Revista Princípios Digital

sábado, 2 de janeiro de 2016

PIG censura que em 10 anos, redução da extrema pobreza foi de ao menos 63%


Acabamos de iniciar o ano de 2016 e sou obrigado a voltar ao velho tema da censura praticada cotidianamente pelo Partido da Imprensa Golpista (PIG). Como hoje o PIG está abertamente em uma feroz campanha golpista para destruir a democracia no Brasil, derrubando a presidenta Dilma Rousseff, eles omitem deliberadamente todos os dados bons do governo atual e também de todos os avanços já alcançados na última década de governos democráticos e progressistas.

Desta vez foram os dados e a análise feita pelo Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, que concluiu que nos últimos 10 anos houve uma impressionante redução da pobreza extrema no Brasil, ou seja, cerca de 63% de redução da miséria criada nos últimos 500 anos. Em qualquer meio de comunicação seriamente comprometido com a realidade materialista dos fatos, esta notícia seria motivo de grande divulgação, mas para os meios de comunicação das classes dominantes da burguesia capitalista, essa informação científica tem que ser cuidadosamente deturpada ou escondida da população brasileira para evitar qualquer tipo de simpatia pelos feitos de um governo democraticamente eleito pela maioria de nosso povo. É a campanha do quanto pior melhor desta gente que insiste em manter seus complexos de vira latas!


Bom, vamos deixar que você tire suas próprias conclusões, abaixo reproduzo o artigo original do Ipea e depois o link para as Notas Técnicas do estudo:


30/12/2015 - 09h:38min

Em 10 anos, redução da extrema pobreza foi de ao menos 63%
É o que revela a análise feita pelo Ipea dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014.

"Passamos por um ciclo ininterrupto de transformações sociais em 10 anos (2004-2014). Todos os dados relacionados às questões sociais têm apresentado melhora e nos permitiram a constituição de um colchão de amortecimento às crises", pontuou André Calixtre, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea no lançamento da Nota Técnica PNAD 2014 – breves análises. Para o pesquisador, a renda crescente, a diminuição da desigualdade de renda, além da melhoria dos programas de transferência de renda e o aumento da cobertura previdenciária explicam os números de 2004 a 2014. “Houve uma retomada do ciclo de redução da extrema pobreza”. O estudo foi apresentado nesta quarta-feira, 30/12/2015, na sede do Ipea, em Brasília.

A Nota conta com diversos capítulos que analisam temas como desigualdade social, gênero e raça e arranjos familiares. No primeiro texto, “Desigualdade e Pobreza”, o autor, Rafael Osorio, demonstra que tanto pelo índice de Gini quanto por outros três índices da família de indicadores de entropia generalizada as desigualdades de renda decrescem no Brasil de 2004 a 2014. O índice de Gini do país caiu de 0,570 em 2004 para 0,515 no ano passado. Da mesma forma, a parcela da população em situação de pobreza sofreu redução no período analisado. A queda na taxa de pobreza extrema de 2004 para 2014 varia de 63% a 68,5%, dependendo da linha de análise utilizada, uma redução média em torno de 10% ao ano.

A segunda análise, “Mudanças nos Arranjos Familiares: 2004 e 2014”, de autoria de Ana Amélia Camarano e Daniele Fernandes, avaliou as formas como as famílias brasileiras estão se organizando e como as condições de vida, medidas pelo rendimento médio mensal e pelo percentual de famílias pobres, variam segundo o tipo de arranjo familiar. Os domicílios tradicionais ocupados por um casal e filhos diminuíram 10 pontos percentuais em dez anos, de 54,8% para 44,8%, cedendo espaço para os domicílios habitados por homens e mulheres sozinhos, casais sem filhos e lares chefiados exclusivamente pela mulher. Esses novos arranjos familiares têm feito crescer a proporção de domicílios onde os parceiros não têm perspectiva de criar filhos: de 12,4% em 2004 para 20,2% em 2014.

A análise feita pelos pesquisadores Paulo Corbucci, Herton Ellery Araujo, Ana Codes e Camilo Bassi trata da evolução de dois indicadores educacionais: a média de anos de estudo dos jovens brasileiros e a taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais. A pesquisa mostra que os dados da PNAD 2014 reiteram os avanços obtidos na última década no que tange à ampliação da escolaridade dos jovens brasileiros, mas também confirmam a necessidade de maior atenção junto aos segmentos populacionais de maior idade. Mesmo em relação aos jovens, existem desigualdades que deverão ser reduzidas, sob o risco de não serem alcançadas as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024). Os maiores desafios ficam por conta da inclusão dos segmentos populacionais mais vulneráveis, para os quais deverão ser desenhados programas e ações que levem em consideração suas especificidades.

Trabalho

Assinado pelo pesquisador Lauro Ramos, o texto “Breve análise dos dados da PNAD 2014 para o mercado de trabalho” explorou o tema por meio da comparação dos resultados de seus principais indicadores, ao longo dos 10 anos. Ele concluiu que o desempenho dos rendimentos do trabalho, da informalidade e do desemprego foram amplamente favoráveis no período. No entanto, deve-se atentar para o comportamento dessas variáveis entre 2013 e 2014, um prenúncio do cenário difícil vivido em 2015. O crescimento do rendimento médio real, que foi superior a 7% em 2006 e próximo de 6% em 2012, caiu para menos de 1% em 2014.

O quarto texto, “Cobertura previdenciária na PNAD 2014”, de Leonardo Alves Rangel, analisou o comportamento da cobertura previdenciária da população ocupada (PO) de 16 a 64 anos e da população idosa (65 anos ou mais). Quanto considerados todos os beneficiários contributivos e não contributivos, essa cobertura pulou de 63,4% em 2004 para 72,9% em 2014 em toda a população ocupada de 16 a 64 anos. Quando se observa somente a população idosa, a cobertura sofreu uma pequena elevação, de 89,9% em 2004 para 91,3% em 2014.

Em seguida, os pesquisadores Natalia Fontoura, Antonio Teixeira Lima Jr. e Carolina Cherfem analisam as desigualdades de gênero e raça entre os brasileiros, além do emprego doméstico. Eles concluem que os grupos sociais mais atingidos pela desocupação produzida entre 2013 e 2014 foram as mulheres negras (35,1%) e os homens negros (25,2%). Entre as mulheres negras, no entanto, o grau de informalidade caiu de 75,9% em 2004 para 66,5% em 2014. Em relação ao trabalho doméstico, cresceu a proporção de trabalhadoras que prestam serviços em mais de um domicílio – de 21,4% há dez anos para 31,1% atualmente, mostrando um aumento da composição das trabalhadoras diaristas ante as de emprego fixo.

O texto “Evolução do emprego agrícola entre 2005 e 2014: pequenos ganhos contra a precariedade predominante”, de Alexandre Arbex Valadares e Marcelo Galiza Pereira de Souza, observou importantes alterações no quadro geral do assalariamento agrícola no país. Entre os pontos destacados pelo estudo está o de que empregados permanentes diretamente envolvidos na atividade agropecuária recebiam, em média, R$ 659 por mês em 2004, ao passo que em 2014 seus rendimentos alcançavam R$ 991, uma alta real de 50,5%.

Por fim, no artigo “Trabalho infantil em atividades agrícolas na PNAD 2014”, os autores investigaram diversos aspectos da distribuição do trabalho infantil para a população de 10 a 14 anos de idade – que, em 2014, correspondia a 89,3% do total de crianças e adolescentes rurais ocupados. Um dos pontos explorados pelo estudo mostra que, entre 2013 e 2014, o total de ocupados agrícolas nesta faixa etária, com domicílio rural, cresceu de 406,9 mil para 427,5 mil, ou 5,1%. Deste total, 82,7% estavam em ocupações características da agricultura familiar. Apesar do aumento no trabalho infantil rural de 2013 para 2014, o saldo dos dez anos estudados é positivo: a queda do trabalho infantil no campo (57%) foi muito superior ao decréscimo populacional da mesma faixa etária nos mesmos dez anos (16%).



Fonte: IPEA:
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Ricardo Tristão 
Cientista  Social

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