Revista Princípios Digital

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PCdoB denuncia no Vietnã o golpe no Brasil e conclama à unidade

29 de outubro de 2016 

José Reinaldo Carvalho em sua intervenção durante o 18º EIPCO

Leia também:Leia abaixo a íntegra de José Reinaldo Carvalho:


Queridos camaradas,

Em nome do Partido Comunista do Brasil, agradecemos ao Partido Comunista do Vietnã pelas magníficas condições criadas para o êxito do 18º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

A realização deste magno evento do movimento comunista internacional num país socialista, para além de ser uma eloquente manifestação do internacionalismo proletário por parte do seu partido de vanguarda, demonstra a relevância que têm estes encontros na luta pela paz mundial, pela soberania nacional, o progresso social, a democracia, os direitos dos povos e o socialismo. É uma garantia para o avanço de nossa luta comum. Ao mesmo tempo, aponta para o fortalecimento da unidade entre os partidos comunistas e revolucionários e das forças anti-imperialistas. Desde já manifestamos nosso integral apoio à proposta de Declaração Final do nosso Encontro, apresentada pelo partido anfitrião.

Um dos aspectos mais salientes da atual conjuntura internacional é a ofensiva que o imperialismo estadunidense desenvolve na América Latina e no Caribe para depor os governos progressistas e de esquerda, como meio para controlar os mercados e saquear as matérias primas da região.

As forças de direita na região, subordinadas ao imperialismo norte-americano, intensificam as ações visando a desmantelar os processos de mudança social que se desenvolvem há quase duas décadas, período durante o qual os nossos países conquistaram importantes avanços, como o aprofundamento da democracia, a inauguração de um novo ciclo de desenvolvimento econômico, progresso social, integração solidária e soberania nacional, num processo político e econômico-social que resultou numa efetiva contribuição à paz. É de grande significação que a Comunidade de Estados Latino-americanos e caribenhos tenha proclamado o Continente como uma “zona de paz”.

Destacamos entre os aspectos positivos da situação na América Latina, a heroica vitória da Revolução Cubana em sua batalha de mais de meio século frente à agressividade do imperialismo norte-americano, com o reconhecimento pelos Estados Unidos da derrota de sua política em relação a Cuba e com o início do processo de normalização de relações entre ambos os países, que para ser levado a bom termo é necessário pôr fim ao criminoso bloqueio e à ilegal ocupação do território cubano pela base naval em Guantánamo.

Uma vitória incontestável das forças democráticas na região foi o avanço nos diálogos de paz na Colômbia entre o governo e as Farc-EP, resultado da heroica luta do povo. Nesse processo tem sido fundamental o papel de apoio e solidariedade da comunidade internacional ao respaldar as negociações e o acordo alcançado, e sua decisão de se envolver no monitoramento e verificação para a aplicação integral dos acordos. Temos plena confiança em que as forças da paz contornarão as dificuldades criadas para a vigência do acordo de paz pelo resultado negativo do plebiscito de 2 de outubro. As forças da paz e da democracia prevalecerão na Colômbia.

No cenário latino-americano adquire cada vez maior relevo a luta em defesa da República Bolivariana da Venezuela e de sua revolução, em face das constantes ameaças de desestabilização e intervenção provenientes da oligarquia local em conluio com os Estados Unidos.

O imperialismo estadunidense persiste na aplicação de uma política de permanente militarização na região. Para além da Quarta Frota da marinha de guerra dos Estados Unidos, seguem incólumes as bases militares em Curaçau, Guadalupe, Aruba, Belize, Barbados, Martinica, República Dominicana, Porto Rico, Haiti, Cuba (Guantánamo), México, Honduras, El Salvador, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Guiana Francesa, Suriname, Peru, Paraguai (Tríplice Fronteira), Argentina (Ilhas Malvinas, ocupadas pela Grã-Bretanha) e Chile. Recentemente, a vitória eleitoral de Macri na Argentina abriu as portas para que os EUA instalem duas bases militares, uma na região da tríplice fronteira, e outra em Ushuaia, Terra do Fogo, próximo à Antártida.

No Brasil, consumou-se em 31 de agosto o golpe de Estado deflagrado por instituições políticas, jurídicas e midiáticas, instrumentalizadas pelas classes dominantes. Um golpe de caráter antidemocrático, antipopular e antinacional. Os golpistas brasileiros tentam convencer a opinião pública nacional e internacional de que a destituição da presidenta Dilma Rousseff não é um golpe porque o impeachment é previsto na Constituição e todos os ritos formais foram cumpridos. Contudo, não conseguiram provar que a presidenta da República, vitoriosa com a maioria absoluta dos votos nas eleições presidenciais de 2014, cometeu crime de responsabilidade. Dessa forma, a Constituição democrática da República foi violada.

As motivações do processo de impeachment foram políticas, um pretexto para, sob uma argumentação jurídica recheada de falsidades, derrubar a presidenta da República.

Este foi o caminho escolhido pelas classes dominantes para interromper o ciclo progressista inaugurado no país com a primeira eleição de Lula, em 2002, que, malgrado as lacunas, fez com que o país avançasse na realização de importantes mudanças políticas e sociais, no exercício da solidariedade internacional e na construção de uma América Latina independente.

Essas classes dominantes, subordinadas às potências imperialistas, são inimigas da democracia, do progresso social. Não aceitam reformas ou mudanças políticas e sociais que ponham em cheque os seus privilégios.

Consumado o golpe, o novo regime das classes dominantes encontra-se em plena ofensiva para liquidar os direitos dos trabalhadores e do povo.

O mesmo se pode afirmar quanto ao posicionamento geopolítico da burguesia brasileira, alinhado com as estratégias das potências imperialistas. Dessa maneira, o golpe de Estado no Brasil exerce impacto negativo para a luta das forças progressistas no plano mundial.

Camaradas, com nossas delegações irmãs latino-americanas aqui presentes, trazemos a este 18º Encontro Internacional a boa nova de que de 26 a 28 de agosto último, realizou-se em Lima, Peru, sob os auspícios do Partido Comunista do Peru (Pátria Roja) e do Partido Comunista Peruano, o Encontro de Partidos Comunistas e Revolucionários da América Latina e Caribe. Foi um exercício de unidade, desde uma perspectiva ampla entre partidos que têm no horizonte o socialismo e exercitam em seu cotidiano a luta anti-imperialista, democrática, fomentando a convergência e a coordenação de esforços com as mais amplas correntes progressistas. É um esforço complementar ao Foro de São Paulo e de outras articulações de forças de esquerda, uma experiência que nossos partidos latino-americanos estamos disponíveis para intercambiar com os nossos camaradas de outras regiões.

Como afirma a Declaração final, aprovada por aclamação: “Uma das características notáveis nos últimos anos tem sido o restabelecimento da ideia da Grande Pátria Latino-Americana e o forte impulso apresentado pelos processos de integração realizados na região. Esta foi a principal força motriz por trás dos acontecimentos mais importantes da região, com as particularidades de cada país. Para os comunistas e revolucionários esta continua a ser uma bandeira importante que está fortemente ligada ao internacionalismo que sempre praticaram”. Segundo o entendimento dos partidos ali reunidos, a unidade é indispensável para enfrentar a contraofensiva imperialista.

Camaradas, no momento em que se realiza o nosso 18º Encontro, o mundo vive uma situação instável, conflitiva, com graves ameaças à paz. Repetimos com o companheiro Fidel Castro, que “é preciso martelar sobre a necessidade de preservar a paz, e que nenhuma potência se dê o direito de matar milhões de seres humanos”.

As intervenções militares contra países soberanos se repetem, a paz é ameaçada e o fascismo volta a se apresentar com novas e velhas aparências. No Oriente Médio, na Ásia, na África, na Europa e América Latina os fatos são contundentes a chamar a atenção dos povos, das forças democráticas e progressistas para as graves ameaças à paz. Temos assistido à aplicação da estratégia imperialista de construção do chamado “novo Oriente Médio”; à continuidade da destruição da Líbia e sua transformação em diferentes tipos de protetorados a serviço de potências estrangeiras; à guerra devastadora na Síria, provocada pelo imperialismo em conluio com regimes reacionários na região do Oriente Médio e grupos terroristas; ao golpe fascista na Ucrânia, com apoio das potências ocidentais e as ameaças de intervenção nesse país do Leste europeu; ao prosseguimento da política de ocupação, colonização, limpeza étnica e terrorismo do Estado de Israel contra o povo palestino, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense; à adoção de uma estratégia militar na Ásia, voltada para a China; à militarização do planeta; ao agigantamento da Otan e sua expansão para o Leste, numa estratégia de cerco à Rússia e às intentonas golpistas para reverter as conquistas democráticas, patrióticas e sociais na América Latina, e impedir a afirmação de forças emergentes com caráter progressista e autônomo, defensoras da soberania nacional e da criação de novos polos de poder no mundo. Este é o panorama da presente situação internacional.

O imperialismo persegue os seus objetivos estratégicos de perpetuar a existência do sistema capitalista e manter intacto o poder dos monopólios transnacionais do capital financeiro, o que requer aumentar o domínio sobre mercados, matérias-primas, rotas comerciais, fontes energéticas e avanços tecnológicos.

As ameaças de guerra da atualidade relacionam-se diretamente com o cenário de grave crise multidimensional que afeta o mundo. Aprofunda-se a crise econômica, estrutural e sistêmica do capitalismo, sistema que mostra cada vez mais sua natureza espoliadora e opressora. Para além de ser econômica e financeira, a crise do sistema é também energética, alimentar e ambiental.

Há quase uma década, prossegue a crise cíclica, indissociável da crise estrutural. Os governos a serviço do capital não encontram saídas para os impasses que criaram e suas políticas apenas agravam a espoliação dos trabalhadores e as condições de vida das massas populares.

No contexto da crise, intensifica-se a exploração dos trabalhadores e dos povos, promove-se a liquidação de direitos dos trabalhadores e das conquistas sociais. A crise aprofunda e agrava as contradições sociais.

As ameaças à paz mundial e aos direitos dos povos estão diretamente ligadas com a concentração do poder econômico e político mundial em mãos de um punhado de grupos econômicos e financeiros e grandes potências. A expressão mais recente desse fenômeno é o Acordo Transpacífico, a Parceria para o Comércio no Pacífico (TPP) e a Aliança do Pacífico.

Paralelamente a esse fenômeno, ocorrem significativas mudanças na ordem mundial, com a decadência de certas potências e a emergência de novos polos de poder, acarretando importantes modificações nas correlações de forças.

Os EUA continuam a ser a potência hegemônica do mundo capitalista e o mais poderoso Estado do mundo. Mas o declínio do seu peso relativo é uma realidade que se procura contrariar com a imposição do seu domínio nas relações econômicas e acentuando perigosamente a sua estratégia agressiva visando submeter ou destruir todo e qualquer poder que lhe resista.

É cada vez mais questionado o papel hegemônico do dólar como moeda de reserva e troca universal e a reivindicação de reforma do Sistema Monetário Internacional.

Neste contexto, a par das uniões das grandes potências, no quadro da globalização capitalista, emergem novos espaços de integração e coordenação multilateral, como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Organização de Cooperação de Xangai, a Aliança Bolivariana para os povos da nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (Alba) e o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Esses fenômenos são expressões das contradições geopolíticas e econômicas na atualidade e têm implicações nos conflitos em gestação.

No quadro geral da situação mundial, há que ressaltar como fator fundamental para alterar a correlação de forças e acumular os fatores objetivos e subjetivos para as rupturas necessárias, a luta dos trabalhadores, dos povos e das nações, pelos direitos e o progresso social, pela paz, a democracia, o desenvolvimento e a soberania nacional. Como partidos comunistas e revolucionários, seguimos defendendo com mais convicção do que nunca, a perspectiva histórica do socialismo.

Viva o 18º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários!

Viva o Partido Comunista do Vietnã!

Viva o Internacionalismo Proletário!



Fonte: Portal Vermelho ( http://www.vermelho.org.br/noticia/288954-1 ).

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fatores fundamentais da Arte da Guerra nas mídias digitais

Não é novidade para ninguém que trabalha com assessoria de comunicação o lugar destacado da internet e, por consequência, das redes sociais. 



A Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM) realizada pela Presidência da República, divulgada em 2015, informa que 48% dos brasileiros usam a internet e ficam em média cinco horas conectados por dia, tempo superior ao gasto com a televisão que é o veículo mais popular do país com 95% de preferência. Entre esses, 92% estavam conectados por meio de redes sociais, principalmente o Facebook (83%), o WhatsApp (58%) e o Youtube (17%).

A título de exemplo, desde fevereiro de 2011, quando começou oficialmente suas operações no Brasil, o Facebook alcançou a inacreditável marca de 92 milhões de usuários! No mundo, em 2015, já são mais de 1,49 bilhão de usuários. Um espaço de atuação nada desprezível, concordam?

A plataforma de internet é um espaço privilegiado para atuação dos mandatos parlamentares porque dispensa os tradicionais mediadores, ao mesmo tempo exige uma atenção específica, e é aí que entra a figura do “social media marketing”. Essa função é recente, e por isso ainda estigmatizada ou classificada como dispensável. São esses profissionais os responsáveis pelas ações, estratégias, relacionamento e produção de conteúdos que integram a comunicação de uma instituição ou, no nosso caso, de um mandato.

O mandato do deputado Chico Lopes tem uma estrutura de assessoria de comunicação que privilegia a atuação nas redes sociais. Nosso formato conta com um assessor de comunicação digital e um assessor de imprensa/comunicação.


Para atuar bem nas redes sociais é preciso conhecer o perfil do parlamentar, seus objetivos e o público a quem se destina sua comunicação, o público-alvo. Essa é a base de um bom trabalho, além de, naturalmente, um pouco de pimenta.

O deputado Chico Lopes está presente no Facebook –onde concentramos 90% da nossa atuação nas redes – também no Twitter e YouTube, que se dividem nos outros 10% de nossas ações. Essa preferência acontece não por ignorarmos, ou darmos menor importância, para outras redes, mas pelo fato de que cada estratégia pede um nível de comprometimento e foco. Agora, nosso foco é o Facebook.

Iniciamos nossa atuação específica nesse segmento em 2009 e ao longo de sete anos chegamos a marca de quase 80 mil curtidores. Mas isso é só um detalhe. A média, no ano de 2015, de alcance da página bate 3 milhões por semana, chegando a alcançar, em um determinado período, mais de 15 milhões de pessoas em sete dias. Isso significa dizer, por exemplo, que alcançamos em torno de 70 vezes mais do que o número de pessoas que curtiam a página naquele período. O nosso público é composto por 47% de homens e 53% de mulheres; destes, 52% estão entre os 18 e 34 anos e detém maior presença na página. Somente na capital cearense, temos um número em torno de 42.872 pessoas, o que garante para a página um alcance médio, dentro de Fortaleza (e somente), de pelo menos 105.066 por semana.
Viva o amor e faça a guerra!

“O General que compreende a guerra é o ministro do povo e o protetor da nação” Sun Tzu 

Cada assessoria deve desenvolver sua própria metodologia de trabalho com as redes sociais. A experiência com o deputado Chico Lopes nos mostrou que é preciso disputar opinião e estar atento às possibilidades. Posicionamentos firmes acerca dos temas mais polêmicos em discussão rendem bons debates e ampliam a influência do parlamentar. Essa talvez seja a maior lição que extraímos do nosso trabalho nos últimos 3 anos. Um pequeno caso para ilustrar o que estamos falando:

#LoveWins (Facebook)

Com a aprovação do casamento homoafetivo em todos os 50 estados norte-americanos, as redes sociais se dividiram entre mensagens de amor e ódio. Mensagens positivas e negativas disputavam espaço a cada atualização. Foi quando entramos com a foto do perfil do deputado Chico Lopes coberta com um sutil, porém visível, arco-íris. Dezenas de mensagens questionaram, naquele momento, a sexualidade do deputado. Em questão de minutos – talvez segundos, já que o nervosismo era grande por conta da polêmica – criamos uma peça única para responder todos os questionamentos que provavelmente viriam a seguir, reforçando os ataques. Uma singela bandeira LGBT com os seguintes dizeres “eu não preciso ser gay para lutar contra a homofobia.” Em questão de minutos (aí sim, minutos mesmo), a peça já havia sido compartilhada mais de 5 mil vezes e em 24 horas bateu a marca de 169.289 curtidas, 2,2 mil comentários e 169.721 compartilhamentos.

Para determinar a estratégia de atuação das redes, nos valemos de preciosos conselhos de alguém que não era social media, mas entendia muito das táticas de combate. Em A Arte da Guerra, Sun Tzu observa que é importante avaliar o terreno e utilizá-lo a seu favor, com suas vantagens e desvantagens; que é imprescindível conhecer a si mesmo, assim como ao seu exército, e os possíveis inimigos que enfrentas; que é preciso avaliar o momento oportuno de atacar e de recuar. Esses, entre outros aspectos citados nesse valioso livrinho, são pontos que observamos como primordiais na nossa rotina de convivência nos meios. AArte da Guerra é um manual de estratégia para as redes sociais.

Eu costumo dividir a estratégia de Sun Tzu em cinco tópicos, que são claros como estratégia de guerra (ops!), de uso das redes sociais, tendo sempre em vista que guerra, para Sun Tzu, era a arte de se defender e atacar somente quando extremamente necessário, seguindo estratégias bem definidas.Vamos a elas:

Terreno: É extremamente importante definir em quais terrenos iremos combater. Sendo objetivo: qual rede social se adequa mais a nossa estratégia de comunicação direta com nosso exército e futuros soldados? Facebook, Twitter, Instagram, Youtube, Snapchat… Opções não faltam. É preciso analisar o melhor terreno e montar acampamento. Mas, lembre-se, as condições podem ser sazonais. Não é errado trocar o local quando necessário. Vença em todos!

Metodologia: Definido o terreno, é sempre importante explorar os métodos de utilização possíveis. Vídeos, textos, gifs, imagens, entre outros. A partir disso, trace um plano de atualizações adequado à sua realidade.

Doutrina: Disputar espaço na timeline do internauta não é uma tarefa fácil, é preciso ter disciplina! Estudar os melhores horários (que mais repercutem) é imprescindível. Sempre aposte e poste neste horário.

Influência moral: Atualizar o seu exército com informações para que eles travem suas próprias guerras. Ser o canal de informação relevante é influenciar e garantir as ferramentas necessárias para que sua rede de contatos tenha autonomia e iniciativa para debater dentro e fora da sua página.

Comando: Convoque-os para a guerra. Chame seu exército para enfrentar os inimigos, em seu terreno, através de seus métodos, utilizando sua influência moral sobre eles. É hora do ataque ou da defesa e seu poder de fogo é o número do seu exército. A palavra aqui é mobilização!

Clique aqui e ganhe muitos seguidores

Um ponto constante nas preocupações de quem lida com redes sociais diz respeito ao número de curtidores. Ter muitas curtidas ou muitos seguidores não significa, necessariamente, que uma página ou perfil tenha influência. São conhecidas as técnicas de agências ou profissionais de mídia que inflam o número de seguidores usando os recursos mais indecentes, desde a criação de perfis falsos até a utilização de robôs para alavancar, falsamente, os números.
Embora não deva ser algo a ser perseguido a qualquer custo, o aumento de número de seguidores/curtidores é desejado, e deve ser consequência natural do trabalho com as redes. O número de seguidores pode determinar a influência de um mandato e o aumento gradual pode ser conquistado através de alguns caminhos.

A evolução da página do deputado Chico Lopes foi gradual, sem divulgação paga. Os saltos em quantidade de curtidas obedecem uma certa métrica e momentos históricos (como o #LoveWins, quando ganhamos mais de 7 mil curtidores em um dia). Atrair novos seguidores/curtidores faz parte de um processo de dinamização e renovação do conteúdo das páginas, que, por sua vez, reflete as ações do mandato e do próprio parlamentar.

O que vem por aí

As redes sociais não são passageiras. Há quem acredite que até 2020 elas poderão superar a TV tanto em verba publicitária, quanto em nível de importância e credibilidade nas informações. Elas podem servir como escudo ou espada. Uma postagem pode levar uma pessoa ao céu, mas também ao inferno. Por isso, é muito importante uma gestão profissional que trate com responsabilidade a geração de conteúdo, já que por elas (as redes sociais) você irá se conectar ao seu eleitor – passado, presente ou futuro – sem a intermediação da dita grande mídia. Nas redes, não se travam guerras apenas paras as redes. Se travam guerras para além dos bites e teras disponíveis. #VemPraRua que o diga!

É difícil, devido à dinâmica, tentar falar sobre as tendências da internet. Mas certos movimentos clareiam esse horizonte, que por vezes é turvo. A internet no Brasil está em um processo de melhorias. Tecnologias como internet 4G colocam em nossas mãos poderosas ferramentas que hoje, sem o sofrimento de outrora, nos permitem, por exemplo, assistir a um vídeo sem travar. Não é à toa que estamos vivenciando o surgimento dos digital influencers (influenciadores digitais), que entram na sua casa através do seu celular, tablet ou TV e lhe dizem qual é o melhor jogo, a melhor roupa ou a melhor maquiagem. Os vlogs (vídeo logs) voltaram!

O próprio Facebook aposta no “vídeo ao vivo” para garantir a dinâmica na sua rede. Aliás, já percebeu que agora você não precisa nem dar play para o vídeo começar a rodar na sua timeline? O Youtube com “canais on demand”, onde você decide o que e a que horas irá assistir aos programas que você gosta, e que estão disponíveis.

Não é possível prever o futuro da comunicação na internet, por isso, é importante se manter antenado, dialogando com as novidades e com as tendências, mas se tivesse duas fichas eu apostaria tranquilamente em TV sob demanda e criação de conteúdos em vídeo para internet – principalmente Youtube.

Façam suas apostas!


*Thallis Cantizani é publicitário, assessor de comunicação digital do deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE).



FONTE: PORTAL VERMELHO.
[  http://www.vermelho.org.br/noticia/284933-1  ]

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Duas táticas. E o esquerdismo Geist der utopie*

     Sergio Barroso * 22 de Julho de 2016 - 18h58

“Decerto que um defensor da revolução proletária pode concluir compromissos ou acordos com capitalistas. Tudo depende de que espécie de acordo se conclui e sob quais circunstâncias” (Lênin, “Sobre os compromissos”, março-abril de 1920).


Chega a ser enfadonho, tristonho mesmo, ter que constantemente repisar elementos fundamentais de lógica da ciência política marxista para os nossos infelizes dogmáticos (de causa interesseira) e que sempre arrotam dar conselhos à esquerda. Mesmo que a história já os tenha ensinado de maneira cristalina, inúmeras vezes.

Exemplos: em 1985 a recusa de derrotar a ditadura militar pelo Colégio Eleitoral (ademais, o PT se negou a liberar os votos para ajudar a eleger a chapa Tancredo-Sarney); trotskistas e o PT insistiram no movimento inútil “só diretas”; mais na frente, o voto contra o texto Constituição de 1988 alegando sê-la “burguesa”; recentemente o abandono da Presidenta Dilma, pretextando a luta contra o “ajuste fiscal” ao invés da principalidade política da batalha contra a conspiração aberta pela direita ultraliberal; no que se seguiu uma completa subestimação inimiga ao desdenhar da marcha golpista de 2015 de amplos setores à esquerda; no que se somaram a outros que se juntaram objetivamente ao golpe ao defender um “Fora todos” igualando Dilma aos golpistas; O PCdoB propôs enfaticamente uma “Frente ampla, democrática” para barrar o golpe insidioso, ao invés de uma “Saída pela esquerda” como alguns defenderam.

Estes são alguns fatos políticos e históricos comprovados da infantilização, da desorientação e mesmo de covardia presentes atualmente no espectral arco do esquerdismo brasileiro. No essencial, caminhos sinuosamente opostos em matéria de tática política. Covardia por não enfrentar a sua própria ausência, por inventar atalhos falsos e de autossatisfação.

Manobras no quadro defensivo

“Aceitar o combate, quando é claramente vantajoso para o inimigo e não para nós, constitui um crime, não servindo para nada os políticos da classe revolucionária que não sabem ‘manobrar’, que não sabem concertar ‘acordos e compromissos’ a fim de evitar um combate que todos sabem ser desfavorável” (Lênin, Esquerdismo, doença infantil do comunismo, cap. “Nenhum compromisso? ”)

Se aprovado definitivamente no Senado, o golpe mal disfarçado de “impeachment” imporá uma profunda derrota do ciclo iniciado em fins de 2002. Mas o revés já ocorreu, em qualquer das hipóteses. Óbvio que sempre soubemos e aprendemos com o caráter cíclico, sinuoso e resolutivamente súbito das lutas de classes – mesmo da trajetória das revoluções. Mas tem muita gente boa que não aprende! Refiro-me especialmente aos que subestimavam o golpe travestido - uma vasta operação conjugada e ainda não desvelada por completo.

De fato, enfraquecido já desde o resultado geral das eleições de 2014, o segundo governo Dilma deparou-se ainda com seu partido sempre sequioso pelo hegemonista, mas alvejado violentamente, fraturado e sem rumo, num quadro de forças visivelmente adversamente polarizado. No início de fevereiro de 2015, a candidatura do PT à presidência da Câmara, com nosso apoio, revelou-se um fiasco e um grave erro.

Somou-se a isso a ideia governamental de um “ajuste fiscal” para retomada do crescimento, o que se colou ao espraiamento à periferia da crise e descenso do ciclo de commodities, a crise local do setor hidro-energético, levando o país afundar numa severa recessão que ameaça juntar três anos de PIB (Produto Interno Bruto) negativo. Razões variadas (e alegadas) somaram a empurrar a Presidenta eleita a um labirinto.

Noutras palavras, a um certo primarismo político da nossa Presidenta seguir-se-ia um isolamento sem precedentes da eclética coalizão governista, inobstante inúmeras críticas vindas de vários setores sobre a condução política, principalmente, e da econômica. Esta última fulminada pelo deslocamento pendular da crise originada em 2007-8 nos países centrais à América Latina.

A repetição farsesca do “só-diretas”

Imposto o afastamento provisório da Presidenta, o PCdoB alertou pública e documentadamente para a marcha golpista, desde maio de 2015. Desdobrou então sua posição tática na ideia de um plebiscito para a decisão, ou não, de antecipação de novas eleições presidenciais. Não eleições “gerais”, como praguejava o trotskismo contrarrevolucionário e correntes políticas utópicas. Apesar dos combates, a cristalização de grandes manifestações de rua revelou maior apoio a um desfecho contra Dilma Rousseff. A influência da campanha solerte da Policia Federa, do Ministério Público Federal, de membros do Supremo Tribunal Federal, da mídia tradicionalmente golpista, vem sendo não só muito poderosa, como inconteste o questionamento internacional (inesperado).

No PT, algumas de suas correntes, sempre metidas a sábias - os que faziam chacota da possibilidade do impeachment -, até agora truncam a proposta do plebiscito, vez por outra alegando até que o seria “capitulação”. Ora, uma farsesca colagem da proposta defendida pelo mesmo PT de não se participar das eleições indiretas, via Colégio Eleitoral em 1985, e orientando que se permanece com a bandeira do “só-diretas”. Aqui, no final, uma derrota tão desoladora quando da votação para a admissibilidade na Câmara de março de 2016: o finado Tancredo Neves derrotou Maluf (480 votos contra 180).

Claro que a proposta do plebiscito - que recebe crescente adesão de variados setores organizados e intelectuais democráticos - representa uma bandeira afirmativa para abordagem das massas populares, ausentes da luta política e desnorteadas coma rápida deterioração e mudança brusca na situação social e política do país. A decisão de não sustentar o governo, mas também de não ir às praças contra Dilma prevaleceu amplamente até sinais de natural exaustão da militância mais ativa e sua miríade aliada.

Evidente assim que, no quadro criado, o “Fora Temer” ou o “Fica Dilma” leva à petrificação por sobre dois resultados de votação seguidos (Câmara e Senado) humilhantes. Terreno frustrado: as derrotas seguidas representam o esgotamento de um ciclo, onde as bases de recomposição do governo Dilma aprecem inócuas.

Alianças pontuais, alvo principal. Compromissos

Repisemos aqui: uma primeira ideia basilar, e lição política decisiva do Leninismo, é que as marchas e contramarchas da luta de classes impõem a necessidade objetiva dos comunistas encetarem acordos e compromissos com seus adversários - por absolutamente óbvio, não só com aliados.

Uma segunda ideia sequencial, acima exposta por Lênin, expressa explicitamente que os comunistas fizeram, fazem e farão “acordos e compromissos”, indireta ou mesmo diretamente, com forças burguesas e outras. Alianças políticas e militares são anteriores a Jesus Cristo, continuam e continuarão a se realizar, escancaradamente ou não. Quem as omite o faz por puro oportunismo, nada mais.

Aliás, alianças passaram a ser uma espécie de modus vivendis da atividade política moderna, de maneira a se tornarem indispensáveis. Outro exemplo incontornável: a presença do banqueiro Henrique Meirelles, como presidente do Banco Central, em dois governos do presidente Lula. Ou ainda, a presença duas vezes na vice-presidência de Lula de José de Alencar, então o maior empresário do ramo têxtil da América Latina. Inobstante, sabemos que predominava originalmente no petismo a ideia (obreirista, demagógica) de que “trabalhador vota em trabalhador”; ou outros tinham como slogan, “PT: diferente que tudo que está aí”.

Aliás, é fundamental recordar: foram Henrique Meirelles, Antônio Palocci, sob Lula, quem deram o tiro mortal da liberalização financeira, bem após Marcílio M. Moreira e Gustavo Franco. Em março de 2005 a abertura irrestrita da conta de capitais do balanço de pagamentos, o símbolo universal do capitalismo arreganhado à financeirização neoliberal, foi sacramentada! O PT não abriu o bico...

Agora, teóricos da socialdemocracia petista - e outros fora do PT -, como o professor André Singer, consideram que o deputado Rodrigo Maia, presidente recém-eleito da Câmara, “cujo perfil sociológico tucano tem a cara dos tempos vigentes, está agora livre para consumar a liberalização”. [1] Para o politólogo Antônio Carlos Queiroz, especializado em análise do parlamento brasileiro, “Rodrigo Maia não é baixo clero. É um quadro liberal, formado. Tem ideologia”. [2]

Ilusão e bobagens. Os dois tergiversam: a liberalização da economia brasileira, comprovadamente, já foi feita pelo governo do presidente Lula; não só isso: os dois governos de Lula desindustrializaram o país, justamente com a política de valorização cambial, deliberada, comandada por Meirelles. E Lula teve como porta-voz o mesmo professor Singer, entre 2003-2007. Queiróz parece ter esquecido que Eduardo Cunha - cujo candidato Rosso, também de Temer, foi derrotado por Maia -, em pouquíssimo tempo, além de aprovar projetos ultrarreacionários e fundamentalistas, pôs na linha de tiro o que generaliza a terceirização, tudo antes de aprovar a abertura do processo de impeachment contra Dilma defendido e operado por burgueses reacionários e neoliberais.

O neoliberalismo é sabidamente fenômeno mundial e da nossa época, e o Brasil nunca entrou na era “pós-neoliberal”. Diz respeito ao processo engendrado de hegemonia do grande capital financeiro em suas diversas formas, assim como corresponde ao padrão de acumulação capitalista imposto pelas políticas fabricadas na atual etapa do imperialismo. Trata-se de empulhação creditar a um presidente X ou Y de uma parte de um parlamento nacional a capacidade de “consumar a liberalização”.

Evidente, por suposto, que Maia e Rosso não são a “mesma coisa”: não poderiam ser, e por isso não somaram a fortalecer uma única candidatura, decisiva para o golpista Temer e todos os setores que querem impor a agenda ultraliberal. A atual quadra política, de longa crise institucional no Brasil, produziu e produzirá fraturas quanto aos interesses de forças econômicas e sociais poderosas e das classes dimanantes daqui e alhures. Não se pode ter dúvidas quanto a nossa capacidade de interferir nisso. Essa é a experiência de acertos na tática do PCdoB – mas erros sempre haverá.

Interessa vivamente para as forças progressistas, democráticas e revolucionárias explorar as mínimas diferenças entre os conservadores, ainda que esse movimento seja apenas uma tentativa, pois, não existe uma tática justa que tenha certificado de garantia que “dará certo”.
Pois bem: ir ao Colégio Eleitoral redundou em José Sarney como presidente, ex-ARENA, partido sustentáculo do fascismo, quem veio a legalizar os partidos comunistas e suspender a Portaria que impedia o livre funcionamento das centrais sindicais. Sarney foi um presidente democrático, que veio depois, no Senado, a ser muito importante na consolidação do primeiro e segundo governo de Lula. Mas foi o PT, parte importante da intelectualidade, trotskistas de vários matizes que se opuseram radicalmente ir ao Colégio Eleitoral.

O que não significa que Maia tome isto como exemplo – claro que não e até porque suas condições e capacidade de operar, e estatura política são inferiores e limitadas. E o que não quer dizer que ele não esteja alinhado com o ideário liberal.

Movimentos aliancistas variadíssimos são imperativos, especialmente quando o quadro concreto de forças está impondo derrotas as correntes revolucionárias, progressistas. Ou quando conquistas estratégicas estão claramente ameaçadas e parcelas imensas das classes trabalhadoras e os setores populares organizados não conseguem mobilizar multidões para darem consequência prática as ações políticas da tática. As massas estão “ariscas” ou desmobilizadas em torno de tal qual líder, partido, qual candidato etc.

Um exemplo distante, não análogo, mas digno de reflexão, em matérias de alianças nesta quadra atual de ofensiva neoliberal - e mesmo neofascista -, pode ser recolhido da decisão do PCP (Partido Comunista Português) em dar apoio à formação do governo do PS português, uma arquirrival desde a Revolução dos Cravos (1974) e transmutado neoliberal. Baseado numa carta de compromissos contra as políticas destrutivas do PSD-CDS, o “compromisso”, inesperado e correto, surpreendeu a todos.

Ora, Engels alertara: a “objetividade” das lutas de classes, que requerem fases, etapas intermediárias e compromissos criados “pela marcha da evolução histórica” são fenômenos que nos recomenda não os saltar, à medida em que são nítidos seus [nossos] objetivos estratégicos ou finais. Mas isso é válido para adeptos do materialismo dialético, não é do alcance à esquerda que se ausenta, a esquerda caça-fantasmas.

Cretinismo jornalístico

Provavelmente atacado pela síndrome da provocação, um jornalista petista, a propósito da recente batalha das eleições da Câmara teve o cinismo de acusar o PCdoB de “cretinismo parlamentar”, por votar, no segundo turno, após ter lançado candidato, no deputado Rodrigo Maia. Como o dito é vinculado a uma das alas do PT, o chilique é apenas aparentemente gratuito. Sabe-se, além, que o esquerdismo pequeno-burguês por aí afora pareceu incomodado com as posições arrojadas e na frente das batalhas que manifestou o PCdoB.

Ocorre que esse articulista e blogueiro, sequer sabe que “cretinismo parlamentar”, conforme Marx e Lênin, diz respeito a visão e a prática de parlamentares que subordinam os interesses do conjunto de seu partido, da nação e dos trabalhadores aos seus interesses pessoais e a sua atividade parlamentar. Noutras palavras, os “cretinos” consideravam que o sistema parlamentar é superior, e a atividade parlamentar a única e principal forma de luta política em todas as condições. O que todos sabem não é de nenhuma forma as características de um partido como o PCdoB. Basta olhar o protagonismo da UNE e da CTB, organizações de massas dirigidas pelos comunistas em alianças – sempre! - com outras forças e correntes políticas.

O dito quis ainda inventar uma alternativa - que deveria ser seguida pelos seus conselhos políticos -, aliançando PSOL/PMDB/PT/PCdoB numa mesma chapa à presidência, uma charlatanice, completamente inviabilizada pelo rechaço imediato do PSOL e da ala do PMDB de Castro; comprovada pelo voto dele – como votou no segundo turno – no deputado do chamado “centrão”!

Coquetel Molotov

Reflitamos finalmente. Tem gente que fica arrepiada quando ouve falar de Viatcheslav Molotov.

Molotov era um terrível traidor e conciliador burguês quando em 1937 assinou o pacto com o nazista Joachim Ribbentrop? Absolutamente nada disso: os comunistas soviéticos e o chanceler de Stalin tinham convicção que era necessário ganhar tempo para conduzir a industrialização para a guerra. Tratava-se de impedir um ataque inesperado de Hitler, vez que a situação de despreparo das defesas militares da URSS exigia ganhar tempo. Reclamava-se a urgente neutralização temporária de uma ofensiva nazista que se anunciava devastadora.

Assim, Molotov fez, claramente, acordo – “compromisso” político e militar - com Ribbentrop, o ministro das relações exteriores de Hitler e sabe-se o resto. Mas recorde-se ainda que, a vitória na 2ª Guerra Mundial contra o nazi-fascismo exigiu “acordos” inigualável, até hoje, materializado numa aliança integral entre as lideranças Stalin e Roosevelt e Churchill, dois eméritos direitistas e liberais burgueses.

Evidente que não se trata de analogia histórica, mas de se constatar sobre a necessidade de em “quais circunstâncias” táticas e estratégicas (Lênin) os comunistas se posicionam para empreender “certos” compromissos. De não se acovardar em levar à prática valiosas lições da história da luta de classes.

No caso do PCdoB e sua trajetória gloriosa, há “compromissos” sempre pensando em como, em situações de defensiva política, pode-se abrir frestas, paralisar ataques demolidores dos inimigos do povo, da nação e da democracia. Democracia que exige a imperiosa presença dos lutadores pelo Programa Socialista no Brasil.

*Duas táticas. E o esquerdismo espírito da utopia

NOTAS




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* Sergio Barroso é médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB.
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terça-feira, 5 de abril de 2016

Gibi da LUTA DE CLASSES SOCIAIS no Brasil de 2016

Na luta revolucionária pelo aprofundamento da democracia no Brasil surgem obras geniais como este gibi abaixo, ele trata do atual estagio da LUTA DE CLASSES SOCIAIS em nosso país... Ele é simples, claro, direto e de fácil entendimento por todo o povo brasileiro... VAMOS COMPARTILHAR CAMARADAS! O BRASIL PRECISA DA SUA AJUDA AGORA, DIVULGUE!

#NãoVaiTerGolpeVaiTerLuta
Abaixo veja a versão completa:


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Socialismo e Religião

Texto de Vladimir Ilitch Lênin, escrito em 3 de dezembro de 1905


A sociedade contemporânea baseia-se toda na exploração das enormes massas operárias por uma minoria insignificante da população, pertencente às classes dos proprietários de terras e dos capitalistas. Essa sociedade é escravista, pois os operários “livres”, que trabalham a vida toda para o capital, “têm direito” apenas aos meios de subsistência indispensáveis para sustentá-los como escravos produtores do lucro e para assegurar e perpetuar a escravidão capitalista.


A opressão econômica dos operários gera inevitavelmente todas as formas de opressão política, de humilhação social, de embrutecimento e obscurecimento da vida espiritual e moral das massas. Os operários podem alcançar uma liberdade política maior ou menor para lutar por sua libertação econômica, mas nenhuma liberdade os livrará da miséria, do desemprego e da opressão enquanto não for derrubado o poder do capital. A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda parte sobre as massas esmagadas por seu perpétuo trabalho para outros, pelas privações e pelo isolamento. A impotência das classes exploradas na luta contra os exploradores gera tão inevitavelmente a fé numa vida melhor após a morte como a impotência dos selvagens na luta contra a natureza gera a fé em deuses, diabos, milagres etc. Àquele que toda a vida trabalha e passa necessidades, a religião ensina a resignação e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste. E àqueles que vivem do trabalho alheio, a religião ensina a filantropia na vida terrena, propondo-lhes uma justificação muito barata para sua existência de exploradores e vendendo-lhes a preço módico bilhetes para a felicidade celestial. A religião é o ópio do povo. A religião é uma espécie de aguardente espiritual ruim na qual os escravos do capital afogam sua imagem humana e suas reivindicações de uma vida minimamente digna.

Mas o escravo que se deu conta de sua escravidão e se ergueu para a luta por sua libertação já deixou pela metade de ser escravo. O operário consciente moderno, formado pela grande indústria fabril e esclarecido pela vida urbana, repele com desprezo os preconceitos religiosos e deixa o céu à disposição dos popes(1) e dos carolas burgueses, conquistando uma vida melhor aqui na terra. O proletariado moderno põe-se ao lado do socialismo, que se vale da ciência na luta contra o nevoeiro religioso e liberta os operários da fé na vida após a morte por meio de sua arregimentação para uma verdadeira luta por uma vida terrena melhor.

A religião deve ser declarada um assunto privado — com essas palavras se exprime habitualmente a atitude dos socialistas perante a religião. Mas é preciso definir com exatidão o significado dessas palavras para que elas não causem nenhum mal-entendido. Exigimos que a religião torne-se um assunto privado em relação ao Estado, mas não podemos de modo algum considerar a religião um assunto privado em relação a nosso próprio partido. O Estado não deve manter conúbio com a religião, e as sociedades religiosas não devem ligar-se ao poder estatal. Cada um deve ser absolutamente livre para professar qualquer religião ou para não reconhecer nenhuma, isto é, para ser ateu, o que todo socialista geralmente é. São absolutamente inadmissíveis quaisquer diferenças entre os cidadãos quanto a seus direitos conforme suas crenças religiosas. Deve ser totalmente eliminada até mesmo qualquer referência à religião dos cidadãos em documentos oficiais. Não deve haver qualquer subvenção a uma Igreja estatal nem qualquer pagamento de somas do Estado a sociedades eclesiásticas e religiosas, que devem tornar-se associações de cidadãos correligionários absolutamente livres e independentes das autoridades. Só a satisfação plena dessas reivindicações pode acabar com aquele passado vergonhoso e maldito em que a Igreja se encontrava numa dependência servil em relação ao Estado e em que os cidadãos russos se encontravam numa dependência servil em relação à Igreja estatal, em que existiam e eram aplicadas leis medievais e inquisitoriais (que ainda hoje permanecem nos nossos códigos e regulamentos penais) que perseguiam pessoas pela sua fé ou descrença, que violavam a consciência do indivíduo e que vinculavam sinecuras e rendimentos públicos à distribuição de uma ou outra “drogas” pela Igreja estatal. Completa separação entre Igreja e Estado, eis a reivindicação que o proletariado socialista apresenta ao Estado e à Igreja atuais.

A revolução russa deve realizar essa reivindicação como um componente indispensável da liberdade política. Nesse aspecto, a revolução russa situa-se em condições particularmente vantajosas, pois o abominável burocratismo da autocracia policial-feudal causou descontentamento, agitação e indignação até mesmo entre o clero. Por mais embrutecido, por mais ignorante que fosse o clero ortodoxo russo, até ele foi agora acordado pelo estrondo da queda da velha ordem medieval na Rússia. Até ele adere à reivindicação de liberdade, protesta contra o burocratismo e a arbitrariedade dos funcionários públicos e contra a fiscalização policial imposta aos “servos de Deus”. Nós, socialistas, devemos apoiar esse movimento, levando a cabo as reivindicações dos membros honestos e sinceros do clero, cumprindo as promessas de liberdade que lhes fizemos e exigindo deles que rompam decididamente todos os laços entre a religião e a polícia. Ou vocês são sinceros, e então devem defender a completa separação entre Igreja e Estado, entre escola e Igreja, e a completa e incondicional declaração da religião como um assunto privado; ou vocês não aceitam essas consequentes reivindicações de liberdade, e então quer dizer que ainda são prisioneiros das tradições da Inquisição, então quer dizer que ainda se encostam às sinecuras e rendimentos públicos, então quer dizer que vocês não acreditam na força espiritual de sua arma, continuam a extorquir o poder estatal – então os operários conscientes de toda a Rússia declarar-lhes-ão uma guerra implacável.

Em relação ao partido do proletariado socialista, a religião não é um assunto privado. Nosso partido é uma associação de combatentes conscientes e de vanguarda pela libertação da classe operária. Essa associação não pode nem deve ser indiferente à inconsciência, à ignorância ou ao obscurantismo das crenças religiosas. Reivindicamos a completa separação entre Igreja e Estado para lutar contra o nevoeiro religioso com armas tão-somente ideológicas, com nossa imprensa e com nossa voz. Mas nós fundamos nosso partido, o POSDR,(2) entre outras coisas, precisamente para essa luta contra o entontecimento religioso dos operários. E para nós a luta ideológica não é um assunto privado, mas um assunto de todo o partido e de todo o proletariado.

Se é assim, por que não declaramos em nosso programa que somos ateus? Por que não proibimos os cristãos e os que acreditam em Deus de entrar em nosso partido? A resposta a essa pergunta deve esclarecer a importantíssima diferença entre a maneira democrático-burguesa e a social-democrata de colocar a questão da religião.

Nosso programa baseia-se todo numa concepção científica, a saber, materialista do mundo. Por isso, o esclarecimento de nosso programa necessariamente inclui também o esclarecimento das verdadeiras raízes históricas e econômicas do nevoeiro religioso. Nossa propaganda também inclui necessariamente a propaganda do ateísmo; a edição da literatura científica correspondente, que o poder estatal autocrático-feudal rigorosamente proibia e perseguia até agora, deve atualmente constituir um dos ramos de nosso trabalho partidário. Teremos agora, provavelmente, de seguir o conselho que Engels deu certa vez aos socialistas alemães: traduzir e difundir maciçamente a literatura iluminista e ateísta francesa do século XVIII.(3)

Mas ao fazê-lo jamais devemos cair no modo abstrato e idealista de colocar a questão religiosa “a partir da razão”, fora da luta de classes, como não raro é feito pelos democratas radicais da burguesia. Seria um absurdo pensar que, numa sociedade baseada na opressão e no embrutecimento infindáveis das massas operárias, pode-se dissipar os preconceitos religiosos unicamente por meio da propaganda. Seria estreiteza burguesa esquecer que o jugo da religião sobre a humanidade é apenas produto e reflexo do jugo econômico que existe dentro da sociedade. Nenhum livrete ou propaganda pode esclarecer o proletariado se sua própria luta contra as forças obscuras do capitalismo não o esclarecer. A unidade dessa luta realmente revolucionária da classe oprimida pela criação do paraíso na terra é mais importante para nós do que a unidade de opiniões dos proletários sobre o paraíso no céu.

Eis por que não declaramos nem devemos declarar nosso ateísmo em nosso programa; eis por que não proibimos nem devemos proibir aos proletários que conservaram vestígios dos velhos preconceitos de aproximar-se de nosso partido. Sempre pregaremos a concepção científica do mundo, e é indispensável que lutemos contra a incoerência dos “cristãos”, mas isso não significa de modo algum que se deva pôr a questão religiosa em primeiro lugar, o qual de maneira alguma lhe pertence, nem que se deva permitir a dispersão das forças da luta econômica e política realmente revolucionária por causa de opiniões ou delírios insignificantes que perdem rapidamente todo significado político e são rapidamente jogados no ferro-velho pelo próprio curso do desenvolvimento econômico.

Em toda parte a burguesia reacionária inquietou-se e começa agora também em nosso país a buscar atiçar a hostilidade religiosa, a fim de desviar para ela a atenção das massas voltadas às questões econômicas e políticas realmente importantes e fundamentais, as quais o proletariado de toda a Rússia, praticamente unido em sua luta revolucionária, está agora resolvendo. Essa política reacionária de dispersão das forças proletárias, que hoje se manifesta principalmente nos pogroms das Centúrias Negras,(4) talvez pense amanhã em outras formas mais refinadas. Nós, em todo caso, opor-lhe-emos uma propaganda tranquila, sóbria e paciente da solidariedade proletária e da concepção científica do mundo, livre de todo atiçamento de divergências secundárias.

O proletariado revolucionário conseguirá tornar a religião um assunto realmente privado para o Estado, e nesse regime político depurado do bolor medieval, travará uma luta forte e aberta pela eliminação da escravidão econômica, verdadeira fonte do entontecimento religioso da humanidade.

Lênin e Stálin


Notas de rodapé:
(1) Sacerdotes ortodoxos. (N.T.) (retornar ao texto)

(2) Partido Operário Social-Democrata da Rússia, que futuramente se tornaria o Partido Comunista soviético. (N.T.) (retornar ao texto)

(3) Ver artigo de Friedrich Engels, “Programa dos Refugiados Blanquistas da Comuna” (artigo II da série “Literatura de Refugiados”). [N.T.: O artigo pode ser encontrado em português em Karl Marx e Friedrich Engels, Obras escolhidas em três tomos, tomo II, Lisboa, Avante; Moscou: Progresso, 1983, pp. 411-418. A referência citada está na p. 415. A mesma versão ainda está na rede nesta página.] (retornar ao texto)

(4) Movimento paramilitar ultranacionalista e xenófobo que suportava o regime tsarista contra os movimentos revolucionários de oposição. (N.T.) (retornar ao texto)

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FONTE:
Texto copiado de https://www.marxists.org/portugues/lenin/1905/12/03.htm
MIABiblioteca > Lenine > Novidades

Primeira Edição: publicado no jornal Nóvaia Jizn, nº 28, 3 de dezembro de 1905.
Fonte: Neste link pode-se ter acesso a uma das inúmeras versões online do texto original em russo.
Tradução de: Erick Fishuk.
HTML de: Fernando A. S. Araújo.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.




Inclusão
14/07/2007
Última alteração
11/08/2012





terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

2 de fevereiro, dia da Vitória de Stalingrado


2 de fevereiro de 1943 é o Dia de Stalingrado. Virada estratégica na 2ª Guerra Mundial: A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) vence a batalha de Stalingrado; 200 mil alemães mortos, 90 mil aprisionados e um marechal do exército nazista foi preso. Hitler cai na defensiva em todo o cenário da guerra. Foi o início do fim do nazi-fascismo!

Cartaz soviético conclama à resistência

Praça de Stalingrado ainda em chamas durante os combates



Os atiradores do exército vermelho foram decisivos na batalha

Stálin, 
o grande líder comunista que
 comandou o exército vermelho e
esmagou o exército capitalista nazi-fascista.


Unir amplos setores da Nação contra o golpe e pela retomada do crescimento

Do Bolg do Renato2 DE FEVEREIRO DE 2016

2016 se inicia marcado pelo confronto entre um Brasil que luta em defesa do Estado Democrático de Direito e que batalha para que a economia volte a crescer e gerar empregos contra uma oposição inconsequente que atua para manter a instabilidade política e assim forçar o prolongamento da crise. Conduta tática que a direita neoliberal adotou para tentar reaver a qualquer preço o governo da República.

Nesse cenário em que vencer a recessão é o grande desafio nacional, o PCdoB avalia como positivo o pacote de estímulo ao crédito, anunciado pelo governo Dilma, na ordem de R$ 83 bilhões, direcionados ao fortalecimento das empresas, aportando recursos à agricultura e respaldando as exportações. O pacote visa, também, a incentivar a construção civil, as concessões no setor de infraestrutura e o programa Minha Casa, Minha Vida. A iniciativa é relevante e deve ser encorajada, sobretudo agora quando a crise do capitalismo dá sinais de que pode se agravar, afetando ainda mais a economia global, em particular, a dos países emergentes.

Amplia-se a tomada de posição em prol de um novo ciclo de crescimento

Além desse aporte ao crédito, destaca-se a reabertura dos trabalhos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o “Conselhão”, realizada no último dia 28 de janeiro, do qual fazem parte empresários, lideranças dos trabalhadores e do movimento social, personalidades da sociedade civil, além de ministros do governo. Na oportunidade, a presidenta Dilma Rousseff desencadeou um amplo diálogo que tem por objetivo impulsionar uma nova agenda de compromisso com o desenvolvimento.

Embora a grande mídia tenha procurado desqualificar essas duas iniciativas, é patente uma tomada de posição de lideranças dos empresários e dos trabalhadores de que é imperativo o compromisso de amplos setores da nação e de instituições da República, como o Congresso Nacional, em torno de uma pauta que leve à retomada do crescimento. Esta convergência que ora se inicia confronta a política do “quanto pior melhor”, levada a cabo por setores da oposição neoliberal.

Quando se afloram reflexões sobre caminhos para o país superar a crise, o PCdoB destaca algumas questões que considera cruciais: reduzir progressivamente a taxa básica de juros, pelo que considera positiva a última decisão do Copom de não tê-la aumentado; assegurar a estabilidade de uma taxa de câmbio competitiva que alavanque sobretudo as exportações da indústria; destravar os investimentos públicos e privados na infraestrutura e logística e no sistema energético; aprovar a Medida Provisória que regulamenta os acordos de leniência para preservar as empresas de engenharia nacional, sem o prejuízo da punição aos corruptos e corruptores; fortalecer e recompor financeiramente a Petrobras, preservando seu patrimônio; adotar programas e medidas para a geração de empregos e garantir a continuidade das políticas de valorização do trabalho e de distribuição de renda. Neste caso, foi importante a manutenção da política de reajuste do salário-mínimo, extensivo aos aposentados e, também, a elevação do piso salarial dos professores.

O reequilíbrio fiscal é uma necessidade objetiva em tempos de queda da produção e da receita. Por isto, o PCdoB se apresenta pró-ativo para ajudar a construir na sociedade e no Congresso Nacional o entendimento de que é preciso, nas circunstâncias atuais, recriar a CPMF. Mas o Partido enfatiza que a conta desse reequilíbrio não pode ser direcionada aos trabalhadores e ao povo – os que mais pagam impostos e mais perdem com a crise. Desse modo, os comunistas reiteram que é preciso aumentar a receita, elevando os impostos sobre os grandes patrimônios, rendas e fortunas, combatendo a sonegação fiscal e elevando a taxação sobre o capital financeiro para além do aumento, já aprovado, de 15% para 20%. Impõe-se, portanto, a realização da Reforma Tributária progressiva para que se reverta a lógica vigente que lança sobre os trabalhadores a maior carga dos impostos, poupando o topo da pirâmide.

Em relação à reforma da Previdência – embora considere uma questão que precisa ser examinada, sempre no sentido de se assegurar os direitos adquiridos e preservar esse benefício às futuras gerações – o Partido considera inadequado pautá-la com status de urgência, justamente nesta hora em que o governo precisa unir forças contra o golpismo e pela retomada do crescimento. Essa reforma deve ser debatida e amadurecida no fórum quadripartite sob a diretriz de que a previdência social é um patrimônio dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil cuja sustentabilidade tem relação direta, entre outros fatores, com o crescimento econômico e o nível de emprego formal.

Conquistar a estabilidade política e a normalidade institucional

O golpismo da oposição neoliberal permanece “ativo e operante” mesmo depois das derrotas que lhe foram impostas pelas forças democráticas e populares.

Entre elas se destacam as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, ao julgar recursos do PCdoB, barrou o rito da tramitação do pedido de impeachment deferido por Eduardo Cunha em conluio com o PSDB de Aécio Neves. Essa decisão do STF se deu envolta numa reação de amplos setores democráticos em defesa do Estado Democrático de Direito. Outra derrota importante sofrida pelos golpistas aconteceu nas ruas. O povo, em 16 dezembro, ocupou as avenidas embandeirado contra o golpe e em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e com o brado certeiro de “Fora Cunha”. Essas manifestações organizadas pela Frente Brasil Popular, Frente Povo sem Medo e outras articulações precisam prosseguir, buscando volume e representatividade crescentes.

Mesmo diante das derrotas, a escalada golpista prossegue seja com o processo de impeachment, seja com o julgamento da ação do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a impugnação dos mandatos da presidenta Dilma Rousseff e do vice Michel Temer.

É cada vez mais escancarado o conluio da grande mídia e de setores do aparato policial e jurídico do Estado que, utilizando o necessário combate à corrupção, intentam criminalizar o PT e a esquerda, e vazam documentos e informações seletivamente para grandes veículos de comunicação que promovem a condenação e o linchamento da reputação dos investigados.

É o que se explicita na alardeada “caçada” que a Operação Lava Jato e um promotor do Ministério Público de São Paulo realizam contra o ex-presidente Lula e sua família. A grande mídia vocifera ter chegado a “hora de Lula” e despeja na opinião pública mentiras, distorções e manipulação de fatos assacando contra a honra de uma das mais respeitadas lideranças da história de nossa República. A defesa do ex-presidente Lula, com provas documentais e sólidos argumentos, tem desmascarado as infâmias. O fato é que a oposição neoliberal teme a possibilidade de uma candidatura de Lula em 2018. O Partido se solidariza com o ex-presidente Lula e exorta o campo político e democrático e progressista a se levantar contra essa torpe campanha de difamação.

O descalabro jurídico, que tem acentuados elementos de Estado de exceção, provocou a reação de mais de uma centena de renomados integrantes da comunidade jurídica do país. Advogados e juristas alertam para o fato de que a perigosa associação de massacres midiáticos com a sistemática violação da presunção da inocência, do direito de defesa, do vazamento seletivo de informações e o desvirtuamento do uso da prisão provisória, recorrentes na Operação Lava Jato, se constituem “uma ameaça ao Estado Democrático de Direito”.

O PCdoB destaca e valoriza o alerta desse chamamento de advogados e juristas brasileiros em defesa dos direitos e das garantias fundamentais assegurados pela Constituição Federal, e reafirma que o combate à corrupção pode e deve se realizar com eficácia sem ferir os fundamentos da democracia.

Esta análise indica que permanece atual a centralidade da tática do Partido de combate ao golpismo e defesa da democracia – o que exige amplitude, mobilização de amplas forças democráticas, construção, consolidação de uma maioria nas duas Casas do Congresso Nacional, combinadas com a luta, que assume grande importância neste momento, pela retomada do crescimento econômico e geração de empregos – base para mobilização e unidade permanente das forças do povo.

Eleições municipais exigirão dedicação máxima do PCdoB

Finalmente, se agiganta, neste contexto, a relevância das eleições municipais de outubro, que irão refletir, sobretudo os centros urbanos, a disputa política e ideológica derivada da crise. As eleições precisam ser encaradas como grande desafio para a afirmação do papel e identidade própria do PCdoB, ampliar e fortalecer a ocupação de seu lugar político, disputar ativamente novas filiações e a renovação na representação política da esquerda brasileira. O eixo geral das alianças se dará na base de sustentação do governo — e com grande flexibilidade para priorizar de fato resultados próprios — sempre sujeitas ao referendo dos Comitês Estaduais e, nos municípios prioritários do projeto nacional, à supervisão do Comitê Central.

O conjunto do Partido, e sobretudo suas direções, todos são chamados a tomar nas mãos as tarefas para que a legenda comunista conquiste suas metas e saia fortalecida desse grande embate.

Para isso, é necessário viabilizar candidaturas majoritárias no maior número possível de municípios e compor chapas próprias às Câmaras Municipais, sobretudo nas capitais e maiores cidades – o que exige esforço concentrado para filiar lideranças. O fortalecimento e ampliação das bases militantes do Partido, a elaboração das ideias e propostas dos (as) nossos (as) candidatos (as) para o desenvolvimento harmônico das cidades e a melhoria da qualidade de vida do povo são questões relevantes. Ganham especial importância o planejamento e as ações para financiar as campanhas eleitorais que, ante a vitória obtida com a proibição do financiamento empresarial, exigirão ainda mais o apoio do coletivo militante, dos nossos eleitores e apoiadores.

Brasília, 1º de fevereiro de 2016.

A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB