Revista Princípios Digital

domingo, 3 de janeiro de 2016

RÚBAÍ, um curta metragem sobre uma garotinha Ateia

RÚBAÍ é um curta metragem sobre uma garotinha Ateia que sofre com a intolerância religiosa de sua sociedade. É uma estória belíssima e emocionante.

 Rúbaí, a garotinha atéia

A realidade social e materialista dos fatos cientificamente observados, nos mostra e nos ensina que, toda criança nasce ateia. Sem  acreditar em nenhuma religião. Ninguém nasce cristão, judeu, muçulmano, hindu, budista, etc. Assim como, também não existe criança que nasce brasileira, alemã, francesa, italiana, chinesa, etc. Religião, cultura e nacionalidade não são características genéticas, são características socialmente aprendidas e adquiridas com o tempo. A criança adquire os costumes sociais vivendo em sociedade, ou seja, todos nós somos adestrados ou educados nos hábitos sociais, costumes, cultura, religião e nacionalidade da sociedade e da família ou grupo familiar com que convivemos ao longo de muitos anos. Algumas crianças conseguem manter uma certa independência, uma capacidade de ser um livre pensador e se mantém Ateus por toda a vida. Mas a maioria não consegue e sucumbe às pressões, ou melhor à opressão social, e assimila e se submete à religião e a cultura predominante onde nasceu. Mesmo assim isso também pode mudar depois deste processo.

O curta metragem trata exatamente disso, o momento em que as crianças estão enfrentando os conflitos que são gerados quando, pela sua experiencia prática com a natureza, a realidade materialista dos fatos percebidos empiricamente por elas, entram em conflito ou melhor, entram em contradição com os preconceitos idealistas religiosos e culturais tradicionalmente aceitos e impostos na sociedade em questão. A estória do curta descreve o que acontece quando uma menina diz na escola que não acredita na existência do Deus cristão e a partir de então passa a ser discriminada e a sofrer o que chamo de intolerância religiosa contra os ateus, inclusive sendo chantageada emocionalmente por seu professor e de sua mãe. Essa é a história do curta metragem irlandês Rúbaí.

O filme ganhou recentemente o prêmio de Melhor Curta de um festival de Sardenha (Itália). Ele foi filmado em fevereiro de 2013 na aldeia irlandesa de Spiddal. Na época, Ní Fhoighil, a atriz que fez o papel de Rúbaí, tinha 7 anos. Ela foi escolhida para o filme após passar em um teste com 42 concorrentes.

A história foi escrita por Antoin Beag Ó Colla e filme foi dirigido por Ní Fhiannachta. Fhiannachta não quis fazer um curta ateísta, mas, como disse em uma entrevista, mostrar o quanto um livre pensador independente desafia as tradições sociais e os preconceitos judaico cristãos da sociedade. O que fica claro ao final do filme. Assista até o final dos créditos para entender a última cena do curta…

Ricardo Tristão
Cientista Social



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