Revista Princípios Digital

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Senador americano diz que EUA ainda armam terroristas na Síria

O presidente sírio Bashar Assad recebeu na terça-feira (24) uma carta do senador norte-americano Richard Black, contendo pesadas críticas à política intervencionista dos EUA e elogios à iniciativa russa na Síria. Em entrevista à Sputnik, ele afirmou que “mais pessoas reconhecem agora o absurdo de se aliar a terroristas contra a Síria”.


Terroristas da "oposição" síria ajudados pelos Estados UnidosTerroristas da "oposição" síria ajudados pelos Estados Unidos














Em sua carta, Black disse que o conflito no país foi gerado de fora, constituindo “uma guerra ilegal de agressão por potências estrangeiras determinadas a forçar um regime fantoche sobre a Síria”.

À Sputnik, o senador lembrou que, em 2001, o general Wesley Clark – ex-líder do Comando Europeu, que inclui todas as atividades militares dos EUA em 89 países e territórios na Europa, África e Oriente Médio – revelou planos de Washington de derrubar sete “nações pacíficas, incluindo a Líbia e a Síria”.

“Aqueles planos levaram aos piores desastres da política externa na história dos EUA”, disse Black.

Segundo ele, a Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana elaborou um pretexto para atacar a Líbia, a fim de enviar as armas do então presidente Muammar Khaddafi para a Turquia e, assim, derrubar eventualmente “o governo estável e secular da Síria”.

“Antes mesmo que a Líbia tivesse entrado em colapso, agentes começaram a enviar armas apreendidas para a Turquia a partir de uma base aérea líbia ocupada. A Turquia forneceu essas armas a terroristas sírios por anos”, disse ele.

O senador, representante do estado da Virgínia, disse ainda que “as agências de inteligência ocidentais instigaram a revolução síria a fim de derrubar o Presidente Assad”, cuja liderança secular seria repudiada pela Arábia Saudita e pela Turquia, que, segundo Black, prefeririam ver na Síria uma “severa ditadura islâmica”.

“Se os turcos e sauditas forem bem-sucedidos, eles vão instalar um brutal regime islâmico dominado pelo Estado Islâmico ou pela Al-Qaida. Um banho de sangue massivo, com o estupro e a escravização de cristãos, alauítas, drusos e muçulmanos moderados se seguirá inevitavelmente”, disse ele à Sputnik.

Ainda segundo o senador norte-americano, o ataque químico de Ghouta, ocorrido em agosto de 2013 nos arredores de Damasco, foi “encenado por rebeldes para atrair a América [os EUA] para um combate direto contra a Síria”. O fato, segundo lembrou o político, foi confirmado pelo ganhador do Pulitzer Seymour Hersh, que afirma que o ataque com gás sarin na Síria foi realizado por rebeldes sob a direção de agentes da inteligência turca.

Em sua carta a Assad, Black expressou decepção diante da maneira com a qual os EUA responderam a ajuda da Rússia para a Síria – enviando mísseis antitanque TOW a terroristas. Criticando a loucura de tentar separar os "bons terroristas", aos quais as armas seriam enviadas, em oposição aos "maus terroristas" que ficariam privados delas, o senador acrescentou que o envio dos mísseis por parte dos EUA é extremamente irresponsável, na medida em que armas antitanque têm longo alcance e podem ser usadas para atacar e destruir aviões de passageiros que estiverem decolando.

À Sputnik, Black disse que, apesar do anúncio sobre o encerramento do programa de treinamento de “rebeldes moderados” da Síria por parte do Pentágono, “os EUA continuam profundamente envolvidos em treinar terroristas e em armá-los para confrontar as legítimas forças sírias”.

“Nos últimos quatro anos, os EUA treinaram 200 terroristas a cada mês apenas em bases na Jordânia. Essas jihadistas atravessam regularmente a fronteira para invadir a Síria. A CIA também administra campos de treinamento na Arábia Saudita, no Qatar e na Turquia. Dezenas de milhares de caminhões Toyota equipados com canhões de 23 mm estão sendo entregues nos portos da Turquia, a partir da Croácia, e sendo entregues a facções ligadas ao Estado Islâmico e à Al-Qaida que lutam na Síria”, disse ele.

Black observou ainda que a onda de refugiados da guerra civil síria, que já dura mais de 5 anos, só tomou as atuais proporções dramáticas na Europa “depois que o presidente [turco Recep Tayyip] Erdogan consolidou poder total na sequência das recentes eleições”.

“Eu tenho um profundo afeto pelo povo sírio, mas seu lar é na Síria. Em vez de reassentá-los no exterior, deveríamos parar de fornecer armas aos terroristas e trazer um fim à guerra”, declarou o senador à Sputnik.

De fato, segundo ele, as nações ocidentais que começaram a guerra teriam a capacidade de acabar com ela se assim o desejassem.

“Não se engane, a guerra continua unicamente porque a coligação continua a jogar lenha na fogueira. Esta guerra é impulsionada por uma série de coisas relacionadas, incluindo: 1 — os petrodólares sauditas, financiando enormes compras de armas de comerciantes de armas ocidentais; 2 — a Turquia mantendo lacunas na fronteira, através das quais ela inunda os [grupos] afiliados do Estado Islâmico e da Al-Qaida de jihadistas, veículos e armas; e 3 — comerciantes de armas ocidentais fornecendo mísseis antitanque e antiaéreos para os jihadistas”, concluiu o senador norte-americano.


Fonte: Sputnik e Portal Vermelho [ http://www.vermelho.org.br/noticia/273333-9 ]

sábado, 7 de novembro de 2015

7 de novembro: Os 98 anos da Revolução Russa


Acontecimento marcante do século 20, muda a história do país e do mundo. Primeiro estado de operários e camponeses, coloca em prática o marxismo-leninismo e constrói a primeira experiência socialista da humanidade. Seu fim é consequência de alguns erros e da contrarrevolução. Seu fim foi uma tragédia histórica que abalou a vida de quase 300 milhões de pessoas nos 15 estados que compunham a União Soviética.


No desfile dos 70 anos da Vitória na Segunda Guerra, os símbolos do socialismo voltaram à Praça Vermelha, em MoscouNo desfile dos 70 anos da Vitória na Segunda Guerra, os símbolos do socialismo voltaram à Praça Vermelha, em Moscou
Efe
















A nova Rússia, capitalista, é comandada por Boris Iéltsin, um liberal que se aproveita da dissolução do socialismo e do partido comunista incitadas por Mikhail Gorbachov para aplicar o neoliberalismo no país, conduzindo assim a economia quase ao extermínio. A queda do PIB russo faz com que o país volte a níveis econômicos anteriores aos da Segunda Guerra.

A Rússia perde influência política na Europa e no mundo. O bloco socialista, varrido pela contrarrevolução, passa à esfera de influência dos Estados Unidos. A Otan investe nas ex-repúblicas soviéticas. Cria-se um "cordão sanitário" - que de saudável não tem nada - ao redor da Rússia.

A burguesia nacionalista, emergente após a contrarrevolução e as reformas de Iéltsin, toma o poder e Vladímir Putin é seu representante. A Rússia inicia uma viragem. Acuada pelo imperialismo, para sobreviver como território soberano, baseia-se no anti-imperialismo soviético, nascido na Revolução, para defender-se da pressão cada vez maior do ocidente.


Resulta disso uma nova relação com a China, além da criação e manutenção da Organização de Cooperação e Segurança de Xangai, um olhar mais atento à Ásia e também o início de novas parcerias, como a mais bem sucedida até o momento que é a participação russa no grupo Brics.

Esse grupo, uma criação artificial de um analista econômico da Goldman-Sachs para separar as nações "emergentes" mais significativas e de maiores economias do século 21, acaba alavancando o início de uma nova política multilateral no planeta, com a participação da segunda maior economia, a China, e de governos progressistas como os do Brasil e o da África do Sul, além da Índia e da própria Rússia.

25 anos após a contrarrevolução, os russos continuam se destacando na produção de petróleo, de armamentos e na indústria aeroespacial. Apesar disso, foi somente em 2010 que o país equiparou seu PIB com o de 1990 e passou a crescer.

No plano militar, a Otan e seu "cordão sanitário" representam a ameaça de uma nova guerra fria, desta vez às portas de Moscou, já que ex-repúblicas soviéticas, como as do Báltico e a Geórgia, participam do pacto militar do Atlântico Norte.

Em agosto de 2008 a Geórgia irrompe militarmente contra a Ossétia do Sul, uma região autônoma que tinha uma guarnição de paz da ONU formada por soldados russos, iniciando uma guerra que terminará com a vitória russa e a consequente saída da Ossétia do Sul da jurisdição georgiana. A Ossétia declara independência e solicita formalmente ingresso na ONU. A Abecásia, outra região da Geórgia, também aproveita o momento e se declara independente.

Seis anos depois, um novo golpe de Estado se desenvolve na Ucrânia. Os fascistas tomam o poder em fevereiro de 2014, ao mesmo tempo que o leste do país, uma região onde o idioma russo predomina, se subleva e parte para a luta contra os golpistas.

A região da Crimeia, parte da Rússia até 1954 e sede do porto mais importante da Marinha Russa, em Odessa, também se subleva e pede a separação da Ucrânia. Em plebiscito, reunifica-se com a Rússia, o que eleva a tensão entre os Estados Unidos e seus aliados na Europa contra os russos.

A guerra se alastra no oriente ucraniano. As regiões da Bacia do rio Don, ou Donbass, como é conhecida a área que compreende Lugansk e Donetsk, declaram não reconhecer o governo central, pedem autonomia e criam suas repúblicas populares, inspiradas na organização da antiga União Soviética.

Vladímir Pútin, atual presidente da Rússia, é antigo agente do serviço de inteligência soviético, o Comitê de Defesa do Estado (KGB, na sigla em russo). Seu partido, Rússia Unida, tem inspiração social-democrata e nacionalista. Seu principal rival é o PC da Federação Russa, herdeiro do extinto PCUS e que há mais de 20 anos tem se batido contra o capitalismo reinstalado na Rússia, apesar da forte repressão.

Domenico Losurdo, em um dos artigos que ilustra esse especial, diz: "A União Soviética cede o lugar à Santa Rússia, a bandeira vermelha à tricolor czarista, Leningrado volta a se chamar São Petersburgo, os sovietes são bombardeados ou dissolvidos por Boris Yeltsin para serem substituídos pelas dumas, de feliz memoria czarista". Embora o socialismo tenha deixado de existir, suas conquistas e feitos ainda são sentidos e notados na Rússia e o povo ainda guarda o episódio com respeito e admiração.