciativa de seus militantes para a troca de ideias através da circulação de publicações e da organização de reuniões e debates. Mais tarde, teve um curto período de militância no Partido Comunista da Grã-Bretanha, ao lado de Eric Hobsbawm, Edward Thompson e outros.

A essa formação inicial, de caráter marcadamente democrático e progressista, juntar-se-ia a longa convivência com o ambiente conservador dos estudos literários ingleses, que tinham no marxismo seu arqui-inimigo. A tradição dos estudos literários tinha caráter subjetivista. Propunha o cultivo e a disseminação de valores que teriam sido dispensados da vivência cotidiana no mundo urbano-industrial. Contra os rumos incertos da civilização contemporânea — a “civilização da máquina” – buscava-se opor a literatura, materialização dos nobres ideais da cultura. A crítica literária de extração romântica propunha, assim, uma concentração em valores extraterrenos, pretendendo-se a legítima guardiã do que restava de “digno” na humanidade. Já a crítica de base marxista propugnava o contrário: a humanidade genuína encontrava-se nas relações econômicas e na realidade incontornável da luta de classes. Nessa perspectiva, o texto literário assumiu, em mentes menos hábeis, o caráter de mero reflexo, suas causas últimas residindo sempre em uma realidade social preexistente, contra a qual o modelo literário precisava ser contrastado. Bastava essa comparação, na verdade uma remissão, e todas as características do texto surgiriam cristalinas. Embora com variações, essa posição permaneceu por muito tempo como premissa básica do pensamento marxista. Representou considerável obstáculo para a análise de autores como Joyce, Kafka e demais modernistas, descritos simplesmente como autores “decadentes”. Era uma posição que levava ao paroxismo: alguns dos melhores escritores da modernidade tinham sido gerados no bojo de uma cultura em estado terminal. Não é à toa que, como assevera Williams, nesse campo a crítica literária derrotou o marxismo. Ela foi mais capaz de oferecer, nas palavras do próprio Williams, explicações precisas e detalhadas para a consciência real, para obras repletas de uma experiência rica, significativa e específica, que não podiam ser entendidas apenas por um esquema ou uma generalização.

Situado entre dois mundos – o movimento operário e a crítica conservadora – Williams pôde perceber com clareza as vantagens e insuficiências de cada um deles. No que respeita ao marxismo, deu-se conta de que a teoria revolucionária do proletariado ainda não tinha atingido a necessária destreza na lida com os fenômenos da consciência — uma destreza já alcançada pelo idealismo burguês. Isso é, aliás, o que nos assegura o próprio Marx nas Teses sobre Feuerbach: o idealismo sempre foi superior ao materialismo no que respeita à análise dos fenômenos da consciência. Só o moderno materialismo proletário reúne condições para inverter esse jogo.

Tal percepção seria decisiva a Williams na elaboração de uma nova síntese do pensamento marxista, a qual ficaria conhecida como materialismo cultural. E a mesma percepção seria igualmente decisiva à construção de uma abordagem renovada da cultura, concretizada no nascimento dos estudos culturais. Sua fundação representou um momento de grande importância para a cultura humanística do século XX.

Grabois: O materialismo cultural avança de uma visão marxista de que toda produção cultural é reflexo da sociedade de classes para uma concepção em que a indústria cultural não é apenas reprodução, ela é também, diretamente, produção da vida material. De que forma isso altera o papel dos marxistas na análise da cultura?

F.P: A concepção desenvolvida por Williams, com antecedentes mais diretos em Gramsci, caracteriza-se por um modo próprio de pensar sociedade e cultura, concebidos como um todo, isto é, como coisas que se diferenciam apenas por suas diferentes formas de se materializar. Diferentemente da crítica literária tradicional, de base romântico-idealista — para quem o espaço da cultura existe a par da vida social, contemplando valores transcendentes e atemporais —, na visão dos estudos culturais os processos intelectuais têm base na sociedade. Não se comportam, porém, como mero “reflexo”, como se acostumou a pensar certa tradição do materialismo proletário. Ao contrário, os fenômenos culturais assumem caráter constituinte e funcionam como vetores, conferindo forma concreta aos processos econômicos, políticos e sociais mais gerais.

Os estudos culturais representam, em última instância, a codificação teórico-disciplinar de percepções marcantes da vida contemporânea, que incluem o papel destacado dos meios de comunicação ditos “de massa” e a mercantilização em larga escala da experiência humana. Na visão dos estudos culturais, esses e outros fatores levam a cultura a uma mudança de estatuto: ela sai da esfera romântica do “transcendente” e, em função de fatores como a redução da jornada de trabalho e a ampliação do tempo livre, invade a esfera do cotidiano, tornando-se componente destacado da ordem econômico-social.

Os campos da comunicação e da produção simbólica assumem assim, nesta nova etapa do desenvolvimento capitalista, condição de relativa centralidade, a ponto de muitos conceberem o atual período por meio de termos como “era da cultura” ou “sociedade da informação” (este último de uso corrente na Unesco). Seria um momento caracterizado pela ascensão econômica das indústrias criativas, pelo predomínio da comunicação dita “de massa” sobre outras formas culturais e pela progressiva feição simbólica assumida pelos conflitos ético-políticos.

Evidentemente, os estudos culturais representam um modo determinado de codificação de tais percepções, entre outros possíveis, que oscilam das abordagens democráticas às conservadoras. Senão vejamos, apenas a título de exemplo, a visão oferecida por Samuel Huntington em seu célebre “O choque das civilizações?”. Ali ele afirma: “As grandes oposições entre as espécies humanas e a fonte dominante dos conflitos serão culturais”. O autor desenvolve essa percepção em chave marcadamente conservadora.

Qual a posição do marxismo diante dessas percepções? Como interpretá-las de maneira consequentemente materialista? É necessário, em primeiro lugar, reconhecer a existência dos novos fenômenos e tendências colocados pelo desenvolvimento do próprio capitalismo. Simultaneamente, devemos construir uma interpretação que, sem abandonar premissas básicas – como a de que “o ser social determina a consciência” –, consiga ao mesmo tempo avançar no rumo de uma compreensão da cultura não como elemento reflexivo, mas constitutivo. É o que faz Williams ao longo de sua obra. Para isso, ele concebe os projetos e artefatos culturais como resultado de meios materiais de produção (que vão dos inatos, como a fala, aos tecnológicos, como a escrita e os modernos meios eletrônicos de comunicação). A cultura não é vista apenas como reprodução, mas, também, como aspecto destacado da produção da vida social.

Grabois: O materialismo cultural pressupõe uma análise da cultura conectada com o social. Isso restringe o valor da avaliação puramente estética?

F.P: Boa pergunta. Os estudos culturais, que se originam da visão construída por Williams, concebem a cultura como campo de luta em torno da significação social e, diferentemente da crítica literária tradicional, buscam extrair da análise estética sua conexão com relações sociais e de poder. O marco inicial dos estudos culturais pode ser localizado em Cultura e Sociedade, livro em que Williams materializa essa forma nova de discutir os fatos da cultura, reunindo a um só tempo análises literárias e sociopolíticas. Não se trata de menosprezar os problemas propriamente estéticos, mas de construir um modelo de análise em que esses problemas não mais sejam vistos em si mesmos, como temos na análise formalista.

Grabois: Como Williams trata o conceito de hegemonia de Gramsci em sua teoria? Tal qual, ou há uma abordagem que agrega ao conceito já conhecido?

F.P: Sob inúmeros aspectos, a teoria do materialismo cultural de Williams pode ser definida como um desenvolvimento das elaborações de Gramsci. Uma das linhas de argumentação de nosso trabalho é, precisamente, a de que a nova concepção materialista da cultura – o materialismo cultural – pode ser identificada já em Gramsci e mesmo, em última instância, nos clássicos do marxismo, incluindo Lenin.

Isso vale para o conceito de hegemonia. Williams toma esse conceito de empréstimo e vai além do ponto onde Gramsci ousou ir. Mais do que definir o que é hegemonia, Williams preocupa-se em mostrar como determinada formação hegemônica se constrói e se mantém, em conexão com formações contra-hegemônicas. Ele faz isso, em particular, através de sua tipologia das formações culturais.

Williams tem como motivação primeira combater concepções ossificadas de “dominação”. O pensador galês chama atenção para o fato de que nenhuma ordem hegemônica pode alcançar, em suas tentativas de cooptação e incorporação, o conjunto das práticas sociais. Haverá sempre áreas mais ou menos amplas da experiência pessoal e social que serão ignoradas ou dispensadas como “privadas”, “técnicas”, “marginais”, “testemunhais” ou “naturais”. Estas são, muitas vezes, as formas em que as próprias áreas excluídas se autodefinem. A isso acabam sendo compelidas pelo fato de que as definições socialmente vigentes são comandadas pelas formações dominantes.

Nessa compreensão, uma hegemonia jamais poderá ser “total ou exclusiva”. Por outro lado, os processos hegemônicos de incorporação e cooptação devem ser concretizados historicamente. Esses processos mudam, desenvolvem-se com o avanço da sociedade, podendo diminuir ou ampliar sua eficácia. No capitalismo avançado, por exemplo, a dominância habilita-se, conforme revela Williams, a cobrir áreas mais vastas da experiência. Isso ocorre devido a mudanças no ordenamento político e no sistema da comunicação social.

Ao falarmos de hegemonia, devemos antes pensar em um sistema hegemônico, composto de elementos distintos, porém interdependentes. Pois dentro de uma situação de hegemonia não encontramos apenas o hegemônico ou o dominante, mas também diversos outros elementos que indicam as formas concretas pelas quais se processa uma hegemonia. Entre esses elementos podemos distinguir, em um primeiro momento, entre formas alternativas e elementos diretamente oposicionistas. O alternativo não deve, em si mesmo, ser considerado uma forma contra-hegemônica. Pode contudo, em certos momentos, assumir esse caráter. As formas alternativas não fazem mais que expressar o hegemônico de maneiras diversas, algumas mais, outras menos distantes dos modos pelos quais ele é frequentemente reconhecido. Já o oposicionista é o contra-hegemônico em sentido estrito. Vale destacar que nem o alternativo nem o oposicionista importam em si mesmos: se pensamos realmente de maneira sistêmica, ambas as formas representam importantes indicadores da qualidade de uma hegemonia.

Nessa perspectiva, a cultura dominante ao mesmo tempo produz e limita suas próprias formas de contracultura. Devemos perceber que a admissão desse fato não necessariamente conduz à ideia de “dominância absoluta”. Como mostram claramente os processos mais diretamente políticos, formas de negociação são às vezes impostas não pelos elementos dominantes, mas pelos elementos dominados, como caminho para a extração de concessões e conquistas. Às vezes é a própria formação hegemônica que interrompe os mecanismos normais de negociação. O princípio segundo o qual “uma verdadeira hegemonia comanda suas próprias formas de oposição” não nos deve cegar para o fato de que esse processo envolve riscos. A crítica romântico-utópica do capitalismo, por exemplo, pode ser aceitável e mesmo funcional ao sistema. Porém, não podemos nos esquecer que foi exatamente do caldo de cultura legado pelas formas romântico-utópicas de crítica anticapitalista que brotou o marxismo, a forma consequente dessa crítica. Comandar suas próprias formas de oposição não quer dizer, portanto, ter pleno controle delas.

Mas a tipologia construída por Williams em seu esforço de alargamento da compreensão gramsciana dos processos contra-hegemônicos não compreende apenas o “alternativo” e “oposicionista”. Ela inclui ainda as categorias “residual” e “emergente”, que também devem ser consideradas naquilo que revelam a respeito da qualidade de uma dominância. Elas são de grande valia na operacionalização de análises históricas mais concretas e específicas, diferentes daquelas que podemos chamar de macro-históricas. O emergente talvez não requeira maiores explicações. Como o próprio nome indica, trata-se de novos significados, que podem apresentar-se na forma de práticas, trabalhos, ideias, sentimentos ou valores renovados. O emergente não se relaciona apenas com formações alternativas ou oposicionistas. É necessário lembrar que também uma cultura dominante jamais é estática: ela se renova todo o tempo, em maior ou menor medida. Assim, nunca é fácil distinguir se elementos políticos e culturais em estado de emergência representam a nova fase de um processo hegemônico ou se se trata de relações radicalmente novas.

Já o residual não deve ser confundido com o “arcaico”. Este último é totalmente reconhecido como um elemento passadista, frequentemente em sentido nostálgico ou elegíaco. No presente, tem força apenas “testemunhal”. Já o residual formou-se no passado, mas mantém-se ativo no presente: segue conservando alguma forma de eficácia. Vale notar, contudo, que o residual não necessariamente exprime sempre algum aspecto de uma dominância. Ele também pode assumir caráter alternativo ou mesmo oposicionista.

Evidentemente, se pensamos não apenas na hegemonia em si, mas em um sistema hegemônico do qual fazem parte o alternativo, o oposicionista, o residual e o emergente, a questão inteira se torna mais complexa. Os efeitos podem ser variados, podendo incluir o estreitamento da distância entre elementos alternativos, emergentes e residuais, de um lado, e oposicionistas, de outro.

Grabois: De que forma as categorias e o método de Williams ajudam na análise de produtos culturais?

F.P: Através de uma análise viva da dimensão cultural e ideológica, onde fatores sociais e culturais imbricam-se mutuamente e os fenômenos simbólicos mostram sua força como elementos constituintes da ordem social. Para enxergar os pressupostos firmados por Williams em ação é necessário conferir sua análise dos fatores determinantes do surgimento da televisão em Television – Technology and Cultural Form ou sua análise do desenvolvimento da imprensa, do teatro e de outras formas culturais na Inglaterra do século XVII em The Long Revolution. Obviamente seria impossível detalhar essas análises neste breve espaço. O interessante é acompanhar, com Williams, como forças culturais e civilizacionais vão aos poucos plasmando, em formas específicas, tendências econômicas e políticas mais gerais. Esse método não apenas contribui para o desenvolvimento e a concretização do célebre princípio firmado por Marx na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, segundo o qual “uma ideia torna-se força material quando se apodera das massas”. Ele também nos ajuda no salto da grande abstração que é o conceito de modo de produção para algo mais concreto e vivo do ponto de vista político: a noção de formação histórico-social.

Grabois: Houve alguma surpresa ou entrave durante sua pesquisa? Algo inesperado que precisou ser incorporado ao processo de análise?

F.P: Os únicos entraves estiveram relacionados a fatores externos, como prazos. Não conseguimos, por exemplo, consultar todo o material trazido do Reino Unido. No mais, o estudo deu-se por um aprofundamento da hipótese inicialmente levantada. Não houve mudanças radicais de rumo.

Grabois: De que forma sua tese contribui para o debate sobre o materialismo cultural? Qual seria o dado de originalidade para quem esteja interessado em se debruçar sobre o tema?

F.P: Investigar as conexões entre Williams e certa tradição marxista anterior parece-me um esforço até certo ponto original. Como afirmamos na conclusão da tese, é necessário integrar em definitivo Williams à tradição marxista, mas também – o que talvez seja mais importante – integrar o marxismo à obra de Williams.

Contudo, diria que o principal elemento de originalidade do trabalho talvez se encontre no lugar de onde falamos. A teoria de Williams é profundamente política, e por isso requer uma leitura politicamente matizada, conectada com as lutas e os problemas do nosso tempo. Isso, para quem vive apenas a realidade da universidade, pode ser um obstáculo intransponível. Os muros da academia são muitos altos! Creio que muito da originalidade da narrativa decorre de nossa vivência nas lutas políticas e sociais. O que, aliás, foi destacado pela banca avaliadora.

Grabois: Como você pretende explorar este tema, daqui pra frente, ou seja, para onde caminha sua pesquisa?

F.P: Há um mundo de possibilidades em aberto. Um dos campos de aplicação para o materialismo cultural, que pretendo desenvolver futuramente, diz respeito ao papel da internet e das redes sociais para o incremento das mobilizações democráticas na vida política contemporânea.

Fonte: Portal da Fundação Maurício Grabois ( http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=10&id_noticia=12990 ).